21 de abril de 2013

Crítica: A Morte do Demônio (2013)


Qualquer fã ou apreciador de filmes de terror sabe o quanto The Evil Dead de Sam Raimi teve importância no gênero, sendo um dos filmes mais amados pelos saudosistas e fãs hardcore do terror. O filme não só inovou como se tornou um dos maiores clássicos do cinema independente e de terror. Antes dele Sam Raimi tinha feito um curta metragem chamado Within the Woods, um esboço para conseguir faturamento para o filme anos depois. O filme foi feito com uma produção limitada tanto em equipe, quanto em orçamento, dando a Evil Dead status de um dos filmes mais lucrativos da história do cinema independente. Embora o filme tenha tido uma ótima recepção de público e critica, Raimi afirmou não ter ficado satisfeito com o resultado final por causa do orçamento limitado. 5 anos depois ele fez a continuação/remake The Evil Dead II: Dead by Dawn, com um orçamento maior e com efeitos melhores e humor negro, tipico dos filmes de terror dos anos 80, o filme saiu e agradou o público e quem havia gostado do primeiro. Levando os produtores a fazer a parte 3, com um argumento diferente de tudo que havia sido feito, com o herói Ash tendo que enfrentar o mal na idade média. O filme saiu em 1993 e fechou a série, com um filme carregado de humor pastelão e, mais uma vez, caindo na graça do público. 


Com a onda de refilmagens de sucesso, clássicos como O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo, entre outros, ganharam refilmagens e todos faturaram muito em bilheteria. O clássico de 81 não poderia ficar de fora da lista, e assim como Wes Craven fez em nas refilmagens de Quadrilha dos Sádicos e Aniversário Macabro, o próprio diretor Sam Raimi se envolveu na produção da refilmagem, junto com Rob Talbert e Bruce Campbell. Os dois trailers divulgados animaram o público e o filme chegou aos cinemas em primeiro lugar de bilheteria. A pergunta que todo mundo se fazia era: "É melhor que o original?", Nem fodendo!!! Mas sim, é um filme digno do título Evil Dead e uma boa surpresa no meio de tantas refilmagens ruins e desnecessárias. 


O filme dessa vez tem direção do Uruguaio Fede Alvarez, diretor do curta Ataque de Pânico (2009). Alvarez teve liberdade criativa para escrever o roteiro e dirigir o filme, com Sam Raimi como executor das idéias. Diferente do que andava circulando na internet, o filme não é um remake, e sim uma reinvenção da história, com alguns elementos básicos e com várias liberdades criativas. Alguns aspectos permanecem nesse filme, não temos mais o gravador com as passagens do livro, nem o personagem icônico Ash, interpretado por Bruce Campbell, que virou marca registrada da série, de resto tudo continua lá. A cabana, a floresta com arvores vivas, a possuída no porão, o livro dos mortos e a moto-serra, que dessa vez é usada em cena.

A história acompanha 5 jovens formados por David, Eric, Mia, Olivia e Natalie. Mia, irmã de David é viciada em heroína e o grupo decide levar a moça para a antiga cabana, afim de fazer uma desintoxicação. Ao chegarem ao local encontram o porão cheio de animais sacrificados pendurados no teto e um antigo livro, enrolado em um saco plástico, envolto por arrame farpado e com a escrita: Largue esse Livro, Não Leia, Não Diga! . Eric tem a ideia genial de tentar ler as palavras ocultas no livro em voz alta; libertando o mal descrito no livro. Mia é a primeira a ter visões, o grupo acha que tudo faz parte do sintoma de abstinência e é a primeira a ser possuída, depois disso o filme segue com sequências de possessões, mortes e brutalidade, tudo para abrir a passagem para um demônio poderoso tomar a terra.


O grande mérito desse filme é ser diferente do filme de Sam Raimi. A mudança de tom e estilo foi a carta na manga. Afinal se é para fazer igual, melhor não fazer! Os produtores sabiam o quanto o clássico de 81 era único e só usaram o argumento e entregaram um filme diferente, do mesmo jeito que Despertar dos Mortos é diferente de Madrugada dos Mortos. Fede Alvarez prometeu um filme sem CGI, e em partes cumpriu a promessa. Boa parte dos efeitos especiais são praticos, e grande parte bem realista, com destaque para a maquiagem em cenas de violência em que alguém mutila alguma parte do corpo, algo recorrente no filme. Os efeitos em CGI estão presentes sim, mas passam completamente despecebidos e estão bem realistas também. A direção de Fede Alvarez nem de longe é segura como a de Sam Rami no filme original. Os movimentos de câmera e visão subjetiva, que era uma caracterista do filme original ficou de fora.

O roteiro traz algumas sacadas interessantes, mesmo que algumas mal desenvolvidas. Diferente do livro do filme original, aqui o livro dá detalhes sobre as possessões demônicas, com figuras e uma profecia que anuncia o apocalipse e a chegada da besta depois de uma chuva de sangue.

Algo que passou despercebido pela maioria é que o visual do filme é idêntico ao remake de O Massacre da Serra Elétrica, a fotográfica e os tons de cores empregadas na tela, lembram muito o visual. Já tinha notado isso no trailer e notei ainda mais no filme. Até mesmo a cenas que se passam de manhã na floresta parecem ter sido tirados do filme do Marcus Nispel.

Além do visual, é impossível não notar as influências do clássico O Exorcista, que vão desde a maquiagem dos possuídos, até as blasfêmias, com falas do tipo: "Sua Mãe está sendo estuprada no inferno". Se for comparar prefiro os possuídos do original, pulando em cima das vitimas enquanto diziam "Join Us", porém não tem como não destacar que os possuídos desse filme também tem caracteristicas de destaque, como se alto mutilar, rendendo boas cenas como aquela no banheiro em que uma das personagens rasga a boca com um pedaço de vidro quebrado.


Há alguns (poucos) pontos bem fracos nesse filme, a principal é mostrar o demônio encarnado, fora dos corpos; aparecendo com o mesmo visual da pessoa possuída. Logo no começo mostra a personagem Mia, vendo o demônio na floresta como uma visão de si mesma possuída. Algo que já havia sido visto em outras produções. Em alguns momentos os tais demônios parecem fantasmas de filmes de terror japonês, com direito a cabelo na frente do rosto e se arrastando pelo chão. Tem vários furos de roteiro, a principal e mais grosseira é aquele da cabana ser dos pais de David e Mia, e a família nunca ter visto o porão cheio de animais sacrificados e o tal livro dos mortos.

Duas cenas no trailer ficaram de fora da versão final do filme. Aquele cena em que o demônio canta a canção clássica do filme original: "We gonna get you, we gonna get you, not another peep, time to go sleep", e aquela cena que mostra o personagem David cortando alguém com uma moto-serra, jorrando sangue pela cabana. As duas cenas fizeram falta na versão final, é quase certo que saiam em uma versão estendida do filme em DVD e Blu-ray. 


As cenas de violência são espetáculo, temos mutilação, gore, muito gore, sangue aos litros, desmembramento, todas as cenas muito bem realizadas e com efeitos práticos, algo que anda em falta no gênero ultimamente. A cena "Feast on this, motherfucker" já pode entrar pra lista das cenas mais memoráveis do cinema terror.

Como já foi dito antes o filme não se compara ao original, mas merece sim o título Evil Dead e também não o filme não faz jus a tagline " O Filme Mais Apavorante Que Você Verá Nessa Vida". A Morte do Demônio 2013 é um filme que cumpre o que promete, assim como todo filme tem seus defeitos e suas qualidades. De modo nenhum mancha a imagem do clássico ou tira seu mérito. Dois filmes que foram feitos para serem vistos, revistos e apreciados pelos fãs do terror.

Postado por: Marcelo 

8 comentários :

  1. Pelo visto esse filme vai pra minha coleção de Blu-Rays quando lançar.

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  2. Anônimo4/21/2013

    MIL VEZES MELHOR QUE O DE 1981!

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  3. Não sendo um filme da minha época, o original acaba sendo menos impactante para mim. Adorei a releitura, os novos conceitos inseridos e a presença de personagens diferentes. Uma refilmagem quadro-a-quadro não teria muita graça, afinal de contas o que assustava/chocava na década de 80 é bem diferente do que se faz necessário para assustar ou chocar nos dias de hoje. Acho a tagline " O Filme Mais Apavorante Que Você Verá Nessa Vida " demasiadamente pretenciosa, até porque o filme choca mais do que assusta. A publicidade em torno do filme também pecou um tantinho em nos mostrar demais, mas ainda assim é uma ótima adaptação! Barra os massacres, halloweens e afins.

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  4. É isso aí Marcelo...seu texto está impecável...mas ainda acho que, tirando o fator nostalgia e o fato de eu ter crescido vendo o filme de 81, este filme é sim melhor que o original.

    Já virei fã do seu site.

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    1. Opa, valeu mesmo amigo. Gostei muito do seu site também, vou visitar sempre. Valeu ai pelo apoio!

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  5. Amigos, entrei no blog essa semana e gostei muito do conteúdo. Sobre o filme, deixei minha opinião em outro site e gostaria de compartilhar aqui. Segue:


    ABSOLUTAMENTE NADA CONTRA O NOVO FILME. Fui com a cabeça na série que amo, cheio de esperança, adorei o trailer de evil dead (2013), estava contando os dias para enfim assistir o novo filme, minha opinião e que o filme e razoável, tem uma história melhor que o original, sobre os efeitos não vou nem comentar, pois hoje em dia a tecnologia e recursos são outros. A trilha sonora também e legal, os atores não gostei da escolha, mas também não e ruim, a fotografia é muito boa.

    Agora, não tem jeito, fan e um bicho chato, compara mesmo, e eu sou um desses. O que faltou nesse filme? Medo (quem assistiu o filme original sabe o que estou falando. Ahhhh mais hoje não dá mais medo, da sim. Tenho 21 anos, quando tinha 15 anos assisti pela primeira vez o evil dead (original) e nunca senti tanto medo assistindo um filme, depois de anos, o filme envelheceu, mais continua perturbador, apavorante e tudo que tiver de ruim.)


    Sustos? não existe nessa nova versão. Apenas na cena em que a Mia está na floresta e levanta da água. mas isso vai de cada um.

    Trilha sonora? A trilha do filme original e bem melhor, como a maioria dos filmes antigos.

    Maquiagem? a maquiagem do primeiro e bem inferior? sim, com certeza. mas da muito mais medo e assusta bem mais. Nesse novo filme quando eles ficam possuídos, a maquiagem e bem feita, mas não chega assustar. ao contrário do filme antigo, em que a maquiagem e improvisada, mas da muito medo.

    Outra coisa que eu senti falta, são as vozes dos possuídos, no primeiro filme você escuta e senti realmente que e um coisa bem diabólica, nessa nova versão e uma coisa normal, tipo, nada de mais. Fora os ruídos dos demônios no primeiro filme, até isso arrepia. nessa nova versão não tem. Enfim, o filme antigo ganha nos detalhes, e isso que faz um ótimo filme de terror.

    A câmera correndo pela floresta, fazendo aquele barulho assustador, tem no novo filme, mas muito pouco.

    Com certeza irão vir alguns e dizer, mais não podia fazer uma cópia do filme antigo, não e um remake. mas e uma nova versão do filme antigo, com uma história que muda um pouco, alias o filme antigo não tem lá uma grande história, mas o nome do filme e o mesmo (inclusive aqui no brasil) inclusive algumas coisas de evil dead 2 estão nesse novo filme. (como a mão da atriz que ela acaba cortando)

    Um novo filme, em uma nova época, com novos atores, mas como disse acima, o que faz um ótimo filme de terror são detalhes, e isso tem que ser mantido, como algumas coisas foram mantidas e que ficou bom. (como o livro dos mortos, nessa nova versão estava com arrame farpado, e mais chocante que o antigo, isso ficou ótimo.) mas muitos detalhes deixaram de lado.

    Pra quem assistiu os outros ou mesmo que nunca assistiu nenhum filme da serie, recomendo que assista essa nova versão. Como disse acima, sou fan da serie, e com certeza irei assistir novamente ou quando lançar em dvd. E se tive um sequência, e claro que irei na estreia.

    Mas minha opinião final, como fan que sou de Evil Dead, e que essa versão ficou devendo, tudo isso que comentei acima. Para mim, essa versão tem seus méritos, mas não chega nem a 50% do que e o filme original. Enfim, vai da pessoa que está assistindo.


    Só gostaria que esse pessoal que faz novos filmes de terror, seja com uma história nova ou remake, que quando fosse fazer o filme, não pensasse apenas em sangue e violência, claro, isso também faz parte, mas um ótimo filme de terror não e só isso. atores, trilha sonora, sustos e principalmente medo, tem que existir. E isso não acontece hoje em dia. Terror virou filme de tortura.

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  6. Anônimo4/30/2013

    Ola parabéns Marcelo adorei o post e concordo em quase tudo com você respeitou o clássico e saiu um ótimo filme em 2013. Grande abraço do antigo seguidor do blog JOSIAS

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  7. Voltei porquê me esqueci de mencionar uma cena de uma agonia extrema do filme original, qd a irmã de Ash é possuída e crava um lápis no tornozelo de Linda, o trabalho de maquiagem é excepcional!!!! A cena é tão verossímil que parece real, dá uma aflição imensurável, se fosse refeita hoje tenho absoluta certeza que usariam CGI, assim como na cena onde Olivia rasga a bochecha, deixando transparecer a arcada dentária que é muito crível mas sabemos que houve a interferência do CGI. Abraço pra toda equipe o site é show.

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