6 de abril de 2016

Crítica: Rua Cloverfield, 10 (2016)

Quem me conhece sabe que eu sou literalmente obcecado pela história de Cloverfield. Devo dizer que é difícil não ficar, certo? Na história dele, um grupo de amigos nova-iorquinos se encontram no meio de um ataque de um monstro gigante na ilha de Manhattan. Por ser um filme limitado, todo aquele mistério deixado no ar fez com que eu lesse trocentas teorias sobre a história e estava no grupo daqueles que esperam desde 2008 uma continuação.


Desde então, especulações vai, especulações vem, mas nada de concreto era anunciado... até janeiro desse ano. Durante uma exibição do filme mais recente de Michael Bay, um trailer foi ineditamente mostrado, de um filme chamado 10 Cloverfield Lane. Projeto misterioso com "Cloverfield" no nome? A internet foi a loucura, ninguém esperava.


A falta de informações do novo filme também contribuía para as altas expectativas em cima do projeto. Enquanto J. J. Abrams confirmou que ele era "um primo distante" de Cloverfield, ninguém podia evitar esperar pelo menos algumas informações sobre o filme anterior. Para derrubar logo o balde de água fria: não tem tais informações. Recentemente também descobri que o diretor, Dan Trachtenberg, havia comentado que não achava que os dois filmes se passavam num mesmo universo.

Em sua projeção de cerca de 100 minutos, Rua Cloverfield, 10 tem a história dividida em duas fases: a "interna" e a "externa". Vou explicar um pouco mais a frente o que é isso. Devo falar logo que nem de longe, o filme lembrou Cloverfield. Na verdade, ele é um projeto mais independente e funciona mais em relação à isso. Com a já conhecida rainha da porra toda Mary Elizabeth Winstead (a Wendy de Premonição 3, além de estrelar o remake/prequel de The Thing) no papel principal, o filme nos entrega uma história simples.


Após brigar com seu noivo, Michelle (Winstead) resolve sair da cidade. Ela acaba se envolvendo num acidente, deixando-a inconsciente. Quando desperta, ela se encontra presa num quarto, com seu joelho machucado. Seu 'raptor' é Howard (John Goodman, atuando bem como sempre), que tenta explicar o que houve para a moça. Segundo ele, houve ataques nucleares, deixando o ar tóxico. Antes disso, ele a encontrou na estrada e a levou para o seu bunker.

Claro que ela não acredita e fica o tempo todo planejando como sair do lugar, co-habitado também por Emmett (John Gallagher, Jr), um cara local que conhecia Howard já antes do "ataque". Ele confirma a história do cara até, dizendo que viu um com os próprios olhos.

Um ponto alto na história é que 90% do material mostrado nos trailers param nos 40 minutos do filme, deixando cerca de 50 ainda para serem descobertos pelo público quando forem ver. Esse tipo de mistério e cuidado com a história vem desde Cloverfield, apesar de que recentemente um poster internacional do filme foi divulgado contendo um spoiler gigantesco do final. Clique aqui para ver o poster.



Além de que, quem não procurou saber muito do filme, não sabe lá o que esperar do desfecho. Tem umas cenas intrigantes no trailer, mas são muitas variáveis do que pode acontecer no final, certo? E falando do final, devo admitir que só não dei a nota máxima do filme por causa dele.

Atenção: A partir daqui haverá spoilers sobre o final do filme. Se quiser ler, vá por conta própria. No final das contas, Howard estava certo, houve um ataque sim. Michelle consegue fugir do bunker, após Howard matar Emmett e ela matar Howard, colocando fogo no lugar. Quando chega no lado de fora, onde há um vasto milharal, encontra uma nave gigantesca pairando longe no ar. O bunker explode, chamando atenção da nave, que começa a persegui-la. Ela consegue destruir a nave com um coquetel explosivo e vai embora com um carro, quando escuta no rádio uma mulher falando sobre uma base de sobreviventes em Houston, pedindo ajuda.

Se por algum acaso, esse ataque ocorreu na mesma noite que o ataque do monstro em Nova York no Cloverfield, ninguém sabe. Isso se os filmes se passarem no mesmo universo. Depois de assistir, fiquei pensando no que eu achei do final, por que eu simplesmente não sabia como me posicionar em relação a ele. É interessante mas parece completamente deslocado do resto do filme. Não só por que uma nave alien gigante aparece no final de um filme de suspense. Seria compreensível se o final fosse conectado de alguma forma à Cloverfield, sabe? Fim dos spoilers.


O que o filme mais consegue destacar é sem dúvidas o suspense, a fase interna do filme que se passa dentro do bunker. A fase externa é a que vem depois. Todo aquele clima de desconfiança, de paranoia, do 'que-rumo-a-história-vai-tomar-agora', da mudança de planos, etc, é o que realmente faz o filme ser bom. A direção de Dan Trachtenberg em seu primeiro filme é segura e já pede para ficarmos de olho em seus próximos projetos.

No entanto, o que me chateou foi ver que toda essa campanha de marketing relacionada ao filme de 2008 foi só pra enganar todo mundo achando que ia ver alguma coisa a mais do monstro, ou ter explicações, o que realmente não acontece. Cloverfield no filme não é nada além de um nome de uma rua. Essa forçação de barra foi o verdadeiro 'empata-foda' de Rua Cloverfield, 10. Não achei que tinha necessidade disso, até por que o filme já era ótimo melhor até sozinho - visto que o projeto inicial (que ia se chamar The Cellar) foi comprado pela Bad Robot e as """conexões""" com Cloverfield foram adicionadas antes das gravações.

Então, se você que está lendo está ansioso para ver o filme, saiba que eu recomendo sim. É sem dúvidas um dos melhores suspenses dos últimos anos. Mas não vá assisti-lo só por que ele é aparentemente conectado a uma franquia, entende? 

Ainda é cedo para dizer, mas posso garantir que o filme vai tá presente na lista de Melhores de 2016 do blog no final do ano. Por hoje é isso, abraços.

por Neto Ribeiro

Título Original: 10 Cloverfield Lane
Ano: 2016
Duração: 106 minutos
Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Damien Chazelle, Josh Campbell, Matt Stuecken
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, John Goodman, John Gallagher Jr, Suzanne Cryer, Bradley Cooper

Description: Rating: 4 out of 5

2 comentários :

  1. Anônimo4/12/2016

    Compartilho da mesma sensação que a sua amigo! Filme show de bola, com todo aquele terror psicológico e claustrafobico! Mas, como comentei com meu irmão, esse filme deixa qualquer fã do clover de 2008 muito puto

    ResponderExcluir
  2. Nem preciso falar mais nada, se não fosse o nome Cloverfield não teria gerado a frustração, pq se trata de um filmaço (menos o final que parece que vemos outro filme).

    ResponderExcluir