30 de julho de 2015

Crítica: Boa Noite, Mamãe (2014)


O cinema europeu vem sendo há algum tempo uma ótima alternativa de escape para nós, fãs de filmes de terror, que tem que aturar produções meia-boca que sai todos os dias de Hollywood. Quando não é um blockbuster moderado para a família, é um filme exagerado com roteiro inútil. É por isso que temos tanto amor por filmes que vem da Europa - quase sempre são filmes inteligentes, com uma direção majestosa, atuações incríveis e até reviravoltas muito bem feitas em seus finais em alguns casos.

O mais recente exemplo que caiu no meu gosto é Ich Seh Ich Seh, que saiu nos EUA como Goodnight Mommy, mas que é da Áustria. O filme tem um desenvolvimento lento mas que não deixa a pessoa entediada, é apenas construtivo, e fica interessante acompanhar a história dos irmãos gêmeos Lukas e Elias (interpretados pelos irmãos gêmeos Lukas e Elias Schwarz, huehuehue).

Eles vivem numa casa muito bonita isolada no campo e estão esperando pela mãe deles. Quando ela volta, está com o rosto envolto por com a cabeça envolta em ataduras após uma cirurgia plástica, nada é como era antes. Severa e distante, ela fecha a família para o mundo exterior. Começando a duvidar que esta mulher é realmente sua mãe, os meninos estão determinados a encontrar a verdade de qualquer maneira.


Acho que o que fez o filme ficar mais eficaz com quem o assiste é por que ele impõe a dúvida da desconfiança nos personagens. Em momento algum, eu soube por 100% certeza em que lado confiar: nos meninos ou na mãe. E isso faz com que o final seja mais impactante.

E essa desconfiança me faz lembrar do Invasion of the Body Snatchers, pode considerar os vários remakes (até Invasores, que particularmente eu gosto muito). Não sabemos se tal personagem é ele mesmo ou não e o roteiro cria esse clima de mistério que nos deixa desconfortável e apreensivo ao mesmo tempo.


Além disso, o mistério está em quase todos os detalhes do filme. Pra começar, uma coisa que eu percebi e que muitos perceberam também é nos quadros que estão espalhados pela casa. Os quadros são fotos com uma mulher que aparenta ser a mãe dos garotos. No entanto, todos eles são desfocados, borrados, sem mostrar claramente quem é. Seria esse detalhe um reflexo da personagem no filme? Se sim, muito bem pensado do diretor.


Outra coisa que não fica bem explicado é quem era a mãe deles. Sei que no final não importa muito mas fiquei com essa pulga atrás da orelha. Há uma cena em que ela e os garotos estão brincando de um jogo de adivinhações. E os garotos dão pistas de que a mãe é uma apresentadora de TV famosa - isso explicaria a casa grande.




Goodnight Mommy também tem um visual impecável e o trio de atores, a Suzanne Wuest - que faz a mãe - e os irmãos Schwarz são ótimos em suas atuações, sustentando o filme inteiro com essas três atuações. Os dois principalmente estão incríveis - a atuação deles deixa meio imperceptível de descobrir o final antes do esperado. Mas se você for esperto, poderá pegar as dicas que o roteiro dá.

por Neto Ribeiro


4 comentários :

  1. cara, vou ter que discordar...achei o filme muito arrastado, e o plot twist tava muito manjando, ela nunca fala com o outro, sendo que ninguem fala com ele....ainda mais no inicio quando ela bate no elias já dá pra sacar

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    1. Amigo, mas as pistas eram justamente pra gente logo concluir as coisas. Não é um filme de suspense. É um filme de sensações, desconfianças e nada tem interpretação fechada. Pra gostar do filme, tem que entender que o enredo não se preocupa se vamos concluir de cara a trama. É um filme subjetivo.

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  2. Achei lento porém, não da pra sacar e cara o enredo do filme e de razoavel pra bom

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  3. A piori, o aviso que tenho a quem ainda não viu o filme é não o comparar aos filmes americanos dos últimos tempos. O ritmo é lento e a falta de trilha sonora e de sustos dos filmes usuais o tornam mais contemplativo. Gostei muito do roteiro e especialmente das dúvidas que os diretores deixam no ar, a exemplo da suposta mãe, deixo apenas a crítica sobre o "segredo" dos gêmeos, que se pode perceber facilmente pelos poucos diálogos, mas que não interfere no resultado do filme, que nos faz mudar "de lado" várias vezes no seu decorrer. A nota do site pra mim está perfeita.

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