6 de novembro de 2015

Crítica: Sexta-Feira 13 (1980)


Olá pessoal, andei muito sumido esses tempos por causa do trabalho e ao mesmo tempo por falta de inspiração. Eu estou aqui com uma baita ansiedade que o ambiente de Halloween me proporcionou, e, de certa forma, me sinto bem envolvido com os filmes originais para escrever esta critica. Então, partindo desse principio, eu vou comentar sobre um filme que é um marco, não só no quesito "filmes de terror", mas também no cinema como um todo. 

Com pouco orçamento e uma ideia simples, esse filme virou um fenômeno no mundo e dando inicio a uma saga que deu ao público um dos vilões mais famosos do mundo inteiro: Sexta Feira 13.

É curioso falar desse filme, ele tem vários pontos bem interessantes a serem analisados e boa curiosidades que tentarei colocar neste artigo critico.

Imaginem-se num acampamento onde de dia as crianças fazem exercícios como: Aprender a montar casas de passarinhos, fazer trilhas, jogar vôlei, futebol, nadar, entre outras atividades, e de noite, todos se reúnem ao redor de uma fogueira e contam histórias de terror, e quem sabe, uma musica acompanhada ao som de um violão na luz do luar, sem contar as amizades que são feitas durante isso tudo. Muitos jovens americanos adoram esses acampamentos, é uma forma de não ficar parado enquanto se está de férias no mês de Julho. 

Bem, vocês devem estar se perguntando: O que isso tem a ver com o filme? A resposta é simples: Foi dessa premissa que o grande diretor Sean S. Cunningham, se baseando no roteiro escrito por Victor Miller, criou uma das franquias mais famosas do horror movie. Quer dizer, em 1980, o terror estava numa boa época, filmes incríveis estavam sendo lançados e filme incríveis iriam ser lançados naquela década, nos Estados Unidos chamamos os anos 80 de 'A década de maior revolução do gênero'. E exatamente no inicio dos anos 80 (em 1980 mesmo), lançam essa obra prima.

O filme começa em 1958 num acampamento onde algumas pessoas se divertem cantando numa cabana bem aconchegante. Olhares acontecem e um casal, Claudette e Barry, se despeçam do grupo. Enquanto os dois namoram, a técnica de filmagem se transforma em primeira pessoa, e nós (míseros telespectadores) passamos a ver tudo o que uma pessoa vê, essa pessoa está espiando o casal. Quando os dois pombinhos percebem que não estão sozinhos, rapidamente se vestem e o rapaz tenta se justificar, é quando o primeiro ataque acontece. A garota grita e tenta fugir, mas não consegue, então a garota grita e a cena congela com a cara de terror da garota.

É curioso como tudo na cena funciona, a imagem, a técnica em primeira pessoa, a musica de fundo, a iluminação, tudo parece bem pensado, é claro que existe algumas limitações, afinal estamos falando de 1980, mas mesmo com pouco orçamento (apenas 550 mil dólares), Cunningham soube aproveitar cada centavo.

Ok, um ano depois desse assassinato, damos um pulo no tempo para os dias atuais (1980) onde o acampamento Crystal Lake, está sendo preparado para ser reaberto, mesmo depois das terríveis mortes que aconteceram na região. 

Na cidade que ficava perto do acampamento um maluco chamado Crazy Ralph, adverte Annie sobre o "acampamento da morte" que foi amaldiçoado com a morte, mas Annie continua o seu caminho para o local. Nesta mesma região, um caminhoneiro chamado Enos, conta sobre os acontecimentos do acampamento: os assassinatos em 1958, um garoto afogado em 1957, os incêndios e a água ruim que frustrou as tentativas de reabrir o camp. Annie não da muita importância e continua seguindo para Crystal Lake, em seguida, pega uma carona com a pessoa errada, que a persegue pelo bosque e corta sua garganta.

No acampamento Crystal Lake, Steve Christy está ansioso para seus monitores Marcie, Jack, Ned, Brenda, Bill e Alice chegarem para começar a preparação para reabertura do campo. Depois que tudo está pronto, Steve sai para uma missão urgente na cidade. Os monitores trabalham por mais algum tempo, em seguida, pausam para nadar. Depois de um susto com afogamento (uma brincadeira de mau gosto), uma cobra entra em uma das cabanas assustando todos, não sendo o suficiente, visitas de oficiais da lei e do maluco Crazy Ralph acontecem.

Steve, Marcie, Jack, Ned, Brenda, Bill e Alice. 
É interessante ressaltar que esses acontecimentos não demonstram suspense em si, pelo contrário, na maioria das vezes o grupo está se divertindo, fazendo coisas típicas de qualquer adolescente descerebrado de um filme de terror trash como se drogar e fazer sexo, ou só pensar nessas coisas. O suspense mesmo do filme está no fato de que parece que os personagens estão sempre sendo observados por alguém que está ali escondido atrás de alguma árvore no meio do mato, apenas observando e esperando a hora certa para atacar. Em alguns momentos do filme, o público volta a ser os olhos do assassino na técnica da filmagem em primeira pessoa, são cenas rápidas, mas muito bem elaboradas, que dão um tom de mistério e que faz o público querer saber quem é o assassino. 

Voltando para o filme, Ned vai investigar um barulho em uma das cabines, e não sai de lá. A cena é muito interessante, o rapaz vê alguém entrando, mas nós não conseguimos ver quem é, dando ao público um momento de tensão bem interessante.

Uma tempestade começa, Marcie e Jack (interpretado por Kevin Bacon numa de suas primeiras aparições no cinema) procuram abrigo na mesma cabine em que Ned entrou, onde fazem amor em um beliche. Eles nem percebem que Ned está morto na cama de cima do beliche, aparentemente a sua garganta havia sido cortada.

Enquanto isso, Brenda, Bill e Alice se divertem com um jogo excitante de monopólio, sabe como é, pague o que deve com peças de roupas. Após fazer amor, Marcie sai para o banheiro e Jack permanece na cama. Uma gota de sangue pinga sobre Jack, e antes que ele possa se dar conta da situação, a mão do assassino sai debaixo da cama, segura a cabeça dele e atravessa o peito dele com uma flecha. 

Marcie, enquanto está no banheiro, percebe a entrada de alguém e pensa se tratar de Jack. Ela sai do banheiro e vai investigar nos chuveiros, e acaba por ser assassinada, com um machado em seu rosto. Essa cena ganha um destaque pelo ambientação e pelo jogo de luz que é feito para a morte da jovem. Enquanto ela olha para o banheiro, nós vemos a sombra do machado sendo erguido atrás dela.


Batidas das janelas abertas na cabine principal interrompem o jogo de Brenda, Bill e Alice. Brenda corre para fechar as janelas em sua cabine. Na cidade, Steve termina sua refeição no restaurante local e começa a viagem de voltar para o acampamento. De seu camarote, Brenda ouve uma 'criança' chorando na floresta em meios a chuva e aos trovões da tempestade. Ela vai atrás da origem daquela voz, um grande arco de repente é iluminado, com Brenda em pé na frente dos alvos. No fim, nós só ouvimos o grito dela, provavelmente abafado pelo barulho da chuva. 

Alice acha que ouve um grito, ela e Bill vão investigar. Encontram um machado sangrento na cama de Brenda, então eles decidem voltar para a cabine principal para sair da chuva. Lá eles percebem que os telefones estão fora de área.

Enquanto isso, o jipe de Steve deslizou para fora da estrada. Um carro de polícia que estava passando lhe dá uma carona até uma parte, e ele anda o resto. Steve enfrentou a tempestade só para chegar em Crystal Lake e se encontrar com o assassino, assassino esse que Steve reconhece, antes que de ser esfaqueado no estômago.

De volta ao acampamento, a chuva havia cessado e as luzes apagaram, Bill vai checar o gerador enquanto Alice tira um cochilo. Quando ela acorda, ela vai procurar Bill no gerador, mas descobre seu corpo na porta crivado de flechas. Aqui, o grande final começa.

Ela retorna para a cabine principal onde tenta se proteger. O cadáver de Brenda é jogado pela janela. Alice foge e do lado de fora se encontra com Pamela Voorhees, uma velha amiga dos "Christys" (o sobrenome do Steve do acampamento Crystal Lake).

Ao ficar sabendo das mortes, Pamela pede para ver o corpo de Brenda, Alice a leva até a cozinha da cabine onde está o cadáver. Nesse exato momento entra em cena a grande reviravolta do filme. Pamela explica que o menino que havia se afogado no lago em 1957, era o seu filho Jason, e a morte dele se deve por causa da negligência dos monitores que faziam sexo enquanto garoto se afogava. Pamela se revela a assassina, que queria vingar a morte de seu filho, e por isso assassinou todos os monitores do acampamento.

Alice a confronta, as duas iniciam uma luta, que se estende até nas proximidades do lago. Alice imobiliza Pamela, e decapita a psicopata com um facão. É o fim de um massacre cruel e sem piedade... Só que não.

De manhã, Alice é encontrada por policiais, dentro da canoa, vagando pelo lago. Talvez a cena mais impactante do filme aconteça aqui, enquanto a jovem fica aliviada pelo fato de a policia tê-la a encontrado, enquanto uma musica relativamente de 'paz', aquelas musicas que indicam que algo acabou, está rolando na cena, um garoto deformado e sujo pula da água e agarra Alice pelo pescoço que aos gritos é puxada para o fundo do lago virando a canoa. 

Ela não morreu! Alice acorda gritando no hospital perguntado se estavam todos mortos e se o garoto tinha sido resgatado. Os policiais afirmaram todos estavam mortos e que não há ninguém no lago além dela. Finalmente, Alice chega a conclusão de que Jason ainda estava lá. Fim.


Incrível, não é? Um filme de pouco orçamento conseguindo prender a atenção e trazer uma história simples, mas que no contexto consegue convencer. Esse filme é mais uma das infinitas provas de que o dinheiro não faz um filme bom, mas sim a competência dos envolvidos... Talvez seja isso que falte nos filmes atuais, um pouco menos de dinheiro para usarem o CGI para tudo que querem fazer e um pouco mais de criatividade para criar um história decente. 

Atualmente, podemos dizer que o filme possui uma enorme quantidade de clichês do gênero, mas em 1980, não tinha como negar que o filme era realmente algo novo, então deve ser levado em consideração o passar do tempo que afetou a forme de 'ver', não somente desse filme, mas também vários filmes lançados no passado.

Existem três pontos que não posso deixar de falar sobre esse filme. 

1 - A trilha sonora: Ela funciona de uma forma espetacular, dando sensação de segurança, dando um tom de suspense, de ação e de terror. Tudo na hora certa e de forma bem original. Estamos falando de uma época em que os filmes buscavam identidade na trilha sonora com o objetivo de trazer algo único no filme. Coisa que na minha opinião, o cinema de terror atual ignoram, as trilhas atuais tem pouco sentimento e não são lembradas. Tipo, é covardia comparar esse 'Sexta Feira 13' com o 'Sexta Feira 13 (2009)'. 

2 - A atuação dos personagens: Destaque para a eterna mãe do Jason, Betsy Palmer, que veio a falecer em maio de 2015. Mas, nos deu uma atuação surpreendente que com certeza marcou os fãs da franquia como eu. E a Adrianne King que no papel de Alice fez a heroína. 

3 - A equipe técnica de efeitos especiais tinha ninguém menos que Tom Savini, muito famoso por fazer obras de artes inquestionáveis como: O Despertar dos Mortos (1978), O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986), Creepshow (1982), O Maníaco (1980), entre muitos outros. Quando se trata de maquiagem e efeitos técnicos, esse cara é a referência.

É importante analisar que é aqui que nasce uma lenda, mas curiosamente o filme não trás o Jason como o antagonista principal, e sim a sua mãe.


Sim, Pamela Voorhees tem um lugar muito especial na franquia, e ela voltaria a aparecer em continuações, algumas sendo interpretada pela Betsy Palmer, e outras não. O público nunca irá saber se a Senhora Voorhees virou uma assassina. Algumas pessoas falam que ela fez um pacto com o demônio, outros dizem que o Jason era um ser sobrenatural que a influenciou de alguma forma, e outros dizem que ela simplesmente enlouqueceu com a morte do filho. Eu espero que nenhum filme tente explicar isso porque acho que tem algumas coisas que são mais sedutoras quando são misteriosas, e esse caso é uma dessas situações. 

Infelizmente, nem tudo é coisa boa. O filme possui falhas, pequenas, mas ainda sim, perceptíveis. Por exemplo, a senhora Voorhees passa o filme todo matando os personagens com um único golpe, mas quando chega no final, ela apanha de uma garota desesperada que é a vítima perfeita ao velho estilo americano de ser. Nesse sentido, o final tinha garra para ser melhor aproveitado, de qualquer forma, o resultado final não foi ruim, só poderia ser melhor. 

Existem no total 12 filmes da franquia, atualmente estão pensando em produzir a parte 13 focando na imortalidade do Jason, isso me assusta. Também ocorreram boatos de que estavam planejando fazer uma série da franquia, bom, pelo que parece isso ficou só no papel, pois não tivemos nenhuma novidade sobre esse projeto, lembrando que existe uma série chamada 'Friday 13th' que não tem nada a ver com a história do Jason.


Trouxe para vocês algumas curiosidades sobre esse filme, são elas:

1 - Victor Miller (o roteirista) disse que Jason é a combinação dos nomes de seus filhos Josh e Ian, segundo o escritor, foi uma forma de homenageá-los. 

2 - Durante a elaboração da história, Jason era para ser um menino normal. Mas quando o maquiador Tom Savini se envolveu com a história dos personagens, ele achou que Jason poderia ser deformado.

3 - Durante as primeiras exibições do filme, o mesmo Tom Savini, entrava nas salas de cinema só para ver a reação da galera na última cena.


4 - Alguns anos depois do lançamento do filme, a atriz Adrienne King, que interpretou Alice, era realmente perseguida por um cara, que por várias vezes deixou recados estranhos na porta de seu apartamento. Ela ficou tão assustada que ficou um tempinho sem atuar.

5 - A cena em que Jason arrasta Alice para dentro do lago no final do filme levou três meses para ser gravada.

6 - O primeiro filme chegou a receber duas indicações ao Framboesa de Ouro, nas categorias de Pior Filme e Pior Atriz Coadjuvante... Ridículo essa. 

7 - A versão dublada do filme na Espanha ficava Terça-Feira 13. Isso acontecia porque a Sexta-Feira 13 dos norte-americanos é a terça-feira 13 dos espanhóis.

8 - Dizem que no mesmo ano em que “Sexta-Feira 13” foi lançado, diversas crianças deixaram de acampar e a taxa diminuiu em 69%.

9 - O filme é proibido na Finlândia.

10 - Várias continuações de “Sexta-Feira 13” estrearam em uma sexta-feira 13.

11 - A música tema é baseada na frase de Mrs. Voorhees “Kill her, mommy!”. As primeiras letras das palavras Kill e Mommy são repetidas vezes “ki, ki, ki, ma, ma, ma”.

É isso gente, espero que vocês tenham gostado de mergulhar outra vez nessa história, e esse artigo não é só sobre uma parte fundamental de uma saga, também é uma homenagem a querida Betsy Palmer, onde mesmo que ela não tenha participado de todos os filmes, o legado que ela deixou na franquia sempre vai impressionar os antigos e os novo fãs da franquia.

Nota: 8,5. 


Diretor: Sean S. Cunnigham.
Produção: Sean S. Cunnigham.
Roteiro: Victor Miller.
Elenco: Betsy Palmer, Adrianne King, Donald Sutherland, Jeannine Taylor, Robbi Morgan, Kevin Bacon, Harry Crosby, Ari Lehman
Por: Michael Kaleel.

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