23 de agosto de 2015

Crítica: Ligação Perdida (2003)


Na época em que as histórias de terror asiáticas estavam em alta, quando Ringu foi adaptado para O Chamado e Ju-On estava sendo adaptado para O Grito, entre outros projetos, Takashi Miike, grande nome do horror asiático resolveu fazer sua própria ghost story. Os filmes de Miike são sempre bem realistas, bizarros e cruéis, e vocês podem reconhecer os trabalhos dele como Audition, Ichi: The Killer, Visitor Q, Gozuportanto foi uma surpresa ver o diretor mergulhar num projeto tão comercial (o filme foi o que mais faturou na carreira de Miike).


Chakushin Ari, ou One Missed Call, ou Ligação Perdida, não teve tanto impacto quanto os dois antes citados, mas ainda assim é um ótimo filme, que infelizmente veio a ser mais conhecido pelo ridículo remake de mesmo nome lançado em 2008. Sei que algumas pessoas gostam, mas eu odeio ele, principalmente após de assistir o original.



E para você ver como uma boa direção pode mudar as coisas um filme inteiro: não há muita diferença entre as duas histórias. Só que ainda assim, o original é assustador por pequenos elementos. E posso afirmar que esse é um filme assustador.




Tudo começa quando Yoko morre. A polícia diz que foi suicídio, mas sua amiga Yumi não acredita nisso, pois estava falando com Yoko pelo telefone na hora da morte. No entanto, dois dias antes de morrer, Yoko recebeu uma chamada estranha dela mesma repetindo as mesmas palavras que diria antes de morrer, dois dias depois.


Após a morte de Yoko, outros amigos de Yumi vão recebendo mensagens do mesmo estilo, para morrer logo em seguida. Com a corrente passando, Yumi se junta com Hiroshi, um detetive cuja irmã morreu nas mesmas circunstâncias, para investigar o mistério e tentar parar antes que Yumi e outras pessoas morram.


Tenho que dizer que o filme é longo (quase duas horas), mas achei que isso é devido à aprofundação da história e do suspense durante a construção do longa. Temos cenas longas (e algumas admito que são desnecessárias), mas gostei bastante de como o filme se desenvolve. Nada como a correria do remake, tudo bem em seu lugar.




A fantasma me fez gelar a espinha. Apesar dela ser como quase todas outras fantasmas de um filme de terror asiático, o jeito que Takashi a colocou no filme é assustador, sério. É algo sutil no filme, mas que consegue assustar mais do que quaisquer outros filmes de hoje em dia que use a fórmula.


O que me pegou de surpresa foi a violência do filme. "Ah, mais o Takashi Miike que tá dirigindo". Sim, sei, mas é por que, como o filme foi uma nova tentativa em um outro subgênero do terror, era de se esperar mortes "modestas". Mas não, tem muita violência, o que leva à um dos pontos altos do filme: a cena do exorcismo em rede nacional. No remake teve ele, mas acreditem, vocês não vão querer perder essa cena original. É trocentas vezes melhor! Vocês deviam assistir só por ela!


Por fim, só digo que vocês deveriam colocar esse filme na sua lista de "Tenho Que Ver o Mais Rápido Possível".


Nota: 8


por Neto Ribeiro




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