3 de junho de 2016

Crítica: The Children (2008)

Umas crianças não, uns demônios.
Filmes com crianças psicóticas nós já temos aos montes. Colheita Maldita, A Orfã e outros são só alguns exemplos. Recentemente o Michael fez uma lista dedicada a esses filmes que você pode conferir aqui. Nessa lista, me interessei por um em particular, que até então só tinha ouvido falar mas nunca tinha dado bola. No caso, The Children.

Essa produção inglesa passou batida aqui no Brasil (pra variar), por isso muita gente não conhece. Mas meus amigos, que filmaço! Primeiro por que o filme consegue fazer um produto bom através de um tema já batido. Depois, só o fato do filme não ser americano conta bastante (o que convenhamos, dá uma liberdade maior para a produção, já que uma história tão interessante exige isso e talvez o filme teria sido muito prejudicado pela censura).

A história na verdade é bem simples. Duas irmãs resolvem juntar as famílias pra passar os feriados de fim de ano juntos. A primeira, Elaine (Eva Birthistle), vai com seu novo marido Jonah (Stephen Campbell Moore), sua filha rebelde Casey (Hannah Tointon) e seus dois filhos mais novos, Miranda e Paulie (Eva Sayer e William Howes). A outra é Chloe (Rachel Shelley), que vive com seu esposo Robbie (Jeremy Sheffield) e seus dois filhos Nicky e Leah (Jake Hathaway e Raffiella Brooks).

Elaine e sua filha mais velha, Casey.
Tudo começa bem normal pra essas ocasiões. Família reunida, algum clima de tensão entre familiares, comida e muita, mas muita zoada dos pirralhos. No entanto, Paulie logo fica doente e recluso. Pensam-se logo que é apenas uma virose, mas as outras crianças logo ficam doentes também. O que ninguém esperava é que essa doença fizesse com que elas ficassem psicóticas e o primeiro a morrer é Robbie, no que parece ser um acidente.

Não demora muito e Elaine quebra sua perna, também devido a um "acidente" causado por Paulie, seu filho mais novo. A primeira a perceber que há algo errado é Casey, mas como de praxe, ninguém acredita nela. Na verdade, ela acaba sendo culpada pelos assassinatos, o que deixa tudo mais difícil, já que ninguém na família acredita que as crianças sejam de fato as culpadas.

O negócio que faz The Children ser interessante, além de sua história, é a sua direção. O responsável por ela é Tom Shankland, que infelizmente não dirigiu mais filmes após ele, apenas episódios de séries. Um exemplo disso é que no começo do filme (antes das crianças adoecerem), não há tanto barulho. À medida que o vírus se espalha e o filme anta, o barulho de gritaria e bagunça fica mais evidente no fundo, o que causa um certo desconforto. Quando chega nas cenas das mortes, o que vemos é cortes rápidos e cenas entrelaçadas, apesar de não tão explícitas (exceto no final).

O elenco não está tão ruim também, apenas não se destaca, entende? A "protagonista" do filme, que é a filha adolescente às vezes tá boa em cena, às vezes não. Sua mãe, interpretada por Eva Birthistle (O Despertar dos Mortos, 2011) é a mais competente, apesar de que no começo não demonstre tanto. O resto do elenco é só okay.

O que resto a falar é que é um filme que eu recomendo bastante, apesar de que ele possa decepcionar alguns. Na verdade, é um filme que se propõe a ser simples e contar uma história limitada, onde uma pequena família vira refém das crianças psicopatas que eles mesmos criaram. Como diz a tagline oficial, "Você os pôs no mundo. Agora eles irão te tirar dele." Tanto que o final segue em aberto pra algo maior. Vá na fé e espero que goste dele do jeito que eu gostei.

por Neto Ribeiro
Título Original: The Children
Ano: 2008
Direção: Tom Shankland
Roteiro: Tom Shankland, Paul Andrew Williams
Elenco: Eva Birthistle, Stephen Campbell Moore, Hannah Tointon, Eva Sayer, Rachel Shelley, Jeremy Sheffield
NOTA: 7

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