5 de abril de 2016

Crítica: Lake Mungo (2008)



Hoje em dia, admito que desisti oficialmente do gênero found-footage. Dificilmente perco meu tempo vendo algum filme nesse estilo e só abro exceções quando estou realmente curioso por ele. Um que se encaixa nesse quesito é Lake Mungo, produção australiana de 2008 que foi lançada no extinto festival AfterDark: 8 Films to Die For, que trazia por ano 8 longas originais de terror.

Já conhecia de fato o filme e sempre pensei que vê-lo, mas nunca tinha a iniciativa de fazer isso, até arranjar um tempinho livre. Confesso que me desanimei um pouco ao ver que a produção assumia o formato mockumentary, um documentário falso, como aqueles que passam no History Channel. Um exemplo bom desse estilo é o também australiano The Tunnel (filme sobre um trio de jornalistas que ficam presos em túneis de esgoto abandonados de Sydney), que eu recomendo bastante.

Foi só depois de alguns minutos que eu realmente entendi o que o filme trazia como proposta e posso dizer que não me arrependo de ter dado uma chance para o longa - e espero que façam o mesmo.


A história acompanha uma família em luto. Em dezembro de 2005, a adolescente Alice Palmer desapareceu em um lago durante um piquenique com seus pais e seu irmão. Dias depois o corpo dela foi encontrado já em decomposição. Alguns meses após o incidente, a família começa a testemunhar algumas coisas na casa que leva a crer no fantasma da falecida filha.

A princípio Lake Mungo parece que irá explorar o já manjado sobrenatural, com imagens de sombras andando pela casa de madrugada, etc. Mas não é isso que o filme faz. Ao invés, ele explora mais o drama dos personagens e a identidade de Alice, mostrando que tudo o que parece não é.

Como esperado, nenhum dos atores são rostos familiares. Além do filme vir da Austrália, ele procurou montar o elenco desconhecido para dar um ar mais real à história.


Não falo como se o filme fosse algo extraordinário. No entanto, é interessante a abordagem da história e como ela se reinventa de 20 em 20 minutos. Na metade do filme, há algo que parece um balde de água fria naqueles que esperavam algo mais clichê da história e é a partir desse ponto que você se decide se irá gostar dele ou não.

SPOILERS. O desfecho do filme pode não agradar a todos, simplesmente por que não explica muita coisa. Pelo visto, Alice conseguiu “prever” a sua morte antes de acontecer e só. Mas ele me agradou por que ele tem uma pegada interessante e me pareceu um final bem conclusivo para os personagens. A família da moça que simplesmente parecia não ter sossego, mesmo quase 2 anos após a morte dela. SPOILERS.

No final das contas, Lake Mungo é um exemplo interessante, apesar de não muito original, de como fazer um filme que te deixa inquieto. Me lembrou um pouco Megan is Missing (outro mockumentary que recomendo). O mais bacana de tudo é que ele faz muito com pouco. Só aqueles closes nas fotos das filmagens em que Alice aparentemente aparecia já foi o suficiente para me deixar meio desconfiado de madrugada.
por Neto Ribeiro

Título Original: Lake Mungo
Ano: 2008
Duração: 89 minutos
Direção: Joel Anderson
Roteiro: Joel Anderson
Elenco: Talia Zucker, Rosie Traynor, David Pledger

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