21 de janeiro de 2016

Crítica: Martyrs (2016)


Eu nunca vi um filme ser tão mal falado antes de ser lançado quanto essa refilmagem do excelente Martyrs, francês de 2008 dirigido por Pascal Laugier. É bastante compreensível toda essa hostilidade que a produção do remake foi recebida, isso por que o original (que nem é tão antigo, apenas oito anos de diferença) é um dos melhores do gênero de sua década.

É um filme que realmente faz efeito em quem assiste, toca na ferida. É por isso que desde que o novo Martyrs foi anunciado, foi extremamente criticado de forma negativa, ainda mais que, quando o filme foi oficialmente divulgado, já tinha sido todo gravado, isso em segredo. Independentemente de tudo, sempre dou chances quando se trata de um remake.

Quem viu o original, sabe que não é um filme fraco. Ele, na verdade, é brutal ao extremo. O longa-metragem de 2008 surpreendeu a todos quando foi lançado, contando a história de Lucie, uma garota que quando pequena havia sido sequestrada e torturada, mas conseguiu fugir. Crescendo num orfanato católico, a garota só conseguia se envolver com Anna. Dez anos depois, ela acha a casa de seus raptores e os matam, mas a história começa a se desenvolver virando uma narrativa totalmente diferente de quando começou.


Uma das principais características do Martyrs original é a ousadia, pois não tem medo de agredir em imagens fortes e a direção segura de Pascal Laugier, junto com o roteiro agressivo, transforma o filme em uma verdadeira obra-prima. O que me questiono é: como uma adaptação de um trabalho como esse pode ser boa se censura tudo que faz o original ser excelente? É por isso que digo, sem sombra de dúvidas, que o remake de Martyrs é uma das adaptações mais covardes que já foram feitas na história do cinema de horror.

No início, o filme até mostra que poderia resultar em algo bom. Uma Lucie pequena escapa do local onde estava sendo mantida presa, mas logo é perceptível que a estrutura tem uma regressão em vários detalhes, começando pela caracterização da garota, que no original estava com a cabeça raspada, camisa e roupas intimas completamente sujas, machucados bem sérios, e no novo está bem limpa se for comparar.


Depois de uma introdução mostrando a infância de Lucie, como ela conheceu Anna e como ela sofria com o trauma que fazia com que ela sempre fosse atacada por uma mulher que ninguém mais via (que vou até comentar depois sobre essa grande falha do novo roteiro), a história avança dez anos. Nos encontramos numa casa de fazenda onde uma família toma seu café da manhã. Alguém bate na porta e, ao atender, o pai é brutalmente morto por uma jovem com uma espingarda. A mesma logo elimina o resto da família.

A esse ponto já sabemos que a jovem é Lucie crescida, sendo interpretada pela ótima Troian Bellisario (Spencer de Pretty Little Liars), a única do elenco que se destaca. Tal cena é a primeira prova concreta de que o filme seria amenizado, já que a cena original é mais brutal, principalmente por envolver uma morte explícita de uma jovem de treze anos, substituída por uma adolescente aqui numa morte off-screen. Após isso, Lucie liga para Anna (Bailey Noble, True Blood). Ao chegar no local, a moça se assusta ao ver os cadáveres e sangue para todo lado. Lucie então explica que o casal foi quem a sequestrou quando criança, e que seus filhos também sabiam de tudo, portanto eram culpados. Depois de muita relutância, Anna não sabe o que fazer a não ser ajudar Lucie.

Spoilers sobre o filme abaixo.

Depois disso, quem já viu o original, sabe que Lucie se suicida, ao cortar a própria garganta depois de perceber que sempre será assombrada pela mulher que a ataca (claro que a mulher veio da própria cabeça). Nesse ponto, o remake se perde ao não completar dois pontos: no original é explicado que essa mulher que Lucie vê era uma das vítimas que estava presa no cativeiro e que ela não pôde salvar enquanto fugia, isso não é mencionado no novo filme, deixando essa parte vaga; o outro ponto é que Lucie não se suicida.

É aí que o filme desembesta de vez. Anna encontra o porão e nessa cena deveria encontrar uma mulher completamente ferida, magra e com um capacete de ferro parafusado na cabeça, mas ao invés disso ela encontra uma criança sem nenhum machucado, apenas acorrentada. A partir disso, Martyrs vira uma bagunça gigantesca.

Fim dos spoilers.


Devo destacar que pouco do filme pode ser retirado como ponto positivo. O único aspecto que me agradou foi a atuação de Troian Belissario, no papel de Lucie, não muito surpreendente pois do elenco principal de Pretty Little Liars, ela sem dúvidas é a melhor. Ainda que Mylene Jampanoi tenha sido fantástica no original, é preciso reconhecer o trabalho de Belissario. Enquanto isso, Bailey Noble, soou muito forçada no papel de Anna. Mesmo que as figuras tenham tido seus destinos trocados em relação ao original, Anna precisava de uma atriz de alto nível para poder chegar perto de Morjana Alaoui, do longa-metragem de 2008.

Quanto à violência, como já comentei, foi muito dosada. A cena mais famosa do original, em que uma das personagens tem a pele do corpo inteiro completamente esfolada enquanto ainda está viva, foi reduzida a apenas um corte nas costas, sem falar em várias outras imagens que foram substituídas e até as partes de tortura presentes não pareciam nada convincentes, como num momento em que uma das personagens é eletrocutada várias vezes e não tem sequer uma convulsão. 


Levando em conta que muitos nunca viram o Martyrs original, é fácil prever alguns gostarão, visto que não têm nada para comparar. Entretanto, quando você é do grupo dos que já assistiram e o considera um grande filme, o remake servirá como um insulto, uma brincadeira de mal gosto. Não recomendo o longa-metragem de jeito nenhum.
por Neto Ribeiro

Título Original: Martyrs
Ano: 2016
Duração: 81 minutos
Direção: Kevin Goetz, Michael Goetz
Roteiro: Mark L. Smith
Elenco: Troian Bellisario, Bailey Noble, Kate Burton, Romy Rosemont, Toby Huss, Caitlin Carmichael,

11 comentários :

  1. Eu sempre fico na internet fuçando filmes do tipo. Baixei Martyrs na curiosidade e sem grandes expectativas já que não tinha visto nada relacionado a ele ainda. Bem... me surpreendi e gostei muito, um dos melhores filmes que assisti. Fora a reflexão que o mesmo traz.

    ResponderExcluir
  2. Poxa eu assisti esse remake de 2016 se soube-se tinha assistido o original de 2008.

    ResponderExcluir
  3. Anônimo2/20/2016

    Um remake preguiçoso. Dá dó.

    ResponderExcluir
  4. Anônimo3/25/2016

    Tô aqui assistindo esse remake, não estou gostando e vim ver as críticas. Comparado com o original esse aqui nem chega aos pés. Depois que a Anna encontrou o porão o filme se perdeu de vez. Muito ruim mesmo, nem vou terminar de assistir.

    ResponderExcluir
  5. Coitado falando que a troian não atua bem em PLL

    ResponderExcluir
  6. Ainda bem que li sua crítica, nem vou perder meu tempo assistindo o remake. Thanks.

    ResponderExcluir
  7. Gosto de ver as críticas antes de assistir os filmes. Não sabia nada do filme, me pareceu ser de terror. Como não gosto de cenas fortes como retratados no original, acho que, pro meu gosto, essa versão, por ser mais "covarde" , se adapta mais ao meu "paladar"! ;)

    ResponderExcluir
  8. Gostei da crítica. Não vi o original, mas vou procurar pq realmente esse remake nao está me agradando muito.
    A Troian está maravilhosa msm, mas concordo com o comentário acima, assisto PLL desde que lançou, e eu sempre achei que ela que atuava melhor, vi a evolução dela como atriz, e acredito que ela é a que está mais capacitada para atuar em qualquer gênero. Excelente atriz, na minha opinião, a melhor do elenco principal.

    ResponderExcluir
  9. Sem comparação, o original é mil vezes melhor. Ainda não assistir o remake de Martires só pelo trailler percebi que é fraco comparado ao primeiro. Tem mais filmes franceses porradas como Martyrs que foram proibidos passar nos cinemas. Existem outros filmes franceses bem pesados que seguem esse movimento, acabei de ver aqui trailer:À l'intérieur (Inside) Trailer HD, Frontière(s) (2007) (Complet), High Tension Blu-ray Collection (trailer) - Accent Films. Espero que gostem.

    ResponderExcluir
  10. Nem mesmo a Troian salva esse filme. Até porque o personagem dela é bem ofuscado pelo da Bailey, horrível aliás, aqui. Fora o fato do roteiro ser mesmo bem fraco.

    ResponderExcluir
  11. A troian atua bem sim em PLL esse filme é uma coisa a serie é outra ok?ok?

    ResponderExcluir