30 de abril de 2015

Crítica: Eles (2006)


O home invasion já deu o que tinha que dar. Todo ano sai aos montes produções que abordam esse subgênero. Podemos citar, por exemplo, Você é o PróximoQuarto do Pânico, A InvasoraOs Estranhos (que reza a lenda, é um remake de Eles), Violência GratuitaUma Noite de CrimeMischief Night... No entanto, são poucos que conseguem inovar ou pelo menos usar os clichês ao seu favor. Eles é uma mistura dos dois.

Lançado em 2006, um ano antes de Os Estranhos, Eles é um filme francês que se diz baseado em fatos reais. Claro que eu procurei saber se isso era verdade e bom, não achei muito. Apenas algo sobre um casal de austríacos que foram assassinados na República Tcheca. O filme na verdade parece ser mais inspirado em fatos reais do que baseado em um. Sim, há diferença. Se vocês forem inteligentes, irão entender.

Bom, vamos começar a falar do filme. Ele começa com uma mãe e sua filha adolescente na estrada, quando do nada, um homem aparece no meio e faz com que elas batam o carro, tentando desviar dele. Sem nenhum ferimento, a mãe tenta consertar o problema no capô, enquanto a filha fica tentando dar a partida do carro. É quando a mãe desaparece. Achei tensa essa cena, principalmente quando a garota fala Mãe! e escutamos um sussurro atrás do mato: Mãe... Enfim, a menina volta para o carro assustada mas não percebe que há alguém dentro. Aí já sabem né?


Conhecemos então os protagonistas. A professora Clemèntine e seu marido escritor Lucas, ambos franceses, mas que moram na Romênia, em uma grande casa afastada. A vida deles é normal e tranquila. Até uma certa noite em que eles acordam com um barulho. Ao ir checarem, Clemèntine percebe que seu carro não está estacionado no mesmo lugar no qual ela deixou. O carro então é ligado por alguém que quase atropela Lucas e foge do local com o carro. Assustados, eles ligam para a polícia, que não podem fazer nada a uma hora daquelas. É então que a luz acaba na casa inteira e eles se veem cercados por pessoas do lado de fora; pessoas essas que não demoram muito para invadir a casa. Não vou contar mais nada por que a partir daí é spoiler.

Primeiramente, o filme é tenso. Mas é tenso pra caralho. E olha que não tem nem trilha sonora - ponto que vou discutir mais afrente. Ele lentamente cria aquela atmosfera de insegurança que só fica mais pesada. Tem algumas cenas que te deixam bem aflitos, como a cena em que Lucas sai para verificar se os invasores haviam ido embora ou a cena em que Clemèntine vai ao sótão. Essa última para mim é a melhor do filme, depois da abertura.

Os personagens principais não são bem desenvolvidos, portanto não ficamos próximos deles o bastante para simpatizar, etc. Claro que há cenas em que torcemos para que eles consigam, como o final, mas ainda assim. O filme é curto (1h19min), portanto poderiam ter colocado uns 10 minutos a mais, desenvolvendo os personagens. No entanto, dá a impressão de que esse distanciamento de nós com os personagens foi proposital. Falando no final, ele é o mais pessimista e realista o possível. Gostei dele pois foge do normal em filmes desse tema.

Os sustos são previsíveis mas ineficazes, pois não há trilha sonora. Tudo bem, muitas vezes reclamamos do excesso de sonoplastia em filmes de terror, pois dá para prever os sustos por ela. Mas nesse filme, eles tentaram dar um visual cru e tiraram a trilha sonora. Por exemplo, a cena do sótão, quando o encapuzado aparece atrás de Clemèntine: tudo bem, deu uma aflição. Mas quando há a luta dos dois e ele cai, fica aquela coisa sem graça, sem emoção.

O filme é bom. Apesar de algumas falhas, é uma ótima experiência para se marcar como "Já vi" no Filmow. Fui esperando muito dele e, apesar de algumas coisas não supridas, ele se destacou em maior parte.

Nota: 6,5

por Neto Ribeiro



Description: Rating: 3.5 out of 5

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