22 de abril de 2016

Crítica: Baby Blood (1990)


Olhando e pensando em várias décadas do terror, os anos 90 é, sem duvida, a década que mais produziu filmes obscuros que não ganharam o reconhecimento merecido por parte do publico e acabaram caindo no esquecimento. Posso citar vários filmes que eu colocaria facilmente em uma lista de melhores filmes dos anos 90 e que, infelizmente, não são lembrados hoje em dia.

Você já ouviu falar em um pequeno filme francês chamado Baby Blood? Provavelmente não! Ainda mais tendo em mão que o filme nem ao menos foi lançado em VHS no Brasil e continua inédito até hoje, e nos Estados Unidos só é lembrado pela galera que realmente entende e/ou aprecia o gênero; o que é uma pena, já que esse filme merecia status de clássico e um dos melhores filmes dos anos 90.

O filme é uma produção francesa também conhecida como The Evil Within, titulo alternativo do filme nos Estados Unidos, onde foi lançado em 1990, no mesmo ano em que o filme saiu na França.


A direção é do francês Alain Robak, que infelizmente não emplacou como diretor, tendo dirigido só curtas e alguns episódios de séries de TV na frança. Em Baby Blood ele também assina o roteiro com a ajuda de um tal de Serge Cukier, que também não emplacou como roteirista, o que também é uma pena, já que o roteiro do filme embora simples, é criativo e engenhoso, mesmo que remeta a outros filmes conhecidos do gênero.

O filme começa de uma forma um tanto quanto bizarra, ao abrir com a narração de uma forma de vida de milhares de anos que informa o publico que ainda espera nascer e popular a terra com outros seres da mesma espécie. Não temos muita informação sobre o que é, ou de onde veio essa tal forma de vida, só sabemos que ela vai ser o foco de todo filme. Tal criatura/ser/forma de vida/parasita, entra dentro de um leopardo, que é levado da selva para um circo na França. Circo esse onde vive e trabalha a nossa protagonista Yanka, interpretada pela gostosíssima Emmanuelle Escourrou (mais uma que não emplacou).

Bom, Yanka faz parte da trupe do tal circo e mora ali em um trailer junto com um marido babaca, violento e autoritário, que trata a moça como lixo. Do lado do trailer onde eles moram, o ser parasita explode o leopardo em que estava hospedado e em seguida entra dentro da Yanka pelo canal vaginal enquanto ela dorme.

Logo, a criatura começa a se comunicar com Yanka telepaticamente (algo que remete ao divertido O Brain Damage de Frank Henenlotter, só que com uma abordagem um pouco mais séria e obscura, embora tenha seus momentos de humor negro). A forma de vida precisa de sangue humano para se desenvolver dentro do útero e mais tarde nascer. Sem saber direto com agir, Yanka foge do circo, deixando o marido para trás e passa a viver isolada em um pequeno quarto no centro da cidade tentando resistir aos desejos da criatura que exige sangue o tempo todo e diz que caso ela tente matar ele, ele matará ela e, para persuadir a moça, a criatura causa muita dor a ela.

Sem alternativa, Yanka segue o mesmo esquema da Julia em Hellraiser - Renascido do Inferno e decide seduzir homens e leva-los até o seu quarto onde os mata para alimentar a criatura. Tudo isso rende cenas violentíssimas, onde o sangue jorra na tela em profusão, além da nudez total da protagonista, coisa de encher os olhos de qualquer um. Há inclusive uma cena em que a moça esfaqueia um cara de forma tão violenta que o sangue jorra em todo seu corpo, numa das cenas mais lindas que eu já vi em um filme.


Em outra cena memorável, a moça está prestes a dar a luz ao "bebê" em uma ambulância, onde ela mata um dos enfermeiros enchendo ele de gás até o mesmo inchar e explodir, deixando pedaços do corpo espalhados.

Da metade até o final, a personagem vai surtando e começa a simpatizar com o ser em sua barriga, matando homens sem dó. Inclusive o filme mostra quase todos os homens como seres desprezíveis, tratando a protagonista como um objeto, isso faz com que o público crie simpatia pela personagem, tem até uma cena em que a moça quase é estuprada por um grupo de homens. Não sei se foi a intenção do diretor, mas o filme parece uma crítica de como a mulher é tratada na sociedade, de qualquer forma ele acertou ao colocar isso no roteiro, funciona muito bem no filme.


O filme remete a várias produções conhecidas do gênero que vieram antes e depois, como o já citado Brain Damage (1988), o igualmente bizarro O Mistério de Grace (2009), A Invasora (2008), Nasce um Monstro (1979), O Bebê Maldito (1991), inclusive curiosamente a continuação de O Bebê Maldito foi lançado na Alemanha como uma continuação direta de Baby Blood, mesmo sem ter relação alguma com esse filme.

Taí a capa do VHS alemão:

No Brasil o filme saiu com o titulo Bebê Maldito 2 apenas em VHS

Em 2008 foi lançada uma continuação oficial intitulada "Lady Blood", dirigido por um tal de Jean-Marc Vincent e com Emmanuelle Escourrou de volta. É uma produção bem modesta e pelo trailer não parece boa coisa. Veja o trailer clicando aqui


Baby Blood é um filme bizarro que certamente merecia mais atenção e reconhecimento. Está acima de vários filmes dos anos 90 que o pessoal considera clássico e não são, como Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, que não passam de filmes regulares que sempre aparecem em listinhas de filmes dos anos 90, mesmo sendo fracos. Baby Blood, porém fica um pouco abaixo das produções francesas que saíram depois como Martyrs (2008), A Invasora (2007), A Fronteira (2007). entre outros.

Um filme regado a sangue, nudez e bizarrice que com certeza vai fazer a felicidade dos fãs do gênero. Assistam!!!

por Marcelo Alves

Diretor: Alain Robak
Ano: 1990
País: França
Duração: 82 minutos
Elenco: Emmanuelle Escourrou, Christian Sinniger, Jean-François Gallotte

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