19 de março de 2016

Crítica: Alta Tensão (2003)


Lançado no início da década, Alta Tensão foi um filme que pegou todos de surpresa. Uma dupla de franceses apaixonados pelo cinema dirigiram essa película que acabou chocando aqueles desavisados que assistem pela primeira vez. Lembro que vi ele em DVD, que saiu aqui pela Europa Filmes, e quando mais o filme prosseguia, mais imerso na história eu estava. Quando chega o final, você pode até soltar um "Puta que pariu, que filme louco!". Isso por que loucura é a melhor palavra pra definir ele.

Haute Tension (título original em francês) tem uma trama que pode não soar convidativa pra muitos a primeira vista: duas amigas, Marie (Cecile de France) e Alex (Maiwenn) vão para a casa dos pais da última, pensando em estudar para as provas do final de semestre da faculdade. A casa fica no interior e é bem isolada, cercada por um vasto campo, o que torna um local perfeito pra se concentrar. É também para um massacre.

No meio da madrugada, uma caminhonete para de frente a casa e seu motorista, um cara completamente normal, não descansa até invadir a casa, matando os pais e o irmão pequeno de Alex, enquanto Marie assiste a tudo assustada. Após ele ir embora, levando Alex consigo, Marie resolve ir atrás dele para salvar a amiga.


Sem poupar esforços, a direção de Alexandre Aja é ótima o bastante pra conduzir o filme bem. Não é a toa que após a estreia dele, os americanos tomaram de conta e o deixou responsável junto com seu parceiro de trabalho Grégory Levasseur pelo ótimo remake Viagem Maldita (2006). Há muitas cenas violentas, mas não parece nada gratuito demais, por que o roteiro se importa em trabalhar com o suspense, vide cenas bem tensas onde - se esconde do homem. No entanto, tais cenas violentas são sangrentas e sem piedade, como a que um dos personagens têm sua cabeça brutalmente decapitada (!).

O título não é levado como brincadeira e o que você mais irá receber enquanto assistir Alta Tensão é justamente isso, tensão mensurada e minimamente calculada, cenas de roer todas as unhas e coçar o cabelo, de trancar o rabo. O roteiro utiliza ambos elementos - suspense e violência - para chocar e deixá-lo lado a lado com as personagens em situações horríveis e desesperadoras.

ATENÇÃO (Spoilers): Chegando no final, o roteiro surpreende com uma reviravolta que pega de surpresa. No entanto, pode incomodar alguns por que essa reviravolta aparenta deixar alguns furos no roteiro. Mas se você prestar atenção, poderá notar que além do início - em que Marie num tipo de hospital é ordenada a falar as coisas do ponto de vista dela -, há uma cena em que Marie fala sobre um pesadelo em que ela se vê sendo perseguida e ela mesma está se perseguindo. O que leva muitos a dúvida desse final é uma cena em que vemos o assassino - antes do ataque na casa - só em seu carro na beira da estrada, com uma cabeça decepada fazendo sexo oral nele próprio! Fim dos spoilers.


Considerado um dos primeiros exemplares do movimento new french extremityAlta Tensão é um filme que eu gosto bastante de recomendar (faço sempre que possível), por que é bem dirigido e sabe trabalhar os elementos de sua história: o suspense com cenas bem tensas, o gore e a violência nas mortes e um final bem competente e cheio de surpresas.

PS: Interessante comentar que quando o filme foi lançado nos EUA e no Reino Unido, em 2005, a recepção da crítica foi fraca. Tanto que no Rotten Tomatoes, o filme contém apenas 40% de aprovação. Mais um caso para não confiar em pontuações desses sites. 

por Neto Ribeiro

Título Original: Haute Tension
Ano: 2003
Duração: 95 minutos
Direção: Alexandre Aja
Roteiro: Alexandre Aja, Grégory Levasseur
Elenco: Cécile De France, Maiween, Phillippe Nahon

Um comentário :

  1. Deveria ter dado 5 caveiras, esse filme eleva a tensão até o talo, é surpreendente, visceral e cru, seu final avassalador nos leva a pensar naquilo e depois assistir novamente para procurar compreender melhor a história. É o cinema francês ensinando ao mundo como se faz horror de verdade.

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