8 de novembro de 2015

Crítica: Wolf Creek 2 (2013)


Num ótimo exemplo de dedicação com os fãs, o diretor do Wolf Creek - Viagem ao Inferno, Greg McLean enfrentou vários anos de burocracia para poder entrar em produção a uma sequência do filme, feita pelo apelo dos fãs. A expectativa era gigantesca, e o filme foi adiado algumas vezes, o que fez muitos pensarem que dali não sairia bom resultado. No entanto, veio ele e nos surpreendeu com um filme que, apesar de claramente ser mais comercial que o anterior, supera o primeiro (na minha opinião).

Enquanto o primeiro filme foi feito claramente pelo suspense e pelo desespero da sobrevivência, Wolf Creek 2 é mais focado na caracterização do vilão Mick Taylor (interpretado pelo ótimo John Jaratt), numa espécie de igualação com vilões de franquias americanas como Michael Myers e Jason Vorhees. Um claro exemplo disso é a incrível cena de abertura, que mostra dois policiais que resolvem multar - apenas pelo tédio - uma caminhonete que não estava acima do limite. No entanto, o dono da caminhonete acaba por ser ninguém mais ninguém menos que Mick Taylor, que a princípio, aceita numa boa. E é aí que somos surpreendidos!


A partir dessa cena, podemos dividir o filme em dois: a parte do casal alemão e a parte do protagonista, Paul (interpretado por Ryan Corr). A primeira parte é mais calma, mas o derradeiro final é cheio de perseguições, o que faz cruzar com o protagonista do filme, Paul, que ajuda a alemã a fugir de Mick, mas acaba se tornando o novo alvo do australiano.

O filme então se torna um grande filme de terror, com cenas que lembram A Morte Pede Carona (1986) e Perseguição (2001), com fortes toques de gore e humor negro. O jeito que o filme muda é estranho no início, pra quem assistiu o primeiro, pois não é esperado. Mas a partir do momento em que se acostumamos, Wolf Creek 2 começa a nos entregar um filme frenético, inteira e completamente divertido de assistir.

Mick Taylor está mais violento e sarcástico que o primeiro filme, e nesse daqui conhecemos o covil dele. Assim como Jason tem aquela cabaninha no Crystal Lake e Leatherface tem o porão, Mick tem uma mina abandonada cheia de corpos e armadilhas. Nesse ponto, estamos tão envolvidos no filme, que os exageros da mina são relevados em prol da diversão.


No entanto, o que surpreende no final das contas é que Wolf Creek 2 se renova a cada 10 minutos. Como assim?, você deve estar se perguntando. É comos se a história do filme estivesse subindo uma grande escadaria, e cada degrau é um novo nível. O filme parece mudar constantemente, mostrando perseguições numa estrada com direito à cangurus sendo atropelados aos montes (!!!), ataque a uma casa de idosos, uma caverna subterrânea que me fez lembrar O Albergue (2006), entre outros momentos.

Aqueles que adoraram o primeiro filme poderão não curtir muito esse segundo, pelo fato dele ser mais comercial, como eu disse no início. Ele é apelativo e parece uma grande mistura de temas de filmes de terror, mas no final das contas, o resultado é um filme completamente divertido, insano e tenso. Lembrando que, pra quem ficou com um gostinho de quero mais, Wolf Creek ganhou uma minissérie com seis episódios em 2016. Você pode ler nossa crítica aqui. A segunda temporada já está sendo produzida para 2018!
por Neto Ribeiro

Título Original: Wolf Creek 2
Ano: 2013
Duração: 106 minutos
Direção: Greg McLean
Roteiro: Greg McLean, Aaron Sterns
Elenco: John Jarratt, Ryan Corr, Phillipe Klaus, Shannon Ashlyn


 

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