6 de maio de 2015

Crítica: A Espinha do Diabo (2001)


Quem conhece Guillermo Del Toro, sabe como seus filmes são. Histórias profundas e bem construídas, ótimo elenco e uma direção incrível. Talvez ele venha se perdendo na ficção científica atualmente, mas seus filmes de terror e suspense são sempre incríveis. Esses dias, eu estava assistindo alguns de seus filmes e revendo outros. Entre eles, estava A Espinha do Diabo, terceiro longa do diretor. Nunca havia assistido ele mas recebia boas críticas. Muitos podem considerá-lo como um rascunho de O Labirinto do Fauno. Se você olhar perto, pode ver as semelhanças que a história tem. Mas sem dúvidas, A Espinha do Diabo é um filme singelo e filosófico que todos os fãs do Labirinto irão gostar.

A tagline do filme pergunta "O que é um fantasma?". Vou responder exatamente como um dos personagens do filme responde: O que é um fantasma? Uma tragédia condenada a se repetir eternamente? Um momento de dor, talvez. Algo morto que parece ainda viver. Uma emoção parada no tempo. Como uma fotografia borrada. Como um inseto preso em âmbar?

É com essa frase que o filme começa. Ele conta a história de um garoto, Carlos, que é deixado num orfanato durante a Guerra Civil da Espanha, nos anos 30. Esse orfanato cuida de filhos dos combatentes até o fim da guerra e é isolado da cidade (demora um dia de caminhada se você for a pé). Enquanto Carlos se acomoda no lugar, fazendo amizades, outro garoto Jaime, que age como o "líder" dos garotos começa a ter ciúmes dele, sempre aprontando uma para encrencar Carlos.  O lugar é comandado por Carmem, uma mulher que usa uma prótese em uma das pernas, e Casares, um professor de ciências bem inteligente que age como médico no orfanato.

Há também dois jovens, Jacinto e Conchita, que trabalham no lugar e acabam se envolvendo em um quadrilátero amoroso, junto com os dois líderes do orfanato. Jacinto e Conchita são quase noivos, mas Jacinto dorme com Carmem pois sabe que em algum lugar do orfanato ela esconde barras de ouro.  Mas Casares é apaixonado por Carmem e faria de tudo para protegê-la...

Com essa história de drama toda montada, Carlos começa a ser assombrado por um garoto morto, que sempre aparece para ele dizendo que todos irão morrer. Esse garoto na verdade é Santi, um ex-órfão do lugar que foi assassinado (mas claro, ninguém sabe disso além de nós). Temos uma cena inicial no filme que mostra Jaime e o corpo do garoto, dando a entender que foi ele quem o matou ou algo parecido.

Agora, antes de tudo, vou avisar que o filme é um drama/terror. Tem seus momentos de suspense mas no final, dá a impressão de que ele é um drama. Apesar de tudo, o filme é um ótimo filme, muito mas muito bem dirigido por Guillermo Del Toro. Todos nós sabemos que ele é um dos melhores diretores atuais e seus filmes são sempre bons, não importa qual gênero.

A Espinha do Diabo é mais um deles. Tem uma história rica em detalhes e muito bem escrita, sempre alternando os dois núcleos, o adulto e o juvenil. Quem assistiu O Labirinto do Fauno, sabe que ao mesmo tempo em que vemos os conflitos da Guerra, vemos o mundo fantasioso que é descoberto por Ofélia. Aqui tempos isso também, tudo balanceadamente explicado. Ele mostra uma história de fantasma que podemos chamar de bela, pois aqui Del Toro não usa o fantasma como ferramenta de sustos mas sim como parte da história. É tudo bem interessante de ver, tanto que no final ficamos com um ar de satisfação.


Os efeitos do fantasma também são ótimos. Há por exemplo, no ferimento da cabeça dele, em que vemos como se fosse uma fumaça vermelha saindo dele. Mas na verdade, é o sangue que sai dele e como o corpo está debaixo d'água, fica aquele efeito esfumaçado. Uma jogada bem inteligente. Tudo é bem orquestrado e ao final vemos um filme belíssimo que apesar de não ser 100% dedicado ao terror, consegue ser um ótimo filme.

Nota: 8

por Neto Ribeiro

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