10 de dezembro de 2015

Crítica: Scream Queens | 1ª Temporada (2015)



Ryan Murphy é, sem dúvidas, um dos nomes mais prolíferos dos últimos anos. Após ganhar renome ao comandar o drama Nip/Tuck nos anos 2000, Ryan se viu crescer mais ainda ao criar a comédia musical de sucesso Glee, que durou 6 temporadas e American Horror Story, a famosa série antológica de terror que hoje, na 5ª temporada, já anda desgastada, apesar da inovação a cada temporada. Com esses três sucessos, além de ter dirigido alguns filmes que concorreram ao Oscar, Ryan Murphy é um dos principais nomes do canal FOX. Ou seja, a essa altura do campeonato, qualquer projeto que Murphy apresentasse, os produtores já iriam investir, pois o cara é uma mina de ouro.

Criada como um tipo de mistura entre suas séries de sucesso, Scream Queens foi uma das séries mais antecipadas da Fall Season de 2015. Aliás, o marketing executado para divulgar a série foi gigantesco. Além de ter conseguido participações especiais de alguns astros teens como os cantores Ariana Grande e Nick Jonas, além de alguns atores que já estavam na boca do povo como a incrível Emma Roberts (Pânico 4, American Horror Story) e Lea Michele (que foi a protagonista da série anterior de Ryan, Glee); e de bônus, ainda a tinha a sensacional Jamie Lee Curtis, que é conhecida como a principal Scream Queen do cinema de terror, após ter estrelado o Halloween original. Portanto, muitos quebraram a cara quando a série estreou, com números de audiências menores do que os esperados. Até por que, alguns esperavam uma ótima série de terror, enquanto outros esperavam uma ótima série de comédia. O resultado final foi uma mistura desses dois, o que não agradou muitos. Mas Scream Queens não é tão ruim quanto parece, nem quanto pareceu quando estreou.



A história foi descrita pelos criadores como uma mistura de Meninas Malvadas, Pânico e Sexta-Feira 13 e começa em 1995, quando numa festa da fraternidade KKT, uma moça tem um bebê no meio da festa. Como as amigas dela não querem que ninguém saiba que ela teve um filho, as deixam numa banheira, levando à morte dela – e o bebê desaparece. Atualmente, vemos Emma Roberts como a protagonista excêntrica Chanel Oberlin, a atual presidenta da fraternidade KKT, da qual só tem mais 4 participantes. Cada uma delas tem seus nomes completamente ignoradas, sendo numeradas como Chanel Nº2, Nº3 e Nº5 (Ariana Grande, Billie Lourd e Abigail Breslin, respectivamente) – é revelado que a Nº4 morreu alguns meses antes da história começar. Tudo muda quando, no início de um novo ano letivo, a reitora Munsch (Jamie Lee Curtis) resolve criar uma nova regra para a fraternidade: qualquer estudante que se candidatar pode entrar na fraternidade, o que desperta a fúria de Chanel, que já é odiada por muitos.



Do outro lado da história, está a mocinha Grace (Skylar Samuels), cujo pai (Oliver Hudson) é professor e a mãe morreu dando luz à ela. Ela é novata e resolve entrar pra KKT, junto com outras candidatas: a decidida Zayday (Keke Palmer), Hester que anda com um colar cervical (Lea Michele), a vloggeira de velas Jennifer (Breezy Eslin), a lésbica Sam (Jeanna Han) e a surda Tiffany (Whitney). Logo na primeira semana de seleção, uma das candidatas é decapitada por um assassino vestindo a fantasia do Red Devil (Demônio Vermelho), o mascote da universidade. Aos poucos, o assassino vai fazendo mais e mais vítimas.

Ao longo dos 13 episódios da série, somos introduzidos a trocentos personagens secundários que vão morrendo todo episódio, já que todo episódio tem pelo menos uma morte. O próprio elenco havia revelado antes da estreia que todo episódio alguém morreria, o que despertou a curiosidade dos fãs. Mas o decepcionante foi por que literalmente alguém morria todo episódio, só não era quem esperávamos. É por isso que ele colocou tantos personagens secundários, para que eles morressem e não os personagens importantes, que era o que pelo menos eu esperava.

Por outro lado, Scream Queens mirou na comédia e acertou. As piadas sempre relacionadas à vida cotidiana americana e cultura pop são sempre engraçadas e as diversas referências aos filmes de terror faz lembrar a comédia Todo Mundo em Pânico. Em vários episódios, você está assistindo uma cena e se pega pensando: "Ah, eu entendi essa referência." E não é só em diálogos. Há referências em cenários, mortes, jeitos que uma cena é gravada, etc. Inclusive, vou citar algumas aqui abaixo:

Cuidado, spoilers abaixo.
• Algumas vezes, ao matar algum personagem, o Red Devil para e observa o corpo, mexendo a cabeça. No Halloween original, Michael Myers faz a mesma coisa.

• O episódio 03, Chainsaw, traz várias referências ao clássico O Massacre da Serra Elétrica, desde o personagem Wes exibindo o filme para os alunos até o Red Devil atacando os personagens com uma motosserra.

• O jeito que a câmera se move na cena em que Chanel vai atrás da Chanel #5, no episódio 05, remete ao demônio em The Evil Dead.

• O jardim que Chanel manda fazer é uma réplica do jardim-labirinto do Overlook Hotel de O Iluminado.

• O Red Devil aparecendo para atacar um dos gêmeos com a tesoura de jardineiro no jardim remete ao assassino de O Exorcista III. Além disso, a morte dele remete à morte de Jack Torrance, vilão de O Iluminado.

• O Red Devil matando o outro gêmeo com uma máquina de pregos remete ao vilão Pinhead de Hellraiser.

• No episódio em que acham o covil do Red Devil, a policial Denise e a doida Gigi ficam presas no escuro, enquanto o Red Devil usa um óculos de visão noturna para atacá-las. Toda a cena é uma grande referência ao final de O Silêncio dos Inocentes. O filme também foi referenciado antes, quando Zayday é sequestrada.

• A cena do clássico Psicose é quase inteiramente recriada por Jamie Lee Curtis, cuja mãe, Janet Leigh, foi a atriz que estrelou a cena original.

• A personagem Feather D, uma aluna que causou a separação da Reitora Munsch e seu marido, traz em seu visual algumas referências à Mia Farrow em O Bebê de Rosemary.

• Quando Chanel e Chanel #3 vão visitar Melanie Dorkus no episódio 12, elas referenciam Jason Vorhees e Freddy Krueger ao associar a aparência da personagem a eles. Mais tarde no mesmo episódio, Chanel #3 ainda menciona o filme The Toxic Avenger.


Apesar dos erros e acertos, Scream Queens trouxe consigo a famosa marca hereditária de seu criador, Ryan Murphy. A série começa bem mas vai se desgastando e desanda um pouco no final. O mesmo ocorreu com a 3ª e a 4ª temporada de American Horror Story, assim como outras séries dele. Ryan é um homem de ideias, mas não se importa o bastante com elas para levar a sério, sempre focando em outros projetos e apenas largando as séries que criou para o limbo.


No entanto, uma coisa que separou a série das outras foi o seu final, que apesar da revelação do assassino restante ter sido óbvia (o próprio Ryan avisou que seria), o jeito que o mesmo foi comandado foi inteligente. Os dois últimos episódios, exibidos no mesmo dia, foram um dos melhores da série e também tiveram os melhores roteiros da temporada, com destaque para a agilidade do último. A ideia de inverter os papéis de mocinha e vilã, Final Girl e Assassino, foi muito, mas muito inteligente, pelo menos ao meu ver, o que aumentou a minha satisfação do desfecho. O que eu não gostei foi o "gancho" que deixaram para a segunda temporada. Não tinha necessidade do último episódio acabar daquele jeito, deixando aquela pergunta "Será que ela morreu mesmo?".

De antemão, quem viu os primeiros episódios sabe que Scream Queens não é uma série para os fãs mais aficionados do horror, até por que seu foco não é o mesmo, e sim a comédia. Mas para aqueles que curtem paródias dos filmes que gostam (sou desses), a série é até uma boa pedida para arrancar algumas risadas sem compromisso.

Atualização: No dia 15/01, a FOX renovou a série para uma segunda temporada, que trará alguns dos personagens de volta. Ao invés do novo ano se passar num acampamento de verão como era suposto, foi confirmado que se passará num hospital.
por Neto Ribeiro

Criada por: Ryan Murphy
Canal: Fox
Episódios: 13
Elenco: Emma Roberts, Lea Michele, Jamie Lee Curtis, Abigail Breslin, Billie Lourd, Niecy Nash, Skyler Samuels, Diego Boneta, Oliver Hudson, Keke Palmer, Glen Powell, Ariana Grande, Nick Jonas


3 comentários :

  1. N Curti ! Adoro a Emma Roberts , mas série muitoooo teen e superficial , parece feito pela MTV de tão ruim q é !

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  2. Só comecei assistir por causa da emma roberts,mas até que a série não é ruim,só não gostei do ultimo episódio,a hester acusou sem nenhuma prova relevante e as 3 channels foram presas

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