22 de setembro de 2017

Crítica: Leatherface (2017)


Finalmente conseguimos assistir ao antecipado Leatherface, novo filme da franquia Massacre da Serra Elétrica. Na nova cronologia, ele serve como pré-sequência do original de 74, mostrando como Leatherface virou o icônico vilão. A franquia ainda está nas mãos da Millennium Films, a mesma responsável pelo anterior, O Massacre da Serra Elétrica 3D - A Lenda Continua (2013). E pra quem já viu essa obra de arte, é normal ter ficar preocupado com o futuro da série e em como esta prequel seria. Eu mesmo não depositava um centavo de sorte neste filme até ver o trailer, que foi bem interessante e despertou meu interesse. Antes não tivesse despertado...

Leatherface tinha dois fardos a carregar: o de servir como prequel para um dos maiores filmes de terror ever e de ser um filme bom da franquia já que faz nada menos que 11 anos desde que tivemos o subestimado O Início (2006), que em si já é uma prequel do remake de 2003. E prequels são uma coisa interessante pois elas tem que trabalhar com um material onde o público já sabe o final. Portanto, baseando-se nos dois pontos que levantei acima, o roteiro tinha que ser bom o suficiente para oferecer um background (desnecessário) para o enredo do filme original e bom o suficiente para agradar aos fãs da franquia, que já estão bem insatisfeitos com os rumos que ela está tomando.


Sob a direção da dupla francesa Julien Maury e Alexandre Bustillo, responsáveis por A Invasora (2007) e os medianos Livid (2011) e Entre os Vivos (2014), o filme se destaca por não poupar o sangue mas falha em basicamente não ser um filme da franquia, em espírito. Quase nada em Leatherface remete aos outros, mas principalmente, ao original. Isso para alguns pode parecer bom pois há aqueles que acham que a série precisava de uma repaginada, mas acaba sendo frustrante para qualquer fã. O clima só chega a ser lembrado no desfecho, que é de longe a melhor parte do filme mas é rápido demais para salvar o projeto inteiro.

Com uma pegada Rejeitados Pelo Diabo (2005), a trama acompanha quatro jovens que escapam de um hospital psiquiátrico, levando consigo a enfermeira Lizzy (Vanessa Grasse). Eles são: o casal psicótico Ike (James Bloor) e Clarice (Jessica Madsen), o "responsável" Jackson (Sam Strike) e o grandão Bud (Sam Coleman), que tem um tipo de problema mental. Embora não fossem próximos dentro da facilidade, durante a bagunça que estava eles acabam fugindo juntos.

Acontece que um desses três garotos é o Leatherface, ou melhor, o Jed Sawyer. Isso é explicado na cena de abertura, onde dez anos antes, vemos um Jed pequeno sob os cuidados da matriarca Sawyer, Verna (Lili Taylor), junto com outros membros da família, como o Drayton e o Hitchhiker mais jovens e até mesmo o Vovô, aqui em vida! Após a filha do Xerife Hartman (Stephen Dorff) ser assassinada pela família e eles saírem impunes por falta de provas, ele consegue internar o pequeno Jed em uma instituição para mantê-lo longe da família louca. Lá ele tem seu nome mudado e quase não lembra do seu passado. Quando os garotos fogem do hospício, Hartman começa a persegui-los ferozmente para se vingar dos Sawyers.


A identidade do Cara de Couro é um mistério por quase todo o filme, sendo revelado apenas no final. O roteiro usa um bode expiatório para aqueles que achavam que seria o mais óbvio (eu mesmo achei isso) e pode até surpreender na execução da conexão entre este e o original. Nos últimos 20 minutos, o filme assume o posto de um verdadeiro filme do Massacre com muito barulho de serra, membros amputados e sangue pra todos os lados. O problema é todo o resto.

Basicamente 1 hora de Leatherface soa como uma história avulsa, que se fosse um filme independente e sem ligação à franquia seria melhor, mas não é o que acontece. Claro que o desenvolvimento desse enredo em si não é ruim mas quando o final chega e traz todas as características que eu, como fã, adoro, ele simplesmente soa frustrante. A falta de fé da produtora no lançamento do filme deixa bem claro que não veremos um Massacre tão cedo, mas se por acaso eles fizerem, precisa ser nos moldes originais.

O roteiro fez bem em não adicionar mil personagens novos à família Sawyer e simplesmente aproveitar os originais, contando com a presença da família original com a adição da Verna Sawyer. Lembrando que Verna apareceu no 3D, ela foi interpretada inclusive pela Marilyn Burns (a Sally Hardesty) e era a tia da personagem da Daddario. O filme também estabelece outras conexões como por exemplo: o namorado da filha do Xerife é o pai da Sally e o próprio Xerife é o pai do prefeito da cidade no 3D. No entanto, gostaria de saber onde estava a Verna durante os eventos de 1973?


Quanto aos personagens principais, eles cumprem seus papéis mas não vão além disso. A final girl é competente mas nada memorável e nem se compara à Sally, Stretch, Erin, Chrissy e até mesmo Heather. O xerife interpretado pelo Stephen Dorff é cheio de clichês, movido pela vingança e pelos impulsos. Já Verna, interpretada pela ótima Lili Taylor, poderia ter sido mais aproveitada já que nesta época, ela era a matriarca da família Sawyer. O roteiro devia tê-la feito uma figura ameaçadora e amedrontante mas não chega nem perto.

Sobre a violência, mortes, etc. O filme só liga o modo gore on no final com cenas regadas à sangue. Antes disso, há sim algumas mortes mas a serra faz falta. São mortes fillers e nada memoráveis, com exceção de uma que é na verdade cópia da infame cena de A Outra História Americana (1998), mas a inspiração não desvalida.

Como falei diversas vezes ao longo da crítica, o final é a melhor parte. Ele, no entanto, dá a sensação de que o todo esse filme poderia ter sido resumido e usado na cena de abertura de um novo com uma história original. Sabe a abertura do remake de Sexta-Feira 13, com a morte de Pamela Voorhees? É mais ou menos isso.

Sendo uma prequel, Leatherface falha em não capturar a essência que fez O Massacre da Serra Elétrica ser um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Propositalmente nada parecido com os outros, a produção entrega boas cenas de gore (algumas bem feitas, outras realizadas sem impacto e de forma banal) e finaliza com um desfecho ágil e violento, mas tudo isso não salva o filme de ser uma grande perda de tempo.
por Neto Ribeiro

Título Original: Leatherface
Ano: 2017
Duração: 85 minutos
Direção: Julien Maury, Alexandre Bustillo
Roteiro: Seth M. Sherwood
Elenco: Stephen Dorff, Vanessa Grasse, Sam Strike, Lili Taylor, Finn Jones, James Bloor, Jessica Madsen, Sam Coleman

9 comentários :

  1. Poxa.. q pena, a franquia realmente precisava de um novo filme que fosse bom, torcia para que esse fosse bem rebido pela critica para que podessem haver mais filmes pois gosto mt do original junto com o ramake e o inicio, mas ainda assim espero gostar do filme msm sem mts esperanças

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    1. Vai com fé que o filme é bom sim.

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  2. Estranho, pelo menos nos EUA a maioria da critica elogio o filme, o site bloody disgusting q e atualmente o maior site de horror deu 3,5 estrelas de 5 o que e relativamente bom!

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  3. N e nenhuma perda de tempo, o filme e otimo, não vão pela opinião dessa critica, assistam e tirem suas proprias conclusões!

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  4. O filme é ótimo. Faz referência ao clássico e tem gore mais que suficiente pra quem é fã do gênero. Gostei do roteiro também, pois não tem enrolação. O filme se desenvolve de forma rápida e precisa. Em minha opinião de merda, o filme fez jus à franquia.

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  5. Um Leatherface mirradinho que parece uma ratazana que se abate com um tapa, ai não produção, erraram feio

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  6. Como alguém pode falar que esse filme tem pouco gore? Do início ao fim é um festival de mortes e violência. A serra elétrica só aparece mais pro final, mas é totalmente compreensível, já que a proposta era contar a origem do assassino, e acho que o fizeram de modo satisfatório. Não é perfeito, mas está longe de ser ruim.

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  7. Anônimo10/16/2017

    Sempre pensei que o Leatherface fosse um cara com problemas mentais, com idade mental atrasada, que cresceu em meio do matadouro de sua família canibal não sabendo o que e certo e o que e errado. Nesse filme mostra um Leatherface piedoso, e muito inteligente. Filme fraco.

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