7 de maio de 2016

Crítica: Garota Exemplar (2014)


Aviso: O post abaixo contém spoilers.

No dia de seu aniversário 5 anos de casamento você acorda, sozinho em casa. Dá uma saída e quando volta, nota que sua esposa está desaparecida. Há sinais de luta na casa. Você chama a polícia e o caso acaba recebendo mais atenção do que o normal, já que sua esposa era um tipo de celebridade infantil. E então, você vira o principal suspeito do possível crime.

Pode parecer um pouco clichê, mas com certeza não é. Garota Exemplar é um thriller dirigido por ninguém mais ninguém menos que o David Fincher, já profissa em dirigir filmes nesse estilo. Veja Clube da Luta (1999), Se7en (1995), Zodíaco (2005) e O Quarto do Pânico (2002). O filme em si é baseado no best-seller de mesmo nome, escrito por Gillian Flynn, que também escreveu dois outros livros: Lugares Escuros (adaptado pro cinema em 2015) e Objetos Cortantes (que tem uma série sendo produzida pela HBO).

Esse filme foi um que me pegou inteiramente de surpresa, já que assisti sem expectativas só para passar o tempo. Não conhecia a história nem tinha muito interesse nela e fiquei boquiaberto quando terminou e os créditos subiram. 

Isso por que a direção de David Fincher não precisou de muitas alegorias para te prender, já que assim que somos introduzidos aos personagens e ao mistério principal, já somos fisgados. O protagonista Nick Dunne é interpretado por Ben Affleck (o novo Batman) e sua esposa é Amy Dunne (a estupendamente maravilhosa Rosamund Pike, Doom). Os pais de Amy eram escritores de uma famosa personagem infantil, baseada nela, chamada Amy Exemplar. Por causa disso, quando Amy desaparece no dia do aniversário de casamento, todo o circo jornalístico é armado.

A investigação é conduzida pela Detetive Rhonda Boney (Kim Dickens, a protagonista de Fear the Walking Dead), que não tem como não suspeitar de Nick. Vestígios de sangue foram encontrados no chão da cozinha, um diário de Amy indicava que ele a violentava constantemente e para completar, o cara tava tendo um caso com uma estudante.


Toda a história é construída até então por alguns flashbacks. A grande jogada de mestre do roteiro é utilizá-los para manipular a história, já que eles são baseados nas narrações do diário de Amy. É logo na metade do filme que vemos a primeira virada de jogo. A partir daí, o filme só subiu no meu conceito. Já o vi cerca de 3 vezes desde que lançou e sempre é a mesma experiência. Acabei gostando demais do filme, se não perceberam.

Não li o livro ainda, portanto não sei se tal fato ocorre nele. Mas no filme pude perceber que além do suspense e do mistério envolvendo Amy, a sociopatia e a crítica ao sensacionalismo midiático foram detalhes adicionados à história, como se pode ver no desfecho meio pessimista. Um grande exemplo disso é na cena em que Nick vai até a conferência de polícia para falar sobre o desaparecimento da esposa e tiram uma foto dele sorrindo. A imprensa então o ataca, acusando-o de não estar ligando para a situação, o que aumenta as suspeitas sobre ele. Outra coisa legal é que o filme parece começar como um romance trágico. Quando conhecemos o casal Dunne, vemos sua história, etc.

Então começa o suspense. Seria Nick o responsável pelo sumiço de Amy? Se sim, onde está Amy? A história segue caminhos imprevisíveis até a revelação principal do filme: Amy armou tudo para o marido e se mandou. Ela é a sociopata da história. Começamos a ver a história então por outro ponto de vista, no caso o de Amy.

"Quando eu penso na minha mulher, eu sempre penso na parte de trás da cabeça dela.
Eu vejo seu lindo crânio quebrando, dissecando seu cérebro, tentando achar respostas."

A atuação de Rosamund Pike chegou a me assustar. Não é à toa que ela foi indicada ao Oscar pelo trabalho. Realmente ela soube como parecer indefesa e logo depois, parecer uma filha da puta, rs. O ápice disso é comparar a primeira cena do filme (a do gif acima) com a última cena (clique aqui para ver). São basicamente a mesma coisa. Mas numa nós achamos algo sobre Amy e na outra nós sabemos.

Sem dúvidas, Garota Exemplar é um filme imperdível. Alguns podem achar que eu estou exagerando, ou não, mas é simplesmente por que ele tem todas as características que me fazem gostar de um bom suspense.

por Neto Ribeiro

Título Original: Gone Girl
Ano: 2014
Duração: 149 minutos
Direção: David Fincher
Roteiro: Gillian Flynn
Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Kim Dickens, Carrie Coon, Tyler Perry, Patrick Fugit

Description: Rating: 5 out of 5

2 comentários :

  1. Esse filme é incrível, tudo nele é extremamente perfeito, a atuação da Rosamund é sem igual, na metade do filme, quando vc descobre o q aconteceu, vc tá tão preso ao roteiro que pensa q o filme terminará ali, com a revelação de q ela armou tudo, mas não, o filme continua e mostra o quão filha da puta ela é, e o quão nós nos apaixonamos por ela, e no fim, percebemos q não teve felicidade, mas foi perfeito, eu quero ler o livro, dizem ser excelente tbm, o filme é uma obra de arte.

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  2. O livro é tão bom quanto. A adaptação foi perfeita. Filme maravilhoso.

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