22 de fevereiro de 2016

Crítica: Pinóquio - O Perverso (1996)



Aviso: O texto abaixo pode conter spoiler. Leia por sua conta e risco.

Olá pessoal, estou aqui para falar sobre mais um filme envolvendo brinquedos assassinos, gênero esse que se tornou muito famoso com o surgimento de Chucky em 1988, em seguida, trazendo ao público inúmeros filmes com esse dialeto. Talvez isso se deva porque é assustador imaginar, um brinquedo, um objeto indefeso para as crianças se divertirem e serem felizes, sair matando e incentivando as crianças a fazerem maldades. Esse filme não vai fugir desse conceito, agora, um filme que foi lançado em 1996.

O longa começa com um homem chamado Vincent Gotto, sendo preso durante uma noite chuvosa por um policial que estava de passagem e achou estranho um carro parado num lugar tão soturno como aquele, ele estava em uma área proibida enterrando seu próprio filho. No dia seguinte, durante uma investigação no local, a perícia encontra um boneco de madeira que estava enterrado junto com o corpo do menino, o boneco fora feito pelo assassino como um presente para o filho, dessa forma, com o flagrante que o policial deu no homem enquanto enterrava o seu filho, outros assassinatos envolvendo crianças acabaram sendo atribuídos a ele e piorando sua situação perante os olhos da lei.


Algum tempo depois, o suspeito assume a culpa de todos os crimes e é condenado a pena de morte onde sua execução seria nada menos do que a famosa cadeira elétrica. Em meio a todas as acusações que pairam sobre o homem, a sua advogada de defesa, Jennifer (Interpretada por Rosalind Allen de 'A Colheita Maldita 2'), tinha certeza de que ele não era o assassino de todas as crianças, talvez só de seu filho que poderia lhe dar uma perpétua, mas não de todas as crianças, acusação essa que o condenou a morte.

Alguns dias após da morte daquele homem, durante o aniversario de sua filha, a pequena Zoe, Jennifer acaba levando o boneco (que era uma das evidências do crime) para a sua casa e, sem querer querendo, sua filha encontra o boneco achando que era um presente. O resto não é difícil de imaginar, Zoe começa a criar uma ligação com o boneco da mesma forma que Andy tinha com Chucky no começo de ‘O Brinquedo Assassino’ e coisas estranhas começam a ocorrer em torno do brinquedo de madeira. Como disse acima, o filme é de 1996, então não seria surpresa se o diretor e roteirista Kevin S. Tenney (O mesmo de 'A Noite dos Demônio'), tivesse pego do filme do Chucky algumas coisas para o Pinocchio.

Zoe (interpretada pela atriz Brittany Smith), é uma garota que sofre bullying de algumas colegas de sua escola e também com o recente divórcio de seus pais. Mesmo tendo algumas amigas, ela ainda se sente só, até porque o seu pai está longe e a sua mãe vive trabalhando como advogada dividindo o tempo livre entre a filha e o seu novo namorado, David Kaminsky, que conta a sua versão da história de Pinocchio para a garotinha: Segundo David, Pinocchio era um boneco egoísta, cujo seu sonho de ser uma criança de verdade o impedia de ver as coisas erradas que ele fazia. Bem, David contou isso para Zoe para brincar com ela, mas a história fica na cabeça. 

Aí, em meio a tudo isso, quando ganhou o Pinocchio, da mesma forma em que o Gepeto (o pai do menino de madeira na história clássica) fazia, ela passa a almejar que o seu brinquedo ganhe vida para fazer companhia para ela e poder ser o amigo que ela tanto precisava durante esses tempos difíceis.

Ok, quero que vocês se lembrem da história original do Pinocchio! O grilo era nada menos que a consciência do boneco, e era o encarregado de ensinar o que era certo e o errado porque ele não compreende nada a sua volta. Aqui, o boneco não tem essa consciência, então 'ele faz' as coisas sem pensar nas consequências, mesmo que em alguns momentos, Zoe tente falar com ele sobre o que é certo e errado, não adianta. Por isso, em determinado momento do filme, a garota pega um grilo para ser a ‘consciência’ de seu brinquedo. Não, o grilo não vai sair falando e nem fazer companhia para o boneco. Mas, será que a Zoe realmente está falando com o Pinocchio? No decorrer do texto vocês descobrirão.

Outra questão interessante é que o diretor resolveu pegar uma ideia feita no primeiro ‘Brinquedo Assassino’, 'o boneco' agia, e até um determinado momento, nós não sabemos se é o boneco ou a pequena Zoe que fazia tudo, o público fica dividido no que acreditar. Mesmo ela dizendo que o Pinocchio está vivo, ninguém acredita nela, e quando os dois estão sozinhos, nós vemos o boneco saindo de um lugar e aparecendo em outro, mas não fica claro se é o boneco mesmo que está se movendo, ou se aquilo é fruto da imaginação de pequena Zoe.

Com o tempo, nós vamos aos poucos nos convencendo de que o Pinocchio realmente está vivo, afinal, nós vemos o boneco se mexer, falar, andar, entre outras coisas. É claro que no meio dessa história toda, pessoas vão sofrendo acidentes e morrendo. Inclusive, o filme possui uma cena curiosa onde nós vemos a personagem de Candace McKenzie literalmente pelada, tomando banho, e o boneco está lá, observando ela, não consegui entender o porquê do boneco estar ali, contudo, levando em conta que tudo é uma 'loucura' da pequena Zoe, essa questão possa ser passada despercebida, afinal, o filme não é feito de significados e mensagens, ele tem seus furos e incoerências. 

O final é interessante e um pouco difícil de entender, talvez pela reviravolta que o filme dá. A luta entre Zoe, Jennifer e o Pinocchio tentando matar a família toda, acontece. Durante a briga (principalmente entre Jennifer e o boneco), vemos algumas cenas que vão lembrar o filme do Chucky, não vou falar qual, mas isso é o de menos. O clima do filme é escuro e sombrio e isso da pontos para a produção. Uma cena muito interessante e quando a sombra do Pinocchio e projetada na parede, a sombra lembra muito o Pinocchio da Disney que encantou as crianças do mundo, com uma faca na mão.  

No final das contas a película deixa algumas perguntas no ar. Será que o boneco realmente estava vivo ou será que a pequena e meiga Zoe era quem passava todos os seus problemas de raiva para o boneco ao ponto dela mesmo acreditar que o Pinocchio estivesse vivo? Então, nesse sentido, o tempo todo o que víamos era Zoe matando as pessoas e não o boneco, até porque, nós não vemos o Pinocchio matando ninguém com clareza, nós não podemos afirmar: "Foi o boneco que matou!". Com relação as cenas com o brinquedo aparentemente, vivo... O filme nos da à visão da Zoe em alguns momentos, por isso nós vemos o boneco se mexendo, andando e falando. Zoe realmente acreditava que o seu amigo de madeira estava vivo, porém, isso não explica como Jennifer chegou a ver o Pinnochio falando e correndo atrás dela para matá-la. Então fica essa dúvida no ar. É daí vem o motivo pelo qual Jennifer alega a inocência de Zoe até o fim, porque ela viu o boneco vivo e não podia ignorar isso. Além disso, o fato do Pinocchio ter sido feito por um assassino que matou o próprio filho, é esquecido.

Enfim, o filme trás uma premissa interessante. Zoe, apesar de agir compulsivamente em momentos de raiva, principalmente quando é atormentada pelas colegas da escola, conseguia controlar a sua vontade de fazer coisas ruins, todavia quando ela ganha o brinquedo de madeira, surge o que podemos chamar de alterego (É um termo criado por Freud para conceituar coisas que estão no Ego de uma determinada pessoa, as quais podem ser transferidas para uma outra, que passa a funcionar como se fosse uma duplicata da primeira pessoa) na história. E com essa ideia, vêm os significados de algumas cenas como: a parte em que Zoe diz que o Pinocchio pediu para que as suas cordas fossem cortadas, representando a libertação de sentimentos que a garota estava tendo através do boneco. No fim das contas, o filme quer dizer que o mundo não é dividido em bem ou mal. Todo mundo tem o seu 'Pinocchio' dentro de si, todo mundo, em algum momento de raiva, já desejou mal à alguém, mesmo que não admita.

 
Bom, acho que eu disse tudo que eu podia falar desse filme, ele não trás nada de novo, tem algumas cenas clichês e também possui alguns erros técnicos que podem incomodar. Mas, o filme vale uma conferida, ele é muito melhor do que vários outros filmes do gênero lançados na atualidade. A minha nota para ele é: 6,0.

Uma curiosidade sobre o elenco do filme é que Rosalind Allen, a Jennifer, era mulher de Todd Allen, que fez o seu namorado. Os dois são divorciados, mas têm uma filha juntos. E o nome da personagem de Janet MacLachlanas é Judge Allen, uma homenagem ao casal Allen. 

PS: O poster abaixo é brasileiro, e se vocês lerem o slogan dele, perceberão um spoiler que pode estragar com toda a sensação que o filme trás.


Diretor: Kevin S. Tenney.
Roteirista: Kevin S. Tenney.
Elenco: Rosalind Allen, Todd Allen, Larry Cedar, Brittany Alyse Smith, Janet MacLachlanas, Ron Canada.
Musica: Dennis Michael Tenney.

Por: Michael Kaleel.

2 comentários :

  1. Interessante, vou procurar esse filme, mas é um dos poucos que mesmo sem eu ver ja estou na duvida de quem é o assassino(e o poster brasileiro não ajuda)

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  2. Onde encontro o filme na internet? Já procurei feito maluco.

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