26 de setembro de 2015

Crítica: A Visita (2015)


Essa crítica não contém spoilers.

Chega a ser interessante ver a queda de qualidade dos filmes de M. Night Shyamalan para cá. Há quinze anos, Shyamalan era o queridinho de Hollywood, uma vez que tinha conquistado todos com seu filme O Sexto Sentido (1999). Aos poucos, com seus filmes, Shyamalan foi criando sua marca na indústria cinematográfica, pois seus filmes sempre tinham algo em comum: uma reviravolta no final que pegavam todos de surpresa.

Infelizmente, tal fórmula foi perdendo força quando Shyamalan começou a exagerar em tais reviravoltas. Veja só os filmes Fim dos Tempos (2008) e A Dama na Água (2006), e nem queria dar um golpe baixo mencionando Depois da Terra (2013) e O Último Mestre do Ar (2010). Então, os filmes começaram a fracassar e a carreira de Shyamalan foi virando um desastre. Claro que o diretor ainda tem os seus fãs, mas depois de tantos filmes ruins, ficou difícil confiar no senso do diretor.


Até que nesse ano, uma minissérie criada por Shyamalan baseada em uma trilogia de livros estreou: Wayward Pines. Caindo no gosto do público, a série marcou o retorno de Shyamalan. Eu já vi a série, que tem apenas uma temporada de 10 episódios e é ótima, recomendo muito. Mas voltando ao assunto... Shyamalan tinha um filme em produção, intitulado A Visita. Tudo estava então 50/50. O filme tinha tudo para dar merda ou ser um retorno definitivo do diretor.

Eu até fiquei surpreso quando vi que o filme teve 60% de aprovação no Rotten Tomatoes. Fiquei logo ansioso para ver se o filme seria bom, até por que eu não estava na ansioso pelo filme, por três motivos:
  • M. Night Shyamalan dirigiria ele;
  • O filme seria found-footage.
  • É produzido pela Blumhouse, produtora que vem produzindo grandes bombas de filmes de terror ultimamente.
No entanto, era exatamente esse último motivo que me intrigava. Quando a Blumhouse acerta, ela acerta mesmo. Há poucos filmes muito bons da produtora como Sobrenatural (2011), A Entidade (2012) e Creep (2014). Portanto, havia uma pequena chance do filme ser bom. Agora pude conferir o filme e aqui abaixo está a crítica do filme.


Temos dois jovens como protagonistas: a adolescente Becca (Olivia DeLonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxenbould). A mãe deles, Paula (Kathryn Hahn) recebeu uma ligação de seus pais, os avós dos garotos, após muitos anos sem falar com eles, após uma grande briga que tiveram antes dela ter os filhos. Os dois alegaram que queriam conhecer os garotos, portanto Paula os manda para a casa dos avós, para passarem uma semana.

Becca é aspirante a cineasta e resolve fazer um tipo de documentário, entrevistando a mãe, os avós, etc. A garota segura a parte dramática do filme. Já Tyler é aspirante a rapper e o personagem serve como alivio cômico no filme, protagonizando algumas cenas bem engraçadas. Já o suspense é sustentado pelos avós, interpretados pelos atores Deanna Dunagan e Peter McRobbie. E o filme tem um ótimo suspense, principalmente cumprido por Dunagan, que interpreta a avó.

Os avós estabelecem uma regra para os garotos. Uma delas e a principal é não sair do quarto após as 21:30. Em algumas cenas do filme, vemos os personagens saírem do quarto e presenciar cenas bem estranhas com os avós. Desde o início, sabemos que há algo de errado com os avós mas ficamos pensando o que seria. Seria algo sobrenatural?

Cena bizarra pra caraio.
Acho que o maior erro do roteiro de A Visita está na miscigenação de gêneros. O filme é uma mistura de suspense, drama e comédia. Senti em várias cenas que o filme poderia ter sido um grande suspense se focasse apenas no suspense e apesar de ter gostado do resultado final do filme, ele poderia ter sido melhor.

O filme pode não chegar no patamar do ótimo suspense O Sexto Sentido, na época em Shyamalan era afiado no tema, mas depois de tantos filmes ruins dele, é bom ver um mediano, sabe? Claro que a ambientação é a mesma usada em filmes de hoje dia, estilo found-footage e alguns jump-scares e nem de longe se compara aos roteiros inteligentes do diretor há mais de uma década, mas acho que esse filme dará a confiança necessária para Shyamalan retornar com tudo em breve.

As atuações estão excelentes, principalmente dos atores que interpretam as crianças. Mas quem realmente chama atenção é Deanna Dunagan, que interpreta a avó. A atriz protagoniza as cenas mais estranhas do filme, principalmente numa cena em que sua personagem está pelada. Ainda não sei se usaram uma dublê de corpo para a cena (provavelmente foi isso mesmo).


Há uma reviravolta no final? Sim, há. Mas dá para perceber que Shyamalan pegou leve no filme, o que achei uma boa escolha dele. Depois de mais de 5 filmes ruins, o diretor precisava de um retorno que pelo menos preparasse o terreno para seus outros filmes bons. Por isso ele deixou A Visita um filme menos mirabolante. Quanto à reviravolta, pode ser adivinhada (eu já me toquei lá pros 30 minutos), mas pode pegar alguns de surpresa.

Confesso que esperava um péssimo filme foi mas foi bom. Shyamalan tentou fazer um filme mais leve do que os seus outros suspenses e acabou dando certo como um recomeço na carreira dele. O filme é um ótimo suspense, tem cenas muito tensas e que você se assusta (mesmo sabendo que vai se assustar), mas ao mesmo tempo tem um alívio cômico do Ed Oxenbould (que já tá virando um dos atores mais promissores dos próximos anos).
por Neto Ribeiro

Título Original: The Visit
Ano: 2015
Duração: 94 minutos
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Olivia DeLonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie, Kathryn Hahn

Description: Rating: 3 out of 5

2 comentários :

  1. Sinceramente a unica coisa que presta no filme são os garotos...a historia é muito boa mas a forma como foi desenvolvida é de deixar o telespectador de cabelo em pé de tão ruim...uma pena..desperdicio de historia!

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  2. Anônimo12/09/2015

    Esse filme tem algo de sobrenatural?

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