26 de março de 2016

Crítica: Halloween II (2009)


Chegando ao último filme da franquia do Michael Myers, esse aqui é um que devo admitir, é bem ruinzinho. Sequência do remake de 2007 de Halloween, o projeto foi dirigido por Rob Zombie, que já é meio conhecido por colocar umas viagens nos roteiros de seu filme. Após dirigir o remake, Zombie revelou que não queria dirigir a sequência (e o filme quase foi dirigido pelos diretores de A Invasora), mas depois mudou de ideia. Ganhando a confiança do famoso produtor da franquia Moustapha Akkad, Zombie recebeu cartão-verde para fazer o novo filme ignorando qualquer regra que os produtores tenham imposto no filme anterior.

Ou seja, Zombie poderia fazer o que quer na sequência. Primeiro, ele não queria fazer simplesmente um remake de Halloween II - O Pesadelo Continua (1981) - apesar de pegar a ideia para fazer a cena de abertura que tem 20 minutos. Escrevendo sua própria continuação da história do zero, Halloween II mostra potencial para um bom filme da franquia, mas tropeça nos melodramas do roteiro.


Isso por que ele resolveu transformar a nova Laurie Strode (Scout Taylor-Compton) em uma personagem "real". Um ano após os acontecimentos do primeiro filme, Laurie está vivendo com sua "não-tão-mais-melhor-amiga Annie (Danielle Harris), que sobreviveu após quase ser morta no primeiro filme e o pai dela e xerife da cidade (Brad Dourif).

Ainda bastante traumatizada com os eventos anteriores, Laurie parece piorar a cada dia que passa, com alucinações e pesadelos estranhos. Ela acredita que matou Michael, mas seu corpo nunca foi encontrado. Mas nós já sabemos que Michael está vivinho da silva, por que acompanhamos sua jornada de volta à Haddonfield, durante três dias até o Halloween. Mas fica a pergunta: para onde Michael teria ido tão longe para demorar 3 dias para voltar para a cidade?

Não podemos considerar aquela abertura né, gente? Os eventos mostrados no início do filme só podem ser validados até a cena em que Laurie é levada para a cirurgia. Por que, se Michael tivesse de fato matado os dois legistas após o acidente de carro, a polícia não teria achado os corpos e colocado ele como foragido? Um grande furo no roteiro foi esse.

Ah, enquanto acompanhamos Laurie enlouquecendo e Michael voltando a cidade, ainda há um terceiro arco: o Dr. Sam Loomis (Malcom McDowell), que conseguiu sobreviver à fúria de Michael em O Início. Agora, o personagem está completamente diferente e foi desconstruído. De preocupado com a segurança de todos por conta de Michael à um arrogante escritor que tenta vender seu livro em que relata a vida de Michael a todo custo, mesmo desrespeitando a memória dos mortos pelo assassino. 


Junta tudo num desfecho bem ridículo e temos a bomba Halloween II. O que mais irrita é que o filme tinha mesmo potencial de ser bom. Só que são tantos contras, tanto na história em si, quanto nos personagens, que acaba deixando o filme... irritante! Até entendo as intenções de Zombie com esse filme e acho que foram boas, mas o resultado final não chegou nem perto de ser satisfatório.

Toda a revolta de Laurie - somada com a péssima atuação de Scout Taylor-Compton - deixaram suas cenas muito desconfortáveis, tudo parecendo forçado demais. A ridicularização do Dr. Loomis me irritou bastante, fez com que me deixasse pensando direto em suas cenas "Não, isso tá errado, tá tudo errado!". 

Em compensação, as mortes não decepcionam e o gore foi redobrado no filme. Talvez seja uma das poucas coisas que o filme acerta em cheio. Em destaque, há as mortes do hospital (apesar de tudo ser um sonho de Laurie, só aqueles 20 minutos foram melhores que o filme inteiro) e a cena do reencontro de Annie e Michael.

Para mim, em toda a franquia Halloween, esse aqui é o segundo pior (não tira a coroa de Ressurreição de jeito nenhum). É um filme bagunçado e desestruturado, que irrita mais do que agrada. 

por Neto Ribeiro

Título Original: Halloween II
Ano: 2009
Duração: 106 minutos
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie
Elenco: Scout Taylor-Compton, Malcom McDowell, Tyler Mane, Brad Dourif, Danielle Harris



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