30 de janeiro de 2016

Crítica: Mr. Vampire (1985)



Está em busca de um bom "terrir" (filmes que misturam terror com humor)? Uma ótima sugestão é Mr. Vampire, de 1985. O filme mistura terror gótico com aquele humor ingênuo à lá "Chaves" ou os "Três Patetas", além de leves pitadas de artes marciais e muita mitologia chinesa. Trata-se de entretenimento ágil e escapista.

O longa-metragem conta a história de Chou e Man Choi, dois atrapalhados funcionários de uma funerária que tem como dono o sábio Mestre Gau, cujo conhecimento sobre os vampiros e seres sobrenaturais é bem vasto. Para acabar com a paz dele e de seus asseclas, um dos corpos presentes no local se revela um vampiro, e agora os três devem se unir para exterminar a criatura das trevas, mas para dificultar a tarefa, Chou se apaixona por uma perigosa fantasma, e Man Choi acaba sendo mordido pelo vampiro. Agora cabe ao mestre salvar os discípulos para que juntos cumpram sua missão.

"Mr. Vampire" não seria tão divertido sem os dois talentosos protagonistas, que são engraçadíssimos: Chou com seu jeito malandro, e Man Choi, que mais parece uma criança presa no corpo de um adulto. Ambos são responsáveis pelas melhores gafes do filme, e a química entre os dois é perfeita. Toda a transformação de Man Choi é absolutamente hilária, tendo como ponto alto o momento em que o personagem tem que ficar dançando para que o veneno do vampiro não se espalhe pelo seu corpo (é isso mesmo). Na mão de um ator menos talentoso, a cena cairia no ridículo, mas o ator nos concede gargalhadas. Outro destaque do elenco é o chefe de polícia, que é um verdadeiro paspalho. A cena em que ele é enfeitiçado por Chou e Man Choi e tira suas roupas na frente da bela Ting-Ting, é a mais engraçada do longa-metragem.


Muito bem escrito, o roteiro não perde tempo com explicações excessivas sobre os vampiros. O essencial para que o filme seja compreendido é passado entre uma piada e outra, e a obra vai encadeando situações dinâmicas em sequência, tendo foco no entretenimento do público.

A direção de Ricky Lau contribui muito para isso, e a boa e ágil montagem com a ótima direção de elenco são os maiores acertos. Menção honrosa para os efeitos visuais e a maquiagem do vampiro, que são bem caricatos, seguindo a proposta da narrativa. A luta entre o mestre Gau e a fantasma é o auge, sendo muito bem construída.


Quem nunca viu um filme chinês sobre vampiros, pode estranhar as criatura, ou até achá-las ridículas, mas a forma como esses são representadas, é fiel ao mito chinês vampiresco (Jiang Shi), que é totalmente diferente do mito ocidental. No folclore daquele país, uma pessoa que morre com ódio ou ressentimento, não consegue dar o último suspiro, e por isso , não consegue descansar após a morte, transformando-se num vampiro. Essas criaturas não andam, mas se locomovem através de pequenos pulos, e para pará-las deve-se colocar um pedaço de pano com alguns ideogramas em seus rostos, assim elas ficam imóveis como estátuas. Quando o vampiro entra em ação, quem ele morder também se transformará num vampiro, agora como no mito ocidental. Para quem se interessar por outros filmes sobre o mesmo tema, existe "A Lenda dos Sete Vampiros", Rigor Mortis e "Robo Vampire", em que este último, é uma produção medonha de tão trash, mostrando uma cópia de "Robocop" enfrentando vampiros.

Por: Alexander Ribeiro


                                

Um comentário :

  1. Anônimo2/04/2016

    Filme trash é comigo! Já to procurando esse pra baixar...Inclusive vocês poderiam postar mais sobre filmes trash, o terror atual tá indo de mal a pior.

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