10 de junho de 2016

Crítica: Triângulo do Medo (2009)


AVISO: Essa crítica irá conter spoilers importantes sobre o filme.
Se ainda não viu, eu não recomendo a leitura do post. 

De antemão, vou falar logo: Triângulo do Medo não é um filme fácil. Não tem uma história mastigadinha e entregada de bandeja. Não é um filme muito comercial (por isso não fez tanto sucesso). É um filme complicado, que você tem que rever várias vezes pra conseguir uma teoria concreta sobre ele. E é um puta filmaço. É assim que eu quero começar a crítica desse longa australiano que me pegou (não só eu, convenhamos) de surpresa e que, a partir do momento em que os créditos subiram, me deixou boqui-aberto.

Ele chegou no Brasil direto em DVD e passou despercebido. Talvez, só venho ganhar algum mérito por estar presente no catálogo da Netflix. Como ele está mais acessível, percebo que muita gente fica com um nó na cabeça depois de assisti-lo. Até por que, além da história meio bugada, o filme não tem uma explicação "oficial", entende? Claro, não é nada tão complicado quanto Donnie Darko, mas ainda assim é um daqueles racha-cuca.

O papel principal de Jess está nas mãos da incrível Melissa George. Ela é uma mãe jovem, solteira e inclinada a depressão, cujo filho tem autismo. Ela está prestes a ir numa viagem de barco, a pedido de seu amigo, Greg (Michael Dorman). Chegando na marina, ela conhece o resto de grupo que irá junto: o jovem Victor (Liam Hemsworth), o casal Sally (Rachael Carpani) e Downey (Henry Nixon) e a amiga de Sally, Heather (Emma Lung).

No meio da viagem, uma tempestade imprevista faz com que o barco naufrague. No acidente, Heather desaparece. Curiosamente, não muito tempo depois, eles encontram um imenso navio-cruzeiro abandonado à deriva, onde os amigos embarcam em busca de ajuda. Se não bastasse o clima sinistro do local, um indivíduo armado e mascarado os ataca. Se você assiste o filme às cegas, como eu fiz, sem ver trailer nem nada, já imagina que o longa vai pegar o caminho mais óbvio: a protagonista tentando sobreviver no navio abandonado com o mascarado querendo matá-la. Mas nope, não é isso.


Quando todos os amigos da moça estão mortos e seu agressor mascarado se joga do navio, sem dar explicações, Jess fica sozinha dentro do lugar. Passa-se alguns minutos e ela nota que há pessoas dentro do navio. Cuidadosa, ela tenta ver quem são e para sua surpresa, são ela e seus amigos, chegando de novo no grande cruzeiro. Apesar dela ter visto todos os seus amigos serem mortos, eles estão lá, assim como uma outra Jess está também.

A partir daí, vemos Jess entrar num ciclo vicioso para tentar voltar ao normal. Mas claro, é muito difícil. É baseado nesse detalhe que o filme se desenrola. Ela sempre tenta caminhos diferentes mas sempre acaba no mesmo lugar, de volta a estaca zero.

É tudo sobre o mito de Sísifo, que serve como prelúdio para a situação da protagonista. O tal mito, apresentado no filme por Sally, conta a história de um homem que foi castigado a carregar uma grande pedra montanha acima, para que, ao chegar no topo, ela caísse e ele tivesse que carregá-la de volta, pela eternidade. De certa forma, Jess se vê presa nesse castigo. Algumas teorias clamam que Jess não aceitou o fato de ter morrido no acidente com o filho, portanto se vê de toda forma tentando refazer as coisas pra que nada aconteça. Tal tema foi abordado no excelente Coherence, outro título subestimado e desconhecido por muitos. Como falei lá em cima, quando o filme não traz tudo mastigado, não costuma fazer muito sucesso e acaba sendo ofuscado.

O mais interessante de Triangle é que, uma vez que você entende que o filme vai se repetir num loop infinito, você tem a sensação de que sabe o que vai acontecer. No entanto, o roteiro afiado de Christopher Smith (que também comanda na direção) sempre dá um jeito de surpreender, já que vemos a situação de pontos de vistas diferentes, a cada volta que a história dá.


Melissa George é a única atriz do elenco a realmente se destacar, já que os outros morrem inúmeras vezes e não tem uma oportunidade de mostrar algo. Já considerava ela uma ótima atriz há bastante tempo e se você não achava o mesmo, provavelmente vai mudar de ideia ao vê-la em ação aqui. Pra quem não tá ligando o nome à imagem, ou não viu muitos filmes com ela, recomendo os ótimos 30 Dias de Noite (2007) e Horror em Amityville (2005), esse último sendo uma refilmagem do filme de 79.

Muitos não irão gostar, isso eu tenho certeza. Não é um filme mastigado, muito menos fácil de agradar. Mas que é um filmaço, é. Portanto se ainda não o viu, vá ver o mais rápido possível. Quando terminar, recomendo rever de novo, pois é uma experiência que se renova a cada vez.







por Neto Ribeiro
Título Original: Triangle
Ano: 2009
Duração: 99 min 
Direção: Christopher Smith
Roteiro: Christopher Smith
Elenco: Melissa George, Michael Dorman, Rachael Carpani, Henry Nixon, Emma Lung, Liam Hemsworth


3 comentários :

  1. excelente filme, assim como você eu também não tinha visto o trailer ainda e o filme realmente surpreende!

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  2. ah um muito bom também, desses de terror psicológico que encontrei no netflix, chama-se dont blink, gostaria de ver uma crítica sobre ele

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  3. Eu tive que ver cinco vezes para entender. Você termina o filme cheio de dúvidas e vai rever para tentar organizar as ideias e então você não entende de novo. Eu demorei muito para perceber onde estavam as respostas para as perguntas, mas o filme responde tudo e ainda deixa espaço para interpretação. Vale super a pena.

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