25 de janeiro de 2016

Crítica: Regressão (2016)


Crítica sem spoilers.

Depois de ter seu trailer divulgado no ano passado, o suspense Regression fez um pequeno alvoroço nos fãs de cinema por ser o novo filme de suspense de Alejandro Amenábar, diretor do aclamado Os Outros (2001). O problema foi que, perto do lançamento, em exibição em alguns festivais, foi altamente criticado pelos sites de cinema, ganhando apenas 6% de aprovação. Resultado: o filme perdeu alguns patrocínios e teve a sua estreia mundial adiada diversas vezes.

No Reino Unido, o DVD do longa-metragem foi lançado nesta semana, possibilitando a todos que esperavam o longa-metragem entender o por que da aprovação tão baixa. Ainda assim, tive uma esperança, acreditei ser um equívoco essa cotação tão baixa. Infelizmente, não foi.

Regression traz como personagens principais a dupla excelente Ethan Hawke (A Entidade, Uma Noite de Crime e O Predestinado) e Emma Watson (eterna Hermione de Harry Potter). A história se passa no início dos anos 1990 e o pontapé inicial é a prisão de um pai de família, após sua filha adolescente Angela (Watson) o acusar de abusar dela. O encarregado do caso é Bruce Kenner (Hawke), quem tem que fazer com que Angela dê os detalhes, já que ela não quer falar sobre o ocorrido.

Na mesma época, os Estados Unidos sofria com os vários possíveis casos de satanismo, como pessoas que viam rituais ou dizem que foram vítimas de um. Aos poucos, Bruce começa a perceber que Angela foi uma vítima de um ritual satânico onde vários conhecidos fizeram parte. No entanto, tudo se complica por não haver nenhuma prova além da palavra da moça. À medida que Bruce vai descobrindo novos segredos, ele percebe que pode ser a nova vítima do culto.

Não sei se é por que esse tema de ocultismo me interessa, mas Regression me prendeu até o final e todo o clima construído pelo roteiro me lembrou do clássico O Bebê de Rosemary, que é um dos meus filmes de terror favoritos. Isso por que, quando um filme que possui tal tema é bem trabalhado, principalmente no suspense, torna-se uma experiência muito mais completa, como foi a minha com O Bebê do Rosemary.


É exatamente isso que Alejandro Amenábar tenta fazer com a história, começando um pouco confuso, mas depois as peças vão se encaixando, a investigação vai andando aos poucos e em meio a tudo isso, temos visões dos ditos rituais, tudo pela mente do detetive Bruce, quem tenta montar o caso com o depoimento de Angela. O que mais surpreende é que apesar de tudo isso, o filme ainda tem espaço para colocar algumas cenas meio sobrenaturais (como uma com um gato). Além disso, Regression não entrega muito o caso. Demora um pouco até que o detetive comece a imaginar tudo contado por Angela, e aos poucos vai delirando, ficando paranoico. Ele sabe como segurar as cartas na manga até finalmente jogá-las, e isso é um dos pontos mais interessantes.

E o que acontece quando um filme anda perfeitamente do jeito que você gosta? Cria-se expectativas para o clímax e o final, e infelizmente, esse é o maior erro de Regression. Não posso comentar além da conta para não correr o risco de cometer spoiler, mas sendo breve, o desfecho é fraco em relação a tudo que veio anteriormente. É decepcionante.

No final das contas, é claro, não direi que não recomendo o filme. Gostaria que o assistissem ignorando o final, pois a obra é bem construída na base do suspense, sem jogar muitas pistas. Queria muito estar falando de um dos melhores filmes de terror do ano, mas não foi dessa vez.


por Neto Ribeiro

Título Original: Regression
Ano: 2016
Duração: 106 minutos
Direção: Alejandro Amenábar
Roteiro: Alejandro Amenábar
Elenco: Ethan Hawke, Emma Watson, David Thewlis, Lothaire Bluteau, Dale Dickey, David Dencik, Peter MacNeill, Devon Bostick, Aaron Ashmore


Description: Rating: 3 out of 5

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