9 de julho de 2016

Crítica: Body Bags (1993)



No início dos anos 90, havia uma série que muitos de vocês devem se lembrar muito bem: Contos da Cripta (Tales from the Crypt). Seu formato era antológico, onde todo episódio era exibido uma história de terror original. Claro que ele já havia sido usado bem antes em séries clássicas como Além da Imaginação, Galeria do Terror, entre outros.

Body Bags foi uma tentativa do canal Showtime de ter sua própria antologia de terror na telinha, só que eles acabaram desistindo do projeto e resolveram pegar os 3 episódios escritos e juntar num filme. A cereja no bolo foi pegar o John fucking Carpenter, diretor magnífico e que comandou um dos segmentos, para apresentá-los, ao melhor estilo Tales from the Crypt. Ao invés de um esqueleto guardião, temos aqui um cara bizarrão, interpretado por Carpenter, num necrotério apresentando os segmentos enquanto brinca com os cadáveres!!

Arrisco-me a dizer que o filme só é bom como é devido as esses interlúdios apresentados por Carpenter. O cara é cativante e sabe muito bem como chamar atenção, brincando com os corpos, soltando piadinhas (mas nada de uma forma irritante como muitos fazem). Não tiro créditos dos segmentos, que são bons sim. Pelo menos o primeiro e o último, por que o segundo é horrível, rs.


O primeiro é O Posto de Gasolina (The Gas Station), dirigido por John Carpenter é cheio de suspense e acompanha Anne (Alex Datcher), uma jovem que é contratada para cuidar de um posto de gasolina no turno da noite. Em seu primeiro dia, seu chefe dá as instruções e vai para casa, deixando Anne sozinha. No rádio, fala-se de um serial killer mutilando mulheres pela cidade, mas Anne se mantém cética sobre isso. Ela só não esperava que no meio do seu turno ela fosse cruzar o caminho com ele.

É de longe o segmento mais interessante do longa, não pela história, mas sim por sua produção. Comandado por Carpenter, o cara fez questão de colocar várias referências que qualquer fã de terror assíduo pode pegar, por exemplo: o bêbado que aparece é interpretado por Wes Craven numa pontinha e o funcionário do mês que aparece em um porta-retrato é ninguém mais ninguém menos que o Sam Raimi! Além do mais há várias referências à Halloween (1978), como a protagonista perguntando a um cliente se ele é de Haddonfield (a cidade do filme) ou uma própria cena em que ela descansa enquanto o assassino (que pensava estar morto) se levanta no fundo.


O segundo conto é Cabelo (Hair), também comandado por Carpenter. É uma história bizarra e que serve como um alívio cômico se for analisar o filme no geral. Acho que deveriam ter investido em algo mais focado no terror, já que os interlúdios de Carpenter já tinha essa função. Voltando à premissa, acompanhamos Richard (Stacy Keach), um cara que deve tá chegando nos 50 anos e tá preocupado com sua calvice. Ele então resolve experimentar um método novo numa clínica que promete aplicar um produto patenteado que faz com que os cabelos cresçam novamente. De início parece tudo perfeito, mas os cabelos crescem assustadoramente rápido, além de que acabam crescendo em lugares além do couro cabeludo, rs. 

Olho (Eye), o terceiro e último conto é o mais competente, visto que uma obra asiática resolveu pegar a ideia alguns anos depois com The Eye - A Herança. Dirigido por Tobe Hopper, do clássico O Massacre da Serra Elétrica (1974), vemos um jogador de baseball interpretado por Mark Hamill (o Luke Skywalker de Star Wars) que sofre um acidente na estrada e acaba perdendo totalmente seu olho direito. Para não perder a carreira, Brent aceita fazer um transplante do olho, numa técnica ainda não totalmente aceita pelos clínicos. Não demora muito, Brent começa a ter visões bizarras e após ataques psicóticos, descobre que o olho pertencia à um serial killer e que ele está começando a pegar as tendências do cara!

O que temos aqui é uma boa e divertida antologia que dá de 10 a 0 em algumas que vem sendo lançadas recentemente, já que virou tendência. Comandada por dois mestres do terror, ela tem uma vibe bem anos 90 e que fará vocês se lembrarem das sessões que passava na TV como Cine Trash, Cine Sinistro e por aí vai.






por Neto Ribeiro
Título Original: Body Bags
Ano: 1993
Duração: 91 minutos
Direção: John Carpenter, Tobe Hopper
Roteiro: Billy Brown, Dan Angel
Elenco: John Carpenter, Stacy Keach, David Warner, Sheena Easton, Alex Datcher, Debbie Harry, Mark Hamill, Twiggy, Robert Carradine, Wes Craven


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