19 de março de 2016

Crítica: Sexta-Feira 13 - Parte 2 (1981)


Depois  do sucesso que o primeiro filme havia sido, era lógico que a Paramount Pictures começara a planejar uma continuação. Em meio ao planejamento, surgiu a ideia de que seria lançado um "Sexta Feira 13" por ano, como o que aconteceu com "Jogos Mortais", entretanto, os filmes não teriam conexão uns com os outros, sendo cada longa, uma história diferente. Philip Scuderi, um dos três proprietários da Theatre Esquire, juntamente com Steve Minasian e Barsamian Bob, que produziram o filme original, insistiram que a sequência tinha que ter o Jason Voorhees, filho de Pâmela, mesmo que a sua aparição no filme original fosse apenas para uma piada da produção. Steve Miner, produtor associado no primeiro filme, entendeu a ideia e alegou que viria dirigir as duas primeiras sequências (partes 2 e 3), depois que Cunningham decidiu por não retornar à cadeira do diretor. Miner usaria muitos dos membros da equipe do primeiro filme, enquanto trabalhava nessas continuações.

Lembro que esse foi o último filme da franquia que eu vi (assisti a franquia fora de ordem). Demorei cinco anos do momento em que me interessei pelos longas da franquia até o momento em que vi todos os 11 filmes (naquela época, não tinham lançado o filme de 2009) , na ocasião em questão, não tinha como vê-los na internet e nem em DVD, era a boa e velha locadora e o VHS.


Uma coisa que eu gostava muito de fazer, era ir à locadora para ler as sinopses do filmes, mas quando achei "Sexta Feira 13 Parte 2", eu me esqueci que não tinha dinheiro e levei o longa para casa, era o único filme do Jason que eu ainda não tinha visto, e aquela era a minha chance. Depois de 87 minutos, eu cheguei a conclusão de que essa parte 2, é um ótimo filme que segue o mesmo ritmo do original, contudo, um pouco inferior. Isso chega a ser uma contradição com a crítica especializada que falou muito mau do filme alegando que ele era clichê e bem 'mais do mesmo', não descordo, mas isso não quer dizer que o filme é ruim.    

Essa parte 2 foi lançada em 1981, ou seja, um ano após o lançamento do original, provavelmente essa pressa aconteceu justamente para ele pegar carona do sucesso do primeiro filme. O longa começa dois meses depois dos eventos do filme original, Alice, a única sobrevivente do massacre do acampamento Crystal Lake, acorda de um pesadelo onde ela revia os minutos finais da vida de Pâmela antes de ser decapitada pela moça. A jovem está tentando reconstruir sua vida, mas quando ela abre a porta da geladeira encontra a cabeça decepada da "Mrs. Voorhees" e uma pessoa aparece e fura a cabeça com um picador de gelo. Nós não vemos o rosto do assassino, mas logo percebemos que o filme está usando a mesma técnica do primeiro para manter um clima de mistério e um tenso ar atmosférico.

Cinco anos depois, Paul Holt (John Furey) abre uma colônia de férias no Centro de Treinamento em 'Packanack Lodge', que fica ao lado do agora extinto acampamento Crystal Lake, conhecido como "Acampamento Sangue" ou "Acampamento Sangrento". O louco do Ralph (O velho do primeiro filme que alerta o grupo da maldição de Crystal Lake), tenta alertar o grupo sobre o perigo que se aproxima, mas é novamente ignorado.

Uma cena bem legal acontece de noite ao redor da fogueira onde Paul conta para o grupo a história do Jason, o garoto que se afogou, mas não morreu e viu a sua 'mãe assassina' ser decapitada no dia do seu aniversário, na sexta feira 13, no acampamento Crystal Lake. Ralph, está a espreita observando tudo, aqui temos a última aparição dele que é estrangulado com arame farpado pelo assassino. Mesmo depois dele ter alertado os monitores do filme anterior e ter acontecido o que aconteceu, parece que aqui, as pessoas continuam não dando bola para ele a achando que ele é louco.

No dia seguinte, dois dos monitores, Sandra e Jeff,  entram nos limites de Crystal Lake e são capturados e escoltados de volta ao centro por um policial. Na saída, o policial avista uma estranha figura atravessando a rua e correndo para mata adentro, e a segue até Crystal Lake. Na perseguição, o policial descobre uma cabana em ruínas e é morto com uma martelada na cabeça. Aliás, cena essa muito parecida com a morte de um policial em 'Halloween 2 O Pesadelo Continua', contudo, nem dá para dizer que se trata de plágio já que o Halloween 2 foi lançado em outubro daquele ano, seis meses depois do lançamento dessa Sexta Feira 13 parte 2. 

Na noite daquele dia, a maioria dos monitores vão à um bar local, deixando seis jovens para trás que decidiram aproveitar a noite na calmaria do local: Sandra, Jeff, Scott, Terry, Vickie e Mark (o paraplégico). Uma cena muito legal relacionada a esse momento é quando o sexteto entra na cabana principal e do lado de fora nós vemos a sombra de alguém se movimentando ao redor da casa como se os jovens estivessem sendo observados todo o tempo.

 Scott é aquele típico tarado que espiona Terry e fica fazendo gracinhas com ela como: roubar as suas roupas, acertar uma pedra no traseiro dela, passar a mão nele, essas coisas. Durante a calada da noite, Terry resolve ir nadar no lago, porém, Scott está no local e tenta brincar com a garota, é aí que ele acaba preso em uma armadilha de corda.

Aqui temos uma situação que virou alvo de muito debate entre os fãs da franquia, particularmente, acho que é uma discussão desnecessária, mas, vamos lá. No filme de 2009, um rapaz fica preso numa armadilha de urso que o Jason havia colocado lá. Muitas pessoas falaram: "Não faz o estilo do Jason colocar armadilhas" ou "Jason nunca usou armadilhas antes". Bem, aqui fica subtendido que o Jason usa armadilhas sim, uma vez que, segundo Paul, não existem ursos na região. Terry sai para pegar uma faca, mas descobre que a garganta de Scott foi cortada antes de seu retorno. Nós não vemos a morte de Terry, apenas vemos ela gritando após ver o psicopata na sua frente.

No bar Paul, Gina e Ted discutem sobre a lenda do Jason Voorhees e como ele seria se ainda estivesse vivo. Ginny (Amy Steel de "A Noite da Brincadeiras Mortais" de 1986), toca num ponto bem legal da história, ela visualiza o lado do Jason como uma pessoa que cresceu sem saber diferenciar o bom do mal, o certo do errado, sem um encaminhamento educacional ou alguém para lhe orientar... Vale dizer que nesse filme, nada indicava que o Jason era um ser imortal. Até aqui, ele era um deficiente físico e mental que sobreviveu a um afogamento e ficou vagando na floresta. 

No acampamento, quando Vickie deixa o Mark para se arrumar para ele, o cadeirante é morto com uma terçadada na cara, a cena dele morrendo e despencando escada abaixo é sem dúvidas um dos pontos altos do filme, e talvez, uma das mortes mais marcantes da franquia, vale dizer que esse foi o único filme de toda a saga onde o Jason matara um deficiente físico, isso deu créditos ao filme, além desse longa, outro cadeirante que foi morto em um filme de terror, foi o Franklin de "O Massacre da Serra Elétrica" de 1974, filme esse que é uma grande referência ao gênero terror.

Logo em seguida, Sandra e Jeff são empalados com uma lança enquanto faziam sexo. Enfim, quando Vickie entra na cabana principal, não encontra ninguém, apenas um homem com um saco na cabeça que estava deitado na cama e o corpo de Jeff atrás da porta. Bem, a moça leva uma facada daquela entidade e morre ali mesmo.

Até aqui, ninguém tem certeza de que o assassino em questão é o Jason, pois quase nada sugere isso, além disso, o conto do Paul ao redor da fogueira, aparentemente não passava de uma brincadeira, afinal em acampamentos, é comum todos se reunirem para contarem uma história de terror. Talvez, a cabana onde o policial morrera tenha sido um indício de quem se tratava, mas só isso não dá a certeza de que o Jason é o assassino.

Paul e Ginny voltam para o acampamento e encontram o local vazio. Paul é atacado pelo vilão e Ginny foge... Em meio a alguns encontros e desencontros entre a moça e o assassino, Ginny entra pela mata e finalmente chega ao casebre do vilão, aqui sim, nós temos a confirmação de que se trata do Jason, além dos corpos de algumas vítimas, a cabeça de sua mãe e o suéter que ela usou no filme original, estão numa espécie de altar. Aliás, foi isso que impressionou o policial antes de morrer.


Enquanto Jason tenta abrir a porta do quarto, Ginny se arrisca com uma ideia ousada, ela veste o suéter de Pâmela e finge ser a própria para o Jason. É interessante notar que Jason obedece Ginny achando que é a sua mãe, aqui, fica claro que o assassino possui respeito e ama Pâmela Voorhees, talvez, a única pessoa no mundo que ele obedece (ainda não sabemos como era relação do Jason com o seu pai, Elias). Essa cena também ganha destaque pela participação especial da nossa eterna mãe do Jason, Betsy Palmer, que embora pequena, caiu como uma luva na trama, dando ao público o ponto de vista do Jason ao ver Ginny fingindo ser a Pâmela. 

Quando Jason percebe a armação de Ginny, o assassino tenta matá-la, mas Paul aparece e trava uma briga com o vilão. Ginny, aproveita o momento, pega o terçado e a enfia com toda a força no ombro de Jason que cai no chão, aparentemente, morto. Antes de saírem da cabana, Paul tira o saco da cabeça do Jason... Nós não vemos o seu rosto nessa parte, mas  pela reação do casal, o que dá a entender é que se trata de algo chocante.

Paul e Ginny voltam para a cabana, é aí que quando tudo parecia bem, o Jason pula pela janela gritando e com os braços abertos, prontos para agarrar Ginny. Jason estava barbudo e cabeludo, o lado direito de seu rosto era totalmente deformado. É uma cena feita em câmera lenta que mostra nitidamente o assassino, e também, de certa forma, homenageia o filme original com a cena do pequeno Jason puxando a Alice para dentro da água no final. Devo admitir, foi um ótimo susto, aliás, o filme é repleto de bons sustos daquele que você pula da cadeira e depois começa a rir de si mesmo.

A última cena do filme é um pouco confusa, nós vemos a Ginny sendo levada pela ambulância, a moça perguntava por Paul que estava sumido... Ninguém sabe o que aconteceu com ele, por esse motivo, a público alega que ele morreu numa brica contra o Jason enquanto Ginny estava desacordada. No entanto, se for o caso, porque o  Jason não matou a Ginny?... Enfim, acredito que esse final deixa um ponto de interrogação na cabeça de muitos fãs da franquia, mas ao mesmo tempo, não é nada que vá fazer a pessoa desgostar da película.


Vendo o filme pela primeira vez e na ordem certa, pode ser uma sequência boa que faz jus ao original, mas também, depois de ver toda a franquia, essa parte dois cai no 'mais do mesmo' o tornando um filme ainda mais clichê que o primeiro, com as suas situações previsíveis. Podemos dizer que "Sexta Feira 13 Parte 2" pegou algumas cenas de outros filmes de terror de sucesso como o "O Massacre da Serra Elétrica" e adaptou, dessa forma, fazendo com que as mortes não sejam idênticas, mas que lembram esse filmes. A trilha sonora, não é tão boa quanto a original, mas faz justiça ao filme.

Como disse acima essa parte 2 é de 1981, e nessa época, ninguém sabia do ícone que o Jason iria se tornar, aqui ele nem usa a sua famosa máscara de hóckey. No mundo contemporâneo, esse filme é uma relíquia já que é o único filme em que o Jason aparece e não usa a máscara em nenhum momento. Nos outros filmes que seguiram, o Jason sempre arranja um jeito para usar a sua clássica fantasia. Outra coisa, é que para mim, sobreviveu uma turma nesse filme, Além da Ginny, Ted e um grupo de jovens que ficaram no bar, foram poupados.     

Então com tudo que foi exposto, posso dizer que mesmo sendo inferior, o longa funciona bem como uma continuação do original, e como parte da franquia de 12 filmes, ele não é o melhor, mas também está longe de ser o pior. E, particularmente, não me arrependi de ficar endividado na locadora. Por esse motivo a minha nota para ele é: 7,0.

Abaixo estou trazendo algumas curiosidades a respeito desse filme: 

• O filme possui uma das mais longas sequências de créditos da história do cinema, que dura aproximadamente 15 minutos.

• Foi necessário que 48 segundos do filme fossem deixados de fora do filme na hora da edição para que assim fosse evitado uma censura de 18 anos.

• Numa das cenas editadas do filme, bem no final, seria possível ver as "tripas" de Jason. Lá dentro
apareceria o rosto de Pâmela, que abriria os olhos durante a cena. A Paramount decidiu pelo corte da sequência por essa parecer muito pouco real.

• A cabeça da senhora Voorhees vista na cena final é de uma atriz maquiada.

• Apesar do papel de Jason ser creditado a Warrington Gillette, a maioria das cenas do assassino foram feitas pelo dublê Steve Dash. Gillenet teria feito apenas a cena quando Jason aparece sem o saco na cabeça.

• Adrienne King costuma declarar que a sua personagem Alice não morreu. Ela alega que nunca vimos o corpo sem vida de Alice. Na verdade, na cena na qual Ginny encontra a cabeça da mãe de Jason, é possível ver um esqueleto com um furador de gelo no crânio. Trata-se do cadáver de Alice.

• A atriz Amy Steel deveria retornar em um terceiro filme, mas as negociações não foram para frente. No livro Crystal Lake Memories, ela diz que um dos seus maiores arrependimentos na vida foi o de não ter voltado para a terceira parte. No entanto, Ginny aparece por alguns segundos durante um telejornal local que narra os assassinatos desta parte 2.


Diretor: Steve Miner, Sean E. Cunningham.
Produção: Steve Miner.
Roteiro: Ron Kurz, Phil Scuderi.
Elenco: Amy Bell, John Furey, Adrianne King, Warrington Gillette.
Orçamento: U$1 milhão.
Receita: U$21 milhões.

Por: Michael Kaleel.

2 comentários :

  1. Bom, como sei que a crítica é do ponto de vista do autor, só posso dizer que discordo quando você diz que essa sequência é inferior. Pra mim foi o melhor filme da franquia, com a melhor mocinha, as melhores cenas de perseguição e mortes muito criativas. Vale ressaltar também que Jason nunca mais foi tão humano quanto nesse filme. Nas próximas sequências ele se transforma numa espécie de assassino sobrenatural, capaz de sobreviver a ferimentos gravíssimos. Pra mim este é o verdadeiro clássico de sexta-feira 13.

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