20 de maio de 2012

Crítica: Filha do Mal (2011)


Parece que o tinhoso anda em alta no cinema ultimamente, depois de O Exorcismo de Emily Rose, O Último Exorcismo, O Ritual, Exorcismus e vários outros com o mesmo tema é a vez de The Devil Inside entrar na lista de filmes de exorcismo. O filme mistura dois subgêneros que estão em alta no terror atual, o found footage e o tipico filme de exorcismo. A mistura já tinha sido feita pelo decepcionante O Último Exorcismo e é usada nesse filme quase da mesma forma.

O filme começa em 1989, mostrando uma ligação para a policia, onde uma mulher chamada Maria Rossi diz ter matado 3 pessoas. Uma equipe de filmagem vai até o local do crime e gravando tudo, descobrem que as vitimas são dois padres e uma freira, que foram mortos durante um exorcismo realizado em Maria, que supostamente estava possuída. Considerada doente mental e incapaz de ir a julgamento pelos assassinatos a ela é levada a um hospital psiquiatrico em Roma. 20 anos depois a filha Isabella (interpretada pela brasileira Fernanda Andrade) decide investigar por conta própria o caso e descobrir se de fato a Mãe estava possuída. Ela viaja até Roma e junto com um Câmeraman ela grava um documentário com depoimentos de Padres e pessoas que estudam casos de possessão e problemas mentais. O objetivo do documentário é mostrar que existem casos de possessões registradas pelo Vaticano e que possivelmente a Mãe de Isabella pode ter sido possuída. 


Se existe alguma tentativa de tornar o filme realista ele vai por água abaixo já nos primeiros minutos. Momento nenhum parece ser um documentário, existem muitos cortes, ângulos e iluminação perfeitos demais pra terem sido gravado por uma só pessoa. Outra coisa que quebra o realismo que o filme tentantaria passar é a forma como as coisas acontecem. A moça simplesmente entra no Vaticano com o cameramen e sai gravando tudo, entra na sala exata onde um grupo de padres discutem os sintomas de possessão. Os roteiristas devem achar que o Vaticano é igual a casa da Mãe Joana, onde qualquer um entra e sai na hora que quiser.

Logo depois da palestra sobre exorcismo o grupo de padres se encontram num restaurante e dois deles David e Ben, que já tem pratica em exorcismo, ficam interessados no caso da Mãe de Isabella e junto com Isabella e o câmera eles decidem investigar o caso.


No dia seguinte Isabella decide ir fazer uma visita a mãe no manicômio junto com o câmera e gravar a visita (outra situação forçada, ninguém sai entrando em um manicômio com câmeras e gravando visitas com pacientes), para depois mostrar aos padres, onde eles investigaram sintomas de possessão, ao assistir o video o grupo leva a conclusão que ela ainda tá mesmo com o capeta no corpo, já que ela tem várias marcas de cruzes invertidas e fala em uma lingua diferente.

O grupo então decide levar Isabella para testemunhar um exorcismo verdadeiro antes de tentarem exorcizar a Mãe dela e mostrar como é um exorcismo. Então o grupo parte em busca de casos em aberto de exorcismo, mesmo contra o Vaticano que não aprova e não tem conhecimento dos casos, eles fazem exorcismos as escondidas e gravam para o documentário da Isabella. Vão até a casa de uma garota que tem todos os sintomas de possessão, se contorcendo e falando em liguas diferentes. Mais uma situação forçada acontece na cena, a Mãe da garota possuída deixa eles gravarem a sessão sem nem falar nada. Quando o exorcismo começa Isabella começa a ter certeza de que a Mãe foi vitima de possessão e passa a acreditar em tudo.


Em todos os filmes de falso documentario a técnica de filmagem é usada para algum proposito, pode deixar o filme mais realista, dinâmico e/ou assustador, mas em A Filha do Mal a técnica não contribui pra nem um dois três. A única coisa que eu achei legal foram alguns depoimentos explicando casos de possessão e tais, mas de resto o filme nem tem motivos para ser um falso documentário, já que nem o diretor, nem o roteirista se esforcam para passar o realismo necessário para fazer o público acreditar que aquilo poderia ser real.

Além das situações forçadas e cheias de conhecidencias que só acontecem em filme e quebram o realismo, a personagem principal não tem reação nenhuma em momentos que qualquer um estaria se cagando. Me lembrou um pouco o Padre cético de O Ritual, onde ele não ficava impressionado em nenhum momento. Uma das coisas que eu aprendi vendo um monte de filme é que os personagens principais é que conduzem o filme, se o personagem principal está em desespero, uma parte disso é passado ao público e quando o personagem é destemido o público também fica. Nos dois casos tanto em O Ritual quanto a Filha do Mal a falta de medo nos personagens diminui um pouco do terror. Em O Ritual o personagem era tão cético que momento nenhum as cenas de possessão pareciam reais.


O lance do filme ter vários cortes e ângulos que eu já tinha comentado também se torna um problema. Como uma única pessoal consegue gravar ao mesmo tempo com várias camêras e em vários ângulos diferentes?! Será que era o Noturno do X-Men?! Deve ser!

Algo que merece ser destacado em A Filha do Mal é que mesmo sendo cheio de defeitos e situações forçadas o roteiro tem certa criatividade, fugindo um pouco dos padrões de filmes de exorcismo, onde a maioria tem seus clichês e cenas copiadas de O Exorcista. O filme também não é focado em uma pessoa possuída e sim várias pessoas que são vitimas do cramunhão. Possessão em massa, algo bem bacana que deveria ter sido mais bem usado.

A escolha do titulo Brasileiro mais uma vez foi equivocada. Por quê A Filha do Mal?! O filme é focado em possessões e não em alguém que como sugere o titulo que é "A Filha do Mal". O titulo original não ficaria bem em português já que seria algo como: "O Diabo Interior", "O Diabo de Dentro". Seria do caralho se esses félas da puta tivessem traduzido como "O Diabo Está Aqui Dentro", ai sim seria um titulo foda.

Muita gente comentou que O Último Exorcismo tinha um desfecho decepcionante e que cagava o filme todo, o mesmo acontece em A Filha do Mal, e em ambos os casos a técnica de falso documentário parece ser uma desculpa para a falta de um desfecho decente.


Quem assistiu o trailer, não vai se surpreender com o filme, já que tudo que acontece no filme aparece no trailer. 

Neguinho deve tá se perguntando: "Vale a pena ver o filme?" Vale a pena, mesmo não sendo um novo clássico ou um filme memorável, é melhor do que muito filme de exorcismo que anda circulando por ai.

Postado por: Marcelo

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