28 de abril de 2015

Crítica: O Chamado (2002)

Atenção: Esse post contém spoilers sobre o filme.
Aqui estou eu fazendo a crítica de um dos meus filmes favoritos. Não tem como negar que O Chamado já virou clássico. O filme fez um tremendo sucesso na época do lançamento e fez ainda mais por protagonizar diversas paródias, além de originar vários novos remakes em Hollywood. Fiz recentemente a crítica do filme que originou O Chamado, ele é chamado de Ringu. Como estou de férias por um mês, resolvi rever vários filmes. Com o novo Chamado vindo por aí, escolhi rever os dois primeiros para fazer a crítica para vocês.

Com uma das melhores sequências de abertura que já vi, O Chamado começa com duas jovens – Katie (Amber Tamblyn, O Grito 2) e Becca (Rachael Bella, Drive Thru) -, sozinhas em casa, sem merda nenhuma para fazer e conversando merda para passar o tempo. A última então conta a história de uma misteriosa fita de vídeo aparentemente amaldiçoada. Quem a assiste recebe uma ligação bizarra e sete dias depois morre. Katie então a fala que assistiu a fita exatamente uma semana atrás com alguns amigos. Após uma ligação de sua mãe, Katie volta para o quarto, onde encontra a televisão ligada com a imagem de um poço. Katie então morre estranhamente.


Conhecemos então a protagonista Rachel Keller (Naomi Watts, O Impossível), uma jornalista que vive apenas com seu filho Aiden (David Dorfman, O Massacre da Serra Elétrica). Vemos então que Rachel era tia de Katie, e durante o velório da sobrinha, sua irmã a pede para que investigue a morte da filha – já que não é normal uma jovem de 16 anos morrer do jeito que ela morreu. Rachel descobre conversando com amigos da sobrinha que mais três jovens morreram exatamente na mesma hora que Rachel – e esses jovens haviam assistido a fita junto com Katie no fim de semana passado, numa pousada isolada. 

Rachel então encontra fotos de Katie e seus amigos que morreram na pousada. Estranhamente, na foto, seus rostos estavam distorcidos. Curiosa, ela visita a mesma cabana que eles ficaram. É onde acha a tal fita, a qual assiste. Logo após o fim da exibição, o telefone toca onde uma voz sussurra “Sete dias”. No outro dia, Rachel encontra seu ex-namorado e pai de Aiden, Noah (Martin Henderson, Sem Evidências) para pedir ajuda com o vídeo. O mesmo pede para que Rachel faça uma cópia para ele.

Após presenciar situações assustadoras, Rachel procura investigar mais afundo a história da fita e acha um rancho de cavalos que era comandado por um casal, Anna e Richard Morgan, e sua filha, Samara. Os cavalos do rancho se afogaram sozinhos causando depressão e suicídio em Anna. Quando Aiden assiste a fita acidentalmente, Rachel tenta a todo custo descobrir como parar a maldição a tempo de salvar a si mesma e ao seu filho. Para isso, ela vai atrás de Richard – que mostra uma antipatia ao tocar no assunto de sua filha. Investigando, Rachel descobre que Samara foi adotada pelo fato de Anna ser estéril. Samara provocava visões e coisas estranhas quando estava próxima, fazendo com que seus pais a mandassem para uma instituição mental. 

Invadindo sorrateiramente a casa de Richard, Rachel descobre um vídeo com Samara internada. Richard então a confronta e depois se suicida na frente dela. Noah então chega e os dois seguem para o celeiro da fazenda, onde descobrem que os Morgan faziam Samara dormir lá. Seguindo pistas, os dois acabam voltando para a pousada onde Katie e os amigos ficaram. Lá, descobrem um poço, abaixo do piso. Quando Rachel cai acidentalmente lá, ela descobre o esqueleto de Samara no fundo do poço e tendo uma visão sobre o que realmente aconteceu com ela. 

Pensando que a maldição de Samara havia acabado por seu corpo ter sido descoberto, Rachel vai para casa, onde é abordada por Aiden que a avisa que nunca acabará, pois Samara era diabólica e nunca iria descansar. Se dando conta de que Noah seria o próximo, ela vai para o apartamento dele, descobrindo seu cadáver. Ela então percebe que ela não morreu por que ela mostrou a fita para outra pessoa, no caso Noah. Para impedir a morte de Aiden, ela faz com que ele faça uma cópia.


Acho que o mais importante desse filme é o clima construído nele. Devido à vários elementos trabalhados nele, o filme deixa sempre aquela sensação desconfortável, e é por isso que ele é tão eficaz. Vocês já assistiram aquele filme, Irreversível, em que o diretor colocou sons com frequência desafinada para causar desconforto no público? O Chamado usa uma técnica parecida, em que toca um arrepiante som reproduzido na fita. Além disso, a ótima fotografia do filme nos faz realmente adentrar naquele universo. Ela usa tons de cores azuladas e cinzentas, passando um clima invernal que combina com o filme e acaba sendo mais uma boa adesão à ele.

O talentoso diretor Gore Verbinski (que após O Chamado, dirigiu os três primeiros filmes da franquia Piratas do Caribe) também traz muito de sua visão para o filme. Há várias cenas visualmente belas - e macabras - no filme. Um exemplo é a cena em que Rachel está numa balsa, indo para a ilha dos Morgan, quando um cavalo (que estava sendo transportado) sente a presença de Samara nela, já que Rachel já estava amaldiçoada, e consegue se soltar, caindo na água. E então, ao passar pela hélice do barco, seu sangue se mistura à água.

Naomi Watts está excelente como a psicologicamente torturada Rachel. Sua atuação é incrível, dá para ver o quão perdida a personagem está, como se estivesse lutando de mãos atadas (entendem?). O Martin Henderson faz o já batido amigo da principal que a ajuda e sempre morre no final. Nada demais. David Dorffman incorpora o Haley Joel Osment, de uma forma bizarra. Ô menino estranho! "Rachel, ela nunca dorme."

E caso vocês não saibam, provavelmente não, o ator Chris Cooper (Beleza AmericanaCapote) fez parte do filme. Na verdade, suas duas únicas cenas eram a primeira e a última do filme. Infelizmente, os produtores cortaram após as exibições de teste do filme, pois o público queria que ele aparecesse mais - apesar de sua participação no filme ser ótima. Seu personagem era um estuprador de crianças preso que tentava convencer Rachel de que ele havia aceitado Deus e que agora era uma ótima pessoa - claro que para tentar diminuir a pena. O filme terminaria com Rachel fazendo uma visita na prisão para entregar a cópia de Aidan para ele. Interessante, não? Eu gostaria muito de ver essa cena.


E bom, antes de terminar a crítica, venho deixar uma curiosidade aqui para vocês. É que o Ringu japonês é baseado em um livro japonês! Esse livro não se encontra disponível aqui no Brasil (what a surprise, right?). E não é só um livro, são quatro no total - e a história deles são bem interessantes. São eles: The RingSpiralLoop e The Birthday, respectivamente.

Por fim, há diferenças suficientes entre esse remake e o Ringu pra que eles dividam as opiniões do público. Apesar do filme original ter um clima bem desconfortável - como comentei na crítica dele -, esse remake é bem mais incorporado. Acho que a adaptação que a história teve para o ocidente faz com que nos relacionemos com ela mais profundamente. Há alguns aspectos na versão original que simplesmente não dá para engolir. É por essas e por outras que eu prefiro o remake.

Vou deixar aqui embaixo a versão estendida da fita, com quase um minuto a mais de cenas bizarras. Para quem não assistiu, assistam. Até a próxima!
por Neto Ribeiro

Título Original: The Ring
Ano: 2002
Duração: 115 minutos
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco: Naomi Watts, Martin Henderson, Brian Cox, David Dorffman

Description: Rating: 4.5 out of 5

Postar um comentário