17 de outubro de 2015

Crítica: Canibais (2013) [2]


De boas intenções, o inferno está cheio.

Confira nossa primeira crítica aqui, feita direto da primeira exibição do filme, em 2013, no Festival do Rio.

The Green Inferno já pode ser listado como um dos filmes mais antecipados de todos os tempos. Foram quase 3 anos de muita expectativa, para que os fãs pudessem finalmente conferir a "obra" de retorno do famigerado Eli Roth, que havia passado muito tempo fora da cadeira de diretor, desde que O Albergue - Parte 2 foi lançado em 2007. Grande parte dessa expectativa se dá à revisitação do subgênero que ficou mundialmente conhecido após 1980, quando o controverso Cannibal Holocaust foi apresentado ao mundo. Particularmente, não gosto do filme, mas dá para ver várias referências em The Green Inferno.

Após muito lenga-lenga em torno da distribuição do filme, que deveria ser lançado em Setembro de 2014, mas foi adiado um ano, o filme quase que se tornou uma lenda entre os fãs de filmes de terror. Alguns sortudos tiveram sorte de conferir o filme durante uma exibição exclusiva feita no Rio de Janeiro em 2013. Tais fãs afirmaram que o filme não era nada demais, decepcionante até, mas nada quebrou a ansiedade daqueles que aguardavam o filme.


Roth prometia tudo que O Albergue, o filme que definitivamente o levou à fama, trazia, misturado com elementos do cinema italiano dos anos 80, canibais, polêmicas, etc. Mas no final das contas, valeu a pena esperar ansiosamente 2 anos e pouco para ver tal filme? De certa forma, sim. Mas já é visível que Roth perdeu a mão na direção após tantos anos sem dirigir nada.

Trazendo sua esposa Lorenza Izzo como protagonista do filme, The Green Inferno (título tirado diretamente de Cannibal Holocaust) mostra um grupo de ativistas universitários liderados por Alejandro (Ariel Levy), que tem em seus planos parar uma empresa ligada à milícia no Peru, que quer desmatar uma grande área da Amazônia, tirando o lar de uma tribo de índios. Justine (Izzo) é caloura e filha de um advogado da ONU, e se junta à tal expedição.

Chegando lá, eles conseguem o feito e quando estão voltando para a casa, o avião deles cai no meio da selva. Não demora muito para que eles sejam feitos reféns por uma tribo local (a mesma que eles queriam proteger), que os levam para sua aldeia. A tribo logo se revela canibal, quando começa a matar um por um.

Infelizmente, The Green Inferno peca exatamente por tentar trazer uma crítica social, assim como Cannibal Holocaust trouxe. O roteiro escrito por Roth e Guillermo Amoedo anda bem nesse quesito até certo ponto, mas a partir do momento em que eles são levados para a aldeia, dá a parecer que eles não souberam conciliar o gore com a crítica, e a mesma fica sem fundamento.


O desfecho deixa a sensação que ele tentou fazer um final menos democrático, mas não construiu uma história decente para que levasse a tal final. Com locações tão ricas, cenas de perseguições poderiam ter sido bem orquestradas, aumentando o dinamismo do filme, mas toda a vez que surgia uma oportunidade, o filme simplesmente cortava para o fundo preto e a história voltava à aldeia.

Uma vez que Roth não contava com uma empresa grande como a Sony para ajudar no filme, dá para ver os efeitos que pouco orçamento pode causar no filme. Não há uma fotografia boa, as cenas são bem limitadas e como falamos na outra critica, a pós-produção é desleixada, deixando o filme com um ar de inacabado, uma versão workprint.

Lorenza Izzo é a única atriz que interpreta competentemente, visto que a mesma é a protagonista. As outras atuações são completamente dispensáveis, o que nos leva a se perguntar daonde Roth tirou aqueles atores.


O curioso é que, quando o filme lançou, eu não aguentei e vi um resumo sobre ele e gostei do que li. Mas quando vi tudo aquilo em prática no filme, simplesmente não gostei mais. É uma questão de produção mesmo. Roth perdeu um pouco a mão em seus filmes, visto ele e o péssimo Knock Knock. No final das contas, a impressão que dá é que ele poderia ter feito mais com o filme, sabe? De certa forma, ele é divertido. Um daqueles filmes pra ver sem compromisso, pra rir das cenas meio absurdas e sentir um pouco de nojo em outras. Mas infelizmente, nada demais. Claro, The Green Inferno vai ser um daqueles filmes que vai dividir opiniões, mas não superou minhas expectativas.

Ps: Assista os créditos, há uma cena entre eles.

por Neto Ribeiro



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