8 de julho de 2016

Crítica: 12 Horas Para Sobreviver - Ano da Eleição (2016)


"Isso não é um teste! É um sistema de transmissão de emergência anunciando o inicio da purificação anual aprovada pelo governo dos Estados Unidos. Armas de classe 4 para baixo foram autorizadas para uso durante o expurgo. O uso de qualquer outro armamento é restrito. Oficiais do governo de nível 10 receberão imunidade durante a purificação e não poderão ser feridos. Ao toque da sirene, tudo e qualquer crime, inclusive assassinato, será permitido durante 12 horas continuas. A policia, os bombeiros e os serviços médicos de emergência, estão indisponíveis até amanhã as 7 da manhã, quando a purificação estará encerrada. Abençoados sejam os nossos novos pais fundadores, e o nosso país, uma nação renascida. Que Deus esteja com vocês".

Então, pessoal. Acabei de chegar do cinema... Fui ver "The Purge Election Year" ou "12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição". Daí fiquei pensando em como fazer uma critica sem fazer spoiler já que o filme só vai chegar nos cinemas brasileiros no dia 15 de setembro de 2016. A partir desse principio, irei me conter bastante na trama em si do filme, e farei uma critica um tanto vaga.

Fiquei muito curioso com esse longa metragem, ele conseguiu bater 'A Lenda de Tarzan' dirigido por David Yates que prometia ser um sucesso de bilheteria... Mas não foi o que aconteceu, The Purge 3 estreou com liderança nos cinemas americanos arrecadando um pouco mais de 3,6 milhões enquanto Tarzan arrecadou um pouco mais de 2,5 milhões. Não obstante, o filme também conseguiu derrotar o filme 'O Bom Gigante Amigo' de Steve Spielberg. Daí decidi dar uma averiguada no cinema, também para me divertir, é claro. Eu vi os dois primeiros filmes da franquia pela primeira vez há mais ou menos 2 meses, achei os filmes como um todo, divertidos, mas sem coerência alguma se fizermos uma analogia com a realidade. No entanto, as criticas que os filmes possuem, são válidas e merecem atenção. Para saber mais sobre isso nas criticas que o Marcelo fez sobre os filmes e no meu artigo sobre a ideia do dia da purificação, é só clicar nos links abaixo:

Crítica: Uma Noite de Crime.
Crítica: Uma Noite de Crime 2: Anarquia.
Expurgo.

Para inicio de conversa, "The Purge 3 Election Year" está vindo numa época propícia... É ano de eleição nos Estados Unidos, em meio a uma candidatura de Trump que se comercializa em linguagem extremista com ideias de  anti-imigrante, racistas e com sentimentos anti-semita. Contextualização essa da qual podemos fazer facilmente uma analogia ao filme. 

Partindo para o filme, após a conclusão de Uma Noite de Crime 2, o policial Barnes (Frank Grillo) se tornou o principal responsável pela segurança da senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell) que em plena época de eleições, ela é uma das melhores posicionadas nas pesquisas de intenção de voto, porque deseja eliminar de uma vez por todas a noite de crime, sentimento esse que ela passou a ter depois de uma experiência cruel com esse dia no passado. Mas seus planos não saem como esperado. É claro que pessoas irão se aproveitar do Expurgo para tentar eliminar essa 'ameaça'.

Dirigido e roteirizado por James DeMonaco (o mesmo dos dois primeiros filmes)... No elenco principal estão nomes conhecidos como: Frank Grillo (que fez o 'Sargento' em Uma noite de crime 2 Anarquia, volta para reprisar o seu papel), Elizabeth Mitchell (Fez a Erica Evans da série V: Visitantes) e Mykelti Williamson (fez o George no fraquíssimo Premonição 4).

Bem, de um forma geral, o filme é o mais audacioso da trilogia, ele quer fazer um pouco mais do que foi feito nos dois primeiros... E para isso, o longa ficou um pouco grande com mais de duas horas. Existe suspense, tensão e terror, mas esses elementos estão colocados em pontos específicos da história, até porque o roteiro se preocupa em desenvolver os personagens em toda sua projeção, aliás, de uma forma maior que os anteriores, paradoxalmente, com mais tempo para desenvolver os personagens, há menos tempo para violência e tortura. Não acho isso ruim porque é bom sentir empatia pelos personagens antes de saírem morrendo, além disso, isso não quer dizer que o filme tenha pouco desses elementos, ele tem até demais. No entanto, podemos dizer que essa proposta não funcionou tão bem como podia, ficou melhor em relação aos outros dois filmes, mas fica aquela sensação de que podia ser menos clichê e mais aprofundado determinadas relações. 

Aliás, tudo que você viu no primeiro e no segundo filme, você vai ver nesse, só que numa escala um pouco maior... Enquanto no primeiro, o filme se limita a uma família na sua casa, o segundo se limita numa cidade, esse terceiro mostra a repercussão do dia da purificação num cenário internacional, mas bem rápida, com opiniões e ideias a respeito do feriado americano... Nós vemos pessoas de várias regiões do mundo vindo para a América unicamente para praticar o The Purge, daí podemos pensar o quão doentes essas pessoas são uma vez que estão indo para uma 'festividade' onde matar outra pessoa é sinônimo de libertação. A única coisa que vai diferenciar essa terceira parte, é a política que está muito mais presente, faz parte do contexto dessa história e vai mais além... Aquela ideia do dia do Expurgo ser um dia para os ricos matarem os pobres, a mensagem desse dia e as suas consequências, estão mais explícitas. E também a expansão da ideia dos praticantes do The Purge verem esse dia como algo religioso, tendo a direitos a cenas de profanação de igrejas com atos de purificação.

O ano eleitoral abre com NFA (Novos Fundadores da America), após uma pequena introdução envolvendo o passado da senadora Roan, encontrando um novo tipo de problema. O sentimento do público sobre o dia do Purge está mudando... As acusações sobre ricos matando pobres são altas e existem alegações de que o NFA possui laços e estão financiando abates anuais contra os pobres e a pessoas de cor. E por trás desse novo sentimento, a senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell) montou uma campanha insurgente presidencial prometendo acabar com a noite do crime de uma vez por todas. Para acabar com esse obstáculo, a NFA resolve mexer os pauzinhos e acabar com a única regra do 'The Purge' (está grifado em vermelho no começo da critica), então, é um salve-se quem puder.

Como disse acima, Frank Grillo retorna como Leo Barnes, o herói improvável de 'Uma Noite de Crime 2 Anárquia' que agora serve como chefe de segurança de Roan que pretende acabar com esse dia caso ela seja eleita. A tentativa de mantê-la segura, falhou e Barnes, junto com uma equipe que também não gosto desse feriado, os ajudam, Barnes e o grupo se vêem obrigados a defender a candidata a presidência pelas ruas violentas da capital Washington. Olhando o filme do alto, podemos perceber que o foco aqui é luta contra ideologias políticas (pró-expurgo versus anti-expurgo) que é o tempero extra desse capítulo. Grillo está a vontade com o seu personagem que tem um foco e um objetivo e nos dá uma excelente atuação.

O filme como um todo aborda várias problemas dos Estados Unidos, a legalização das armas de fogo, os problemas raciais que ganharam força nesses últimos anos, a opinião extremista de governantes que veem a radicalização como solução para problemas internos, entre outros, dessa forma, o filme está chegando como mais uma conversa infrutífera sobre violência na América e nossas atitudes como seres humanos. E assim sendo, "Uma Noite de Crime 3: Ano da Eleição" (Como deveria ser chamado no Brasil, odiei a mudança repentina de título) serve como um salto decente da trilogia como um todo. É um filme que respeita os fãs e que tenta expandir a visão desse dia. O final nos dá uma visão para o futuro desse dia, não podemos dizer se virá um quarto filme, mas uma coisa é certa, eles vão ter que explicar muita coisa caso venha.


Um ponto que eu gostaria de ver era outros tipos de crimes... Tipo, nesse dia, qualquer tipo de crime é permitido, então pode roubar, saquear, invadir, estuprar, entre outras... Mas o filme (assim como os outros) se limita ao assassinato e vandalismo, é uma pena, afinal ótimas cenas de terror poderiam ser feitas usando atos violências além do homicídio. Apesar disso, particularmente, eu gostei mais desse que a segunda parte, alguma coisa no 2 me lembrou 'O Albergue Parte 3', e não gostei disso, mas como isso é relativo, provavelmente, muita gente irá preferir o 'Anarquia' do que o 'Ano da Eleição' por causa da agilidade, da simplicidade e até mesmo por causa do alívio cômico que está bem mais presente nesse filme que nos outros... Inclusive, esse foi um ponto que me incomodou, existem cenas engraçadas na película que não precisavam existir, elas quebram o clima do longa e deixam tudo menos tenso do que deveria ser. Outro ponto que provavelmente será duramente criticado, é a péssima atuação do elenco de apoio, é tão ruim que parece que estão ali contra a vontade deles, faltou um pouco de realismo nas expressões exageradas, destaque para o  personagem de Mykelti.

Apesar disso, é um filme que vai agradar mesmo, principalmente as pessoas que não gostam de prestar a atenção nas partes técnicas, mas sim se divertir com o que está vendo de forma descompromissada. E para terminar, é um filme que vale a pena ver no cinema, tem diversão garantida e faz jus como o longa metragem que fecha a trilogia da Noite de Crime. A minha nota para esse filme é: 7,0.

Abaixo colocarei algumas curiosidades sobre o filme:

» Jason Blum (responsável pelas franquias ‘Atividade Pararnomal’ e ‘Sobrenatural’) retorna como produtor ao lado de Michael Bay, Brad Fuller, Andrew Form e Sebastian Lemercier.

» ‘Uma Noite de Crime‘ inaugurou a franquia em 2013, arrecadando US$ 91 milhões pelo mundo. Sua continuação, lançada no último ano, faturou ainda mais: US$ 108 milhões. Juntos, os dois títulos custaram apenas US$ 12 milhões.


» O ator Edwin Hodge que interpretou o mendigo no primeiro e um dos combatentes contra expurgo no segundo, está presente nesse filme, aqui ficamos sabendo que o seu nome é Dante Bishop. Ele tem uma participação importante, mas diferente da vista no primeiro filme.








Titulo original: The Purge: Election Year.
Ano: 2016.
Orçamento: 20 Milhões.
Duração: 105 minutos.
Direção: James DeMonaco.
Roteiro: James DeMonaco.
Elenco: Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico.

Sinopse: Após a conclusão de Uma Noite de Crime 2, o policial Barnes (Frank Grillo) se tornou o principal responsável pela segurança da senadora Charlene Roan (Elizabeth Mitchell). Em plena época de eleições, ela é uma das melhores posicionadas nas pesquisas, porque deseja eliminar de uma vez por todas a noite de crime. Mas seus planos não saem como esperado.

Esse cartaz me lembra bastante um poster do filme 'Esquadrão Suicida'... Eles me confundiram no cinema, só quis falar mesmo.


Trailer


Por: Michael Kaleel.

Description: Rating: 3.5 out of 5

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