14 de setembro de 2016

Crítica: Sleepaway Camp (1983)


Back in the 80s, o gênero terror estava a todo gás após Sexta-Feira 13 (1980) dar as caras, trazendo um novo tipo de slasher: os camp-slashers. Depois dele vieram filmes como: Chamas da Morte (1981), Madman (1982) e o filme que iremos falar hoje, Sleepaway Camp (1983). É um dos títulos pós-Sexta 13 com pouco conhecimento, mas que virou um cult classic. E afirmo: Sleepaway Camp é um dos melhores slashers da safra oitentista. Um filme que ainda não perdeu o brilho e consegue tirar calafrios dos mais céticos.

Se você nunca ouviu falar do filme, esteja atento pois irei comentar sobre o final. No parágrafo em questão, colocarei avisos e peço para que não leiam, pois o desconhecimento do desfecho é uma das melhores partes da experiência em assistir Sleepaway Camp.

Em 1975, um acidente de barco envolvendo duas crianças e seu pai ocorre devido a um trio de adolescentes descuidados que pilotavam um jetski. O pai e uma das crianças morreram, restando apenas Angela (Felissa Rose), que vai morar com sua tia e seu primo Ricky (Jonathan Tiersten). 8 anos depois, já crescida, ela é mandada para o acampamento Arawak junto com Ricky para passar as férias.


Angela é calada e não fala com ninguém além de seu primo, fazendo com que vire o alvo de gozações dos personagens restantes do acampamento. Sua quietude chega a ser bizarra, graças à atuação da estranha Felissa Rose. Na primeira semana, o cozinheiro chefe do acampamento Artie (Owen Hughes) tenta molestar Angela, mas é impedido pelo primo dela. Consequentemente, ele é a primeira vítima do assassino do filme, que o empurra numa panela quente com água fervente. O cara é levado ao hospital e o dono do acampamento, Mel (Mike Kellin) considera o ocorrido como acidente e avisa para os funcionários não falar sobre isso com as crianças.

Quando um segundo corpo aparece, Mel continua evitando chamar de assassinato, com medo de perder "clientes" e dar má publicidade ao acampamento. Essa irresponsabilidade dele só abre a porta pro assassino fazer mais vítimas. Vemos mortes curiosas e apesar da maioria delas serem em off-screen, podemos ver o resultado nos corpos dos personagens. Destaque para um ataque de abelhas no banheiro, rs.

Como podem ver, a dinâmica de Sleepaway é semelhante aos camp slashers citados no início do post. Os assassinatos vão rolando enquanto a história se desenvolve. A diferença é que os corpos são encontrados logo após os assassinatos - e devido à teimosia de Mel, ninguém faz nada. Talvez seja uma das poucas coisas no roteiro do filme que me incomoda.


Vocês que não viram o filme podem estar se perguntando: se o filme é só mais clichês e fórmulas recicladas de Sexta-Feira 13, então o que ele tem de especial? É aqui que eu vou falar sobre o final, então peço que não leia o parágrafo pois vai ter spoilers (e é melhor vocês que não assistiram não ler).

Acontece que a assassina era a Angela o tempo inteiro. E o pior, ela não é Angela. Na verdade, no acidente da abertura, o pai e a garotinha morreram e quem sobreviveu foi o garoto, que foi criado como uma menina pela tia louca. A revelação não podia ser menos grotesca: dois monitores procuram por Angela e a acham no lago, nua, junto com a cabeça de Paul (um namoradinho de lá) no colo. Ela se levanta e elas percebem que ela é um garoto, pois ele está completamente pelado e coberto de sangue. A cena é explícita, bizarra e estranha.

Se hoje em dia a cena causa o choque que era proposto, imagine lá em 83, numa época mais conservadora. Além do mais, o filme aborda temas como homossexualismo e transexualidade, como mostrar num flashback que os pais de Angela eram gays. Então, é bem interessante que o diretor/escritor Robert Hiltzik pensou nessa cereja no bolo para diferenciar Sleepaway dos outros filmes. Curiosidade: As primeiras coisas que ele escreveu no roteiro foi a cena de abertura e a cena final.
Fim dos spoilers.


Para quem não sabe, o filme rendeu ainda duas sequências (Sleepaway Camp II: Unhappy Campers de 1988 e Sleepaway Camp III: Teenage Wasteland de 1989). Nelas, Angela foi interpretada por Pamela Springsteen, mas os filmes foram direcionados para um clima mais cômico. Uma 4º sequência, subtitulada The Survivor, foi posta em produção em 1992 mas foi cancelada após alguns dias de filmagem. Ela foi reeditada e lançada em DVD anos depois. Há também Return to Sleepaway Camp, uma sequência "direta" do original que foi feita em 2004 mas só foi lançada em 2008. E se você acha que o filme escapou da maldição dos remakes, existem planos para um reboot ser feito em breve, rs.

Ainda que com algumas falhas, Sleepaway Camp é completamente eficiente. Uma grande surpresa de uma das décadas mais importantes, criativas e prolíferas do gênero do terror.
por Neto Ribeiro

Título Original: Sleepaway Camp
Ano: 1983
Duração: 83 minutos
Direção: Robert Hiltzik
Roteiro:  Robert Hiltzik
Elenco: Mike Kellin, Katherine Kamhi, Paul DeAngelo, Jonathan Tiersten, Felissa Rose, Karen Fields, Christopher Collet

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