15 de fevereiro de 2016

Crítica: Cabana do Inferno (2016)



Em 1991 o diretor Eli Roth estava trabalhando com cavalos em uma fazenda no sul da Islândia aos 19 anos. Ele pegou uma infecção na pele que se espalhou por todo o corpo, inclusive no rosto. Os ferimentos coçavam e enquanto ele coçava, pedaços de pele saiam do seu rosto literalmente, ele alegou que não doía e que a coceira vinha de dentro da pele. Desesperado, ele foi a um dermatologista que ficou horrorizado e confuso  com o que viu, o médico chegou a alegar que nunca tinha visto algo como aquilo. Ele prescreveu um creme e felizmente Roth foi curado. Desde aquele dia, ele ficou obcecado com produtos para cuidados da pele, como resultado do acidente. Mas, foi dessa experiência que veio o trabalho que iria fazer com que ele fosse reconhecido no mundo do cinema.

Foi em 2002 que Eli Roth lançou um de seus maiores sucessos. Cabana do Inferno. Um filme que nos apresenta uma das doenças mais terríveis do cinema. Quem a criou, de onde ela veio? Ninguém sabe, tudo o que se sabe é que ela vai comendo a pessoa numa velocidade incrível e que é altamente contagiosa. É claro que o filme tem coisas características do Roth como cenas recheadas de humor negro que em alguns momentos podem quebrar o ritmo da trama e dar um tom mais cômico a ela.

A história do filme nos apresenta cinco jovens universitários que resolvem ir para uma remota cabana na floresta para aproveitar os últimos dias de férias. Quando um deles entra em contato com uma terrível doença mortal que faz com que a pele apodreça e queime de dentro pra fora, os outros logo percebem que se chegarem muito perto, eles poderão ser os próximos. O que começa como uma luta contra uma doença, logo se transforma em uma batalha entre amigos quando o medo de contaminação faz com que eles se voltem uns contra os outros.

O filme em si não assusta, mas incomoda bastante. O nosso subconsciente deduz a ideia do filme com você, tipo. É só você ver uma ferida quaisquer no seu corpo que logo vem o filme na cabeça e nas consequências daquela doença. Isso sim, assusta. Além disso, a tensão do filme é legal em alguns momentos se forem paradas para serem analisadas. Tipo, imaginem-se na pele dos personagens! Uma doença altamente contagiosa e mortal que ninguém sabe de onde ela veio, pegou a sua amiga. Como ela pegou? Como a doença é trasmitida? Quais são os  primeiros sintomas? E por aí vai. Outro ponto é que a doença parece se espalhar por fômites (qualquer objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos, de germes a parasitas, de um indivíduo a outro). Ou seja, tudo no filme parece ser contagioso e todos estão expostos, toda a saída é uma entrada e não existe 'lugar seguro'.

Se você parar para pensar, o filme parece uma versão do 'The Evil Dead' de 2013 onde no lugar de demônios, é um vírus mortal. Não venham me zoar com essa comparação (risos). 


Como é de costume, o sucesso do filme rendeu sequências. 'Cabana do Inferno 2' veio em 2010 e foi dirigido por Ti West, uma obra que desconstrói todo o clima do primeiro filme e leva a franquia para o fundo do poço. Levar a doença para uma escola que se preparava para um baile... Não foi uma boa ideia, com personagens sem graça e um roteiro mau desenvolvido, o filme acaba se perdendo e dando ao público um espetáculo de nojeira que não vai agregar nada.

A sinopse do filme é: Dias após um vírus comedor de carne consumir seus amigos, Paul (Rider Strong) emerge de uma vala devastado pela doença, mas com a missão de avisar os outros sobre o perigo. Porém, ele precisa agir rápido já que a água contaminada foi engarrafada e será distribuída em uma escola secundária que está organizando um baile de formatura que pode se tornar um macabro encontro.

Já 'Cabana do Inferno 3 O Paciente Zero', chegou em 2014 e tentou trazer de volta o ritmo e o clima do original. A própria produção do filme reconheceu a porcaria que a segunda parte era. Pensando nisso, eles tinham duas opções para seguir: 1 - Uma sequência da parte dois, levando o vírus adiante. 2 - Fazer uma prequel, ou seja, mostrar eventos antes do ocorrido no primeiro filme. Como fazer uma sequência não ignoraria a parte 2, a decisão foi unânime, uma prequel.

O filme trás duas histórias paralelas que em determinado momento, se unem. Numa história, um homem resolve comemorar a sua despedida de solteiro com o irmão, um amigo e a sua namora, numa ilha 'deserta', o casal vai fazer um mergulho e logo percebem que a vida animal marinha naquela região está morta, eles saem da água, mas é tarde demais, logo eles começam a sentir os primeiros sintomas da doença. Na outra história vemos um laboratório onde um homem chamado Porter é mantido prisioneiro uma vez que ele tinha uma imunidade natural ao vírus comedor de carne que matara a sua mulher e seu filho, e que se espalhava pelo local.

Em meios aos furos, cenas muito escuras e a incoerência no avanço da doença e no roteiro, o filme acaba sendo melhor que o segundo, mas ainda sim, inferior ao primeiro. Uma briga entre duas infectadas e as cenas pós-créditos deixam tudo mais interessante. Além de que esse é o filme que possui um membro de peso no elenco. Sean Astin, o Sam de 'O Senhor dos Anéis', como Porter, o paciente zero, só nisso o filme garante uma certa qualidade.

Bem, junto com o terceiro capítulo estava sendo lançada a ideia de um quarto longa baseado na franquia iniciada por Roth que se chamaria 'Cabin Fever Outbreak', algo como 'Cabana do Inferno 4 O Surto', pelo título dava para imaginar que a película traria uma epidemia em uma escala bem maior do que as vistas nos três primeiros filmes. Mas, com o tempo, a sequência deu lugar a um remake. Não me perguntem "como?" e nem "porque?", acho que só os produtores sabem o porquê de um remake de um filme de 2002. Também, não irei entrar no mérito dessa discussão. O fato é que o remake é a tendência do mercado Hollywoodiano desde o inicio da década. E que se tem algo que vai prejudicar o filme, é justamente essa ideia do 'remake desnecessário', veja bem, não é uma crítica, é apenas um fato contestado, pessoas viraram a cara para esse filme por ser um remake de um filme relativamente recente.

Entrando nos conceitos técnicos da película, na direção está Travis Zariwny que alegou que o remake usaria o mesmo roteiro do primeiro filme, escrito por Roth e Randy Pearlstein, aliás, Eli Roth se envolveu no trabalho, dessa vez, no cargo da produção. A única coisa que mudaria do original para o remake, eram as mortes de alguns personagens. Eis que no dia 12 de Fevereiro de 2016 o filme sai em alguns poucos cinemas norte americanos e na internet para o resto do mundo. Em meio a imagens interessantes que foram sendo divulgadas no decorrer do tempo e a um trailer muito bonito visualmente falando, o filme acabou me surpreendendo positivamente.


Primeiro de tudo. Acho que quando se fala em 'remake', estamos falando exatamente do que aconteceu com esse filme. Tudo que acontece no filme de 2016, acontece no original, até as falas são as mesmas, é claro, o filme se modernizou e acabou melhorando o que já era bom no de 2002. Comentei isso porque os 'remakes' que estão sendo lançados, estão saindo da linha e estão mudando as histórias dos originais, muda os personagens, contexto, clima, tudo, é o caso dos remakes de 'A Hora do Pesadelo', 'Halloween', 'A Hora do Espanto', 'Carrie A Estranha' e até mesmo 'A Morte do Demônio', esse ultimo não é um remake, mas é tratado por muitos como tal. Lembrando que filmes que recomeçam uma história mudando os conceitos do original, não é um remake, mas sim um reboot. 

Voltando ao filme, uma coisa que me incomodava muito no original, era a ausência de sentimento dos personagens. Um cara mata a amiga com golpes de chibanca (uma ferramenta agrícola) sem nem uma emoção, nem um pingo de lágrima ou algo do tipo. Outra coisa que me incomodava eram as cenas sem noções como a do garoto das panquecas que faz alguns mortais antes de morder um dos infectados quando tentava pedir ajuda. Nesse remake, isso tudo foi mudado, Travis investiu pesado nos sentimentos dos personagens frente a situação imposta à eles, e eliminou o humor negro dando ao filme um tom mais sério e sombrio. No obstante, ele fez algumas cenas que já eram tensas no original, ficarem mais tensas. O que dizer da cena da Marcy na banheira com as costas cheia de feridas, ou da cena do Paul tentando acabar com a dor da Karen.


As cenas de perseguições envolvendo o Bert e os loucos do Tommy, Fenster e o Connor, são muito bem feitas, tudo acontece nitidamente num local que parece ser o paraíso se não fosse pela doença impregnada na água da região e pelos loucos que vivem nas redondezas e que aparentemente, sabem do mau que está se espalhando pelo lugar. Em alguns momentos o trio doentio que persegue o Bert lembram os canibais de 'Pânico na Floresta', e também um pouco da família maluca de 'O Massacre da Serra Elétrica', isso não é mera coincidência já que Eli Roth é fã desses filmes. A trilha sonora do original também aparece no remake com um tom mais moderno e dramático. Parece que o local foi cuidadosamente escolhido pela produção.

Tanto no original quanto na parte 2, boa parte das cenas cômicas se deve ao personagem de Giuseppe Andrews, o surreal policial Winston que nesse remake, não é descartado, mas agora é uma mulher, menos cômica. Quem fez o personagem foi Louise Linton que, aliás, não combinou com o papel na minha opinião, aparentou ser uma coisa forçada demais, felizmente é um personagem que aparece bem pouco na trama.  

O final do filme é o único ponto que teve uma diferença significativa e que deu um rumo diferente da história do original, isso não é ruim já que nós sabemos que as consequências do original levaram ao fiasco dos eventos do segundo filme. A premissa do final do longa abre portas para sequências, mas se elas vão acontecer, só o tempo vai dizer. Entretanto, esse final pode ser um pouco confuso, pois não nos mostra uma ideia precisa do que está acontecendo. No momento eu digo que esse remake, mesmo tendo absolutamente a mesma história do original, vale uma conferida pela modernizada que a história teve. Uma coisa eu garanto, perda de tempo não vai ser.

O filme trás consigo Gage Golightly, Matthew Daddario (o irmão de Alexandra Daddario), Samuel Davis e Nadine Crocker, que cumprem bem os seus respectivos papéis. 

Bom, para finalizar, digo que mesmo precipitadamente, o remake de 'A Cabana do Inferno' fez o que disse que ia fazer, ele potencializou a história do primeiro e deu ganchos para continuações. Eu não acho necessário uma sequência uma vez que esse remake, mesmo sendo bom, já é desnecessário, mas estamos falando de Hollywood e de muito dinheiro em jogo, então é provável que possa sair algo relacionado a uma 'parte 2' dentro de alguns anos, e ser sair, só nos resta torcer para ser tão bom quanto esse remake foi.

Acho que isso é tudo que posso dizer desse filme. Se ele fosse lançado lá em 2002, sem dúvidas, seria um sucesso maior que o original, e quem sabe, as sequências não fossem melhores do que são. E quem adorou o primeiro longa deveria dar uma checada nesse só por descarrego de consciência e se divertir,  a minha nota para ele é: 7,0.


Diretor: Travis Z.
Produção: Eli Roth, Evan Astrowsky, Christopher Lemole, Tim Zajaris
Roteiro: Eli Roth, Randy Pearlstein.
Elenco: Samuel Davis, Gage Golightly, Matthew Daddario, Nadine Crocker, Dustin Ingram
Musica: Kevin Riepl.
Duração: 98 minutos

Por: Michael Kaleel.


Um comentário :

  1. Anônimo2/04/2017

    filme horrivel, sem conteudo.. final sem pé e sem cabeça

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