17 de setembro de 2016

Crítica: Bruxa de Blair (2016) [2]


Em 1999, o filme A Bruxa de Blair foi a porta de entrada para um dos dos subgêneros mais recorrentes do terror até hoje, o famigerado Found Footage que ganhou força no começo dos anos 2000. Embora A Bruxa de Blair não seja o primeiro filme no estilo, sem duvida, foi o estopim para os filmes posteriores, sendo, sem exagero, um dos filmes mais influentes do gênero desde A Noite dos Mortos Vivos (1968) de George A. Romero. O filme não só estabeleceu os elementos básicos desse subgênero, como também mudou o jeito de se fazer e divulgar cinema, com marketing viral muito antes da internet se consolidar como o maior meio de comunicação para esse tipo de propaganda de divulgação, influenciando vários outros cineastas independentes que surgiram depois. 

O filme em si, divide opiniões e não existe meio termo, ou você ama o filme de 99 ou odeia. Eu me encontro na primeira categoria e lembro do forte impacto ao ver esse filme pela primeira vez em VHS com o boca a boca que se espalhou como uma praga e fez muita gente acreditar que as tais filmagens eram verdadeiras. A sutileza e simplicidade da produção me fez comprar o peixe, me fazendo ter uma experiência única ao assistir o filme pela primeira vez, algo que não se repetiu e provavelmente nunca irá se repetir. 


Com o sucesso estrondoso nos cinemas, sendo o filme com maior arrecadação sob o valor de produção, uma continuação era esperada, e em 2000 a Artisan lançou Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras que não agradou ninguém e acabou caindo no esquecimento por muitos. Eu pessoalmente acho o filme regular, tem conceitos interessantes e foge totalmente da proposta do primeiro, sendo um filme paralelo aos eventos do primeiro focado em uns jovens que vão explorar o fenômeno de The Blair Witch Project indo ao local das filmagens onde coisas estranhas passam a acontecer.

No começo desse ano, Adam Wingard e Simon Barrett anunciaram o projeto "The Woods", um susposto found footage ambientando em uma floresta. Despertou a curiosidade de alguns e passou batido por muita gente. O quê ninguém esperava era a sessão surpresa na Comic Con, onde o público foi surpreendido ao descobrir que o tal "The Woods" na verdade é um novo Bruxa de Blair, dando segmento ao filme lançado em 99. No dia da sessão supresa foi anunciado oficialmente na internet o trailer e pôster com o devido título "Bruxa de Blair". As primeiras impressões foram bastante positivas, despertando a curiosidade e expectativa do cara que está escrevendo esse texto.


Os eventos do filme agora se passam nos dias atuais e segue James (James Allen McCune), irmão mais novo de Heather Donahue do primeiro filme, que mesmo depois de vários anos e vários buscas sem pistas, ainda tem esperança de achar a irmã viva na floresta de Burkittsville em Maryland. Ele e mais uma equipe de 4 amigos partem em uma viagem ao local afim de buscar pistas sobre o paradeiro de Heather... Equipados com câmeras, walkie-takies, drones com mini câmera, GPS, e nada na cabeça eles partem para o local, depois de ficarem sabendo de um estranho vídeo gravado na floresta por moradores locais de Burkittsville, um casal que também se junta a eles na busca, formando um grupo de 6 pessoas. Cada um equipado com uma câmera com o POV de cada um, gerando vários pontos de vista diferentes...Não tarda pra eles descobrirem que a lenda da bruxa é real e que eles serão as próximas vítimas.

Pense em tudo que fez aquele filme lançado em 1999 funcionar. A simplicidade, a sutileza, o clima bem construído de terror psicológico, a ausência de técnicas convencionais de filmagem que ajudavam muito no realismo que o filme passou, agora jogue tudo isso fora, insira todos os elementos de um Found Footage ruim e os defeitos de filme de terror mainstream atual e você terá isso que eu chamo de "Bruxa de Bleh", umas das produções mais desnecessárias dos últimos tempos, que visivelmente só foi feito pra lucrar em cima de um nome conhecido do público.


Essa resenha também vai servir de contraponto pra crítica do Michael postada na quinta. Não tiro a razão dele em ter achado bom, até porque opiniões são subjetivas e ter pontos de vista diferentes é sempre bom, já que verdade absoluta não existe! 

Vamos lá apontar os principais defeitos: 

Roteiro: Já começa errado quando a turminha faz uma busca 16 anos após os eventos do primeiro filme. O quê eles esperavam achar depois de quase duas décadas? Pedras? Certamente ninguém fica perdido por quase 20 anos em uma floresta e é quase certo que ninguém sobrevive em tais condições de escassez de comida e falta de água. Os personagens são tão burros quanto os roteiristas.

Gravação/Edição: como foi comentado, cada personagem tem uma câmera com.o seu POV, gerando vários pontos de vista de vários ângulos diferentes, o que consequentemente gera uma edição mais frenética cheia de cortes e sem aqueles longos planos sequência característicos do primeiro. Muitos não consideram isso um defeito, mas pra mim é um problema sério, já que perde totalmente a sensação de verossimilhança nas imagens e fica parecendo um filme convencional copiando a estética de vídeos caseiros, acaba que isso se torna o fator principal do anti-climax que se estende durante todo filme.


Jumpscares: Não há aquele clima minimalista do original, optaram pros recursos mais baratos e medíocres do gênero, os jumpscares causados pelo aumento de som e barulhos em cenas aleatórias em que alguém pula em frente a câmera pra chamar alguém, efeitos sonoros barulhentos que parecem ter saído de algum filme do Godzilla e cenas de tremedeira nos momentos mais "tensos".

Atores/Personagens: Os atores não chegam a comprometer em nada, não atrapalham, mas também não se destacam e a quantidade de personagens se torna um outro problema. São tantos personagens que o filme não consegue dar destaque a nenhum, nem fazer o público criar empatia, acaba que você torce pra que morram logo pra diminuir a quantidade de gente reclamando que está perdido na floresta.


(Alerta de Spoiler) O filme apresenta um novo conceito a mitologia, introduzindo a ideia de que a floresta de Black Hills é um lugar onde o tempo não passa normalmente e o espaço e o tempo é relativo. Ideia totalmente chupada do competente Fenômenos Paranormais (2011), que usa esse conceito de forma muito mais acertada. Aqui é só um conceito aleatório que não acrescenta nada ao filme. (Fim dos spoilers)

Outro problema que está se tornando recorrente em filmes atuais é o trailer... O trailer de "Bruxa de Bleh" já entrega boa parte dos sustos e surpresas do filme. É praticamente o filme resumido em 2 minutos.

Resumo da ópera: Bruxa de Bleh é um filme genérico, anticlimatico, que se sustenta em conveniências do gênero. Um filme feito para o público que se contenta com pouco. Dificilmente irá agradar os fãs e apreciadores do original.


por Marcelo Alves

Título Original: Blair Witch
Ano: 2016
Duração: 89 minutos
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: James Allen McCunem, Callie Hernandez, Brandon Scott, Corbin Reid, Wes Robinson, Valorie Curry



Description: Rating: 1 out of 5

4 comentários :

  1. O primeiro filme da bruxa de blair,foi perfeito mas o segundo filme foi um lixo, o estilo era bem bem diferente do primeiro que foi magnifico.

    ResponderExcluir
  2. Fui ver no cinema e não gostei. Não é o pior filme da vida, mas pra mim pareceu que pegou todo o roteiro do original e só acrescentou poucas coisas...Filme preguiçoso.

    ResponderExcluir
  3. Gostei da review, sobretudo na parte que diz que Book of Shadows não foi ruim, afinal, sou um dos únicos que gosta e defende esse. Aliás, serei crucificado mas prefiro o segundo ao primeiro, mas, obviamente, reconheço a imensurável importância que o mesmo teve até aos dias atuais. No 'cinema' daqui não será exibido esse devido a, supostamente, ninguém estar interessado e devido às péssimas avaliações. A mão do torrent chega a tremer igual às cenas desse aí.

    ResponderExcluir