24 de fevereiro de 2016

Crítica: Natal Negro (2006)

O filme de hoje na Sessão Remakes é um que vai ser um pouco delicado para falar, pois estamos falando de um guilty pleasure meu. Para quem não sabe, guilty pleasure (em tradução lateral, 'prazer culposo') é algo que você gosta, mesmo sabendo que é ruim e que todos odeiam. Apesar de saber que esse é um dos piores remakes e piores filmes em todos os sentidos, eu realmente gosto dele e tentarei explicar isso ao longo da análise, mas claro falando sobre as falhas (que não são poucas).

O ORIGINAL

Lançado em 1974, Black Christmas, que ganhou o nome Noite de Terror em terras brasileiras, é considerado como um dos principais precursores do gênero slasher e também inspirou o clássico Halloween, lançado quatro anos depois. A história é quase a mesma do remake e acompanha um grupo de garotas de uma fraternidade na véspera de Natal. A noite fica esquisita quando ligações estranhas começam a vir para a casa, com uma voz bizarra.

A grande diferença na história entre ambos é que o original se passa em dois dias e nada parece ser muito corrido. Tem um detalhe, por exemplo, o qual foi copiado alguns anos depois em Mensageiro da Morte: depois de tantas ligações, elas chamam a polícia que manda rastrear de onde veio a ligação. No outro dia (lembrem-se, era anos setenta), eles descobrem que vinham da casa, mas já era tarde demais.

A HISTÓRIA

Nesse remake, a premissa é quase a mesma, mas tudo é mais voltado à violência, gore e histórias toscas. Conhecemos ao longo do filme a história de Billy, um garoto com uma doença no fígado que fez o mesmo ficar com a pele amarela (lembram do Bastardo Amarelo de Sin City? É nesse estilo). A mãe o odeia desde seu nascimento e, quando ele está maior, ela mata o marido com a ajuda do seu amante, trancando Billy no sótão em seguida. Alguns anos depois, a própria mãe estupra Billy e fica grávida dele, tendo Agnes, o fruto desse incesto, nove meses depois.

Quando Agnes já está crescida, numa noite de Natal, Billy escapa do sótão e mata a mãe e o padrasto depois de arrancar um dos olhos de Agnes. Ele é mandado para um hospital psiquiátrico, onde fica preso pelos próximos quinze anos. Numa véspera de Natal, um grupo de garotas de uma irmandade que se localiza na mesma casa que Billy morava estão sendo mortas, ficando sem saída durante uma nevasca.

Wendy, Ms. Mac, a sobrinha do Inspetor Bugiganga e a peituda morena que morre queimada em Premonição 3

PONTOS BAIXOS

Por onde começar? Primeiramente, o que mais diferencia o original do remake é o suspense - ou a falta dele. Natal Negro possui zero de suspense. Apesar de eu curtir as mortes, o filme sofre muito pela razão de o roteiro nunca dar foque ao suspense - grande detalhe do original - e corta direto às mortes exageradas. Um grande exemplo disso é uma cena em particular que deixa isso explícito, quando Ms. Mac (Andrea Martin, que curiosamente interpretou a Phyl, uma das garotas da irmandade no filme original) e Heather (a ótima Mary Elizabeth Winstead, Premonição 3) morrem. Não há suspense nenhum nessa parte, e o que poderiam fazer, desperdiçaram. Uma morre off-screen, dentro do carro, e a outra tem a morte mais superficial, batendo no portão, fazendo com que um gelo pontudo derretendo no teto caísse direto no seu olho. O roteiro em alguns detalhes também pode irritar um pouco, por desafiar a inteligência de quem assiste, mas é só não se importar muito com a história e se divertir com o filme.

PONTOS ALTOS

Poucos poderão concordar comigo aqui, mas defenderei a obra, pelo menos um pouco. O que mais gosto nele é o dinamismo de como as coisas andam, de uma certa forma me agrada. É um bom slasher. Há uma história do assassino, garotas, uma final girl, mortes cheias de gore. O que mais falta? É um filme divertido e até lembra Premonição (cujo diretor é o mesmo) em alguns detalhes.

CONCLUSÃO FINAL

No geral, Natal Negro é um filme ruim. Por alguma ventura do destino, entretanto, acabei gostando muito dele. Talvez pela obra ser divertida. A melhor coisa é assistir sem pretensões ou expectativas para não haver decepções ou surpresas.

por Neto Ribeiro


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