12 de outubro de 2015

Crítica: Bata Antes de Entrar (2015)


Sem lançar um filme dirigido por ele mesmo desde 2007, quando O Albergue – Parte 2 foi lançado, Eli Roth teve 2015 como seu ano de ouro, por assim dizer. Tendo o atrasado The Green Inferno finalmente lançado (filme que vinha sofrendo adiamentos desde 2014), o diretor também tinha o inédito Knock Knock, que ganhou o nome escroto por aqui de Bata Antes de Entrar, seu primeiro suspense da carreira. Ou seja, dois filmes lançados no mesmo ano.

É importante até falar que Roth não é um diretor que agrada a todos, tendo muitos “haters” em sua cola. Particularmente eu sou fã de Roth e gosto de todos os seus filmes. Agora imaginem aí, eu como fã, tendo a primeira decepção ao assistir Knock Knock. Vale lembrar que Roth nunca tinha se aventurado no gênero suspense - pois seus filmes sempre foram de terror, cheios de gore, violência e humor negro. Claro, não acho que isso seja uma desculpa.

Estrelado por Keanu Reeves (que já está sendo chamado de “O Novo Nicolas Cage”, referenciando a decadência da carreira), o filme é um remake descarado de um filme de 1976, chamado Death Game. Claro, Roth não admite isso, mas é verdade. Interessantemente, o outro filme de Roth que lançou agora, The Green Inferno, também é um tipo de remake de Cannibal Holocaust, de 1980, mas Roth chama apenas de homenagem.


O filme começa mostrando a vida do personagem de Keanu, Evan. O cara é um arquiteto casado com uma artista plástica e tem dois filhos com ela. É o Dia dos Pais, e dá pra ver o quão perfeita é a vida do cara. Por causa do trabalho, Evan tem que ficar o final de semana em casa enquanto a esposa e os filhos viajam pra uma casa de praia.

Na primeira noite, cai uma tempestade e duas jovens batem em sua porta, perdidas. As duas são Genesis (interpretada pela esposa de Roth, Lorenza Izzo, que também fez Aftershock e The Green Inferno) e Bel (Ana De Armas). A intenção das duas desde início é clara: seduzir o cara. Após muita conversa mole (e tentativas falhas de Keanu afastar as duas), os três acabam transando.

No outro dia, as garotas mostram relutância em sair da casa, agindo infantilmente. Quando ele começa a ficar nervoso, Genesis logo o ameaça, dizendo que as duas são menores de idade e que ele é um pedófilo. As duas acabam indo embora, eventualmente, mas não demora muito até elas retornarem, levando a situação à um patamar mais violento. Evan logo vira refém das duas, que começam um jogo perigoso com ele.

Esther?
Levando em conta os outros filmes dirigidos por Roth (que são poucos: Cabana do Inferno, O Albergue, O Albergue - Parte 2, The Green Inferno e Knock Knock), posso dizer que esse é o mais fraco de todos. Simplesmente não parece um filme dirigido por ele, sabe? Não tem nenhuma personalidade do diretor e o filme é incrivelmente fraco em termos de história e desenvolvimento.

O que começa como um filme à-lá Supercine, logo se transforma em uma comédia estranha que não sabe em que gênero se mantém. Dividindo o filme em três atos, somente o primeiro se destaca. A partir do segundo, que no caso seria quando as duas voltam, o filme fica incrivelmente cansativo, sem um pingo de tensão.

Uma vez que o trio principal (Reeves, Izzo e De Armas) é basicamente os únicos atores a considerar no filme, pois os outros tem pouquíssimas cenas, posso afirmar que apenas Lorenza se destaca. Sempre gostei da atuação dela e aqui ela não decepciona como Genesis, entregando a melhor atuação do filme. Keanu Reeves está digno de um Framboesa de Ouro, arrancando até risadas pela atuação caricata. Na boa mesmo! Na cena em que as garotas enterram ele, eu cheguei a gargalhar!

Posso afirmar que dos 100 minutos de filme, 20 poderiam ter sido facilmente deixados no chão da sala de edição. Tem muitas cenas no filme que são inúteis e só servem pra cansar o espectador; principalmente no terceiro ato. Tem até uma cena que achei que foi mal aproveitada e que se tivesse sido melhor trabalhada, teria dado um ótimo final pra o filme: a cena do esconde-esconde. Eu até pensei que ela seria maior e finalmente o filme ganharia um pouco de suspense, mas de repente ela se resolve e o filme volta ao lenga-lenga de antes.

O filme é decepcionante em vários aspectos, principalmente na direção. É o pior filme de Roth. Talvez num futuro próximo, ele se aventure em outro suspense e espero muito que se saia muito melhor que o vazio Knock Knock. Até por que, vamos admitir, Eli Roth sabe muito bem como conduzir um filme de terror cheio de gore e piadas de mal-gosto. Esse é o primeiro filme em que ele não introduz tais elementos. Então, vamos apenas esquecer esse filme e bola pra frente, por que é melhor assim.

ATUALIZAÇÃO 04/12/15: Com o lançamento do Blu-Ray americano do filme, foi divulgado um final alternativo, onde Evan consegue achar as garotas fazendo outra vítima. Confira aqui.

por Neto Ribeiro


  

3 comentários :

  1. Eu estava realmente ansioso por esse filme, mas não sei se depois dessa crítica vale a pena gastar uma inteira de cinema pra ver.... Tendo em vista a enorme decepção de filmes de terror q venho assistindo nos cinemas

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    1. Não perca seu tempo. É tosco demais.

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  2. O filme só é horroroso de ruim.
    Só.

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