1 de setembro de 2016

Crítica: Demônio de Neon (2016)



Jesse (Elle Fanning) é uma jovem de 16 anos que acaba de chegar a Los Angeles. Dona de uma beleza natural impressionante, ela tenta a sorte como modelo profissional. Após tirar algumas fotos mórbidas para um jovem fotógrafo, é contratada por uma conceituada agência de modelos. Bastante ingênua, ela passa a lidar com o ego sempre inflado das demais modelos e também com a maquiadora Ruby (Jena Malone), que possui intenções ocultas com a jovem.


Tive que procurar uma sinopse online por que não sabia como apresentar o filme sem entregar spoilers. The Neon Demon será lançado no fim do mês como Demônio de Neon e é um dos filmes mais antecipados do ano. A direção fica a cargo de Nicolas Winding Refn, o cara que comandou os aclamados Drive (2011) e Apenas Deus Perdoa (2013), dos quais apenas vi Drive, adianto logo. Portanto a crítica não terá comparações com tais filmes.


Agora, o que falar de The Neon Demon? É um filme que eu ainda estou tentando digerir (rs), processar. Não que seja um filme complicado de entender. Mas sim um filme meio estranho. Vou tentar formular minha opinião ao longo dessa crítica.

O que temos aqui é um filme belíssimo. Sua estética é, sem dúvidas, maravilhosa. Temos uma fotografia caprichada e bem trabalhada, o que não é nenhuma surpresa, já que os filmes anteriores do Refn tem um visual parecido: iluminação neon, enquadramentos centralizados, etc. Há cenas que dá gosto de assistir, como a do primeiro photoshoot de Jessie, logo na abertura, a cena do banheiro ou até a cena final. Portanto, grande parte do mérito do filme é justamente seu visual.

No entanto, o que sobra de beleza, falta de consistência. Vamos lá: O filme fala bastante sobre a superficialidade mas é bem irônico que seu roteiro sofra justamente disso. Vemos um filme que parece incompleto. Não no seu desfecho, não no seu início, mas no seu desenvolvimento. Falta interação, falta um trabalho melhor nos personagens e na relação deles com a protagonista, principalmente naqueles envolvidos no final.


CUIDADO: Spoilers abaixo!
Jesse vai de uma garota "inocente" à uma mulher narcisista ao longo do filme. Isso é bem retratado através de cores e simbologia em seu primeiro desfile, quando a vemos ver reflexos de si mesma e beijá-los, com a fotografia mudando de azul (inocência) para vermelho (perigo). No entanto, após essa mudança de personalidade, não vemos uma Jesse tão diferente e isso foi um problema, já que acaba parecendo algo não muito autêntico.

Esse falta de autenticidade também é expressada no fim do filme, quando Jesse é morta e devorada por Ruby (Jena Malone) e suas amigas modelos (Abbey Lee e Bella Heathcote), que tinham inveja de Jesse. Tudo bem, as modelos a invejavam e Ruby a odiava por que Jesse se recusou a fazer sexo com ela. Mas faltou mais interação entre as três e Jesse, pois o ataque soa meio injustificado, sem sentido.  E surpresa: O fim do filme só foi criado realmente na hora da gravação, ou seja, não havia um final concreto no roteiro.

A única cena que trata bem isso é logo no início, quando Jesse é apresentada à Gigi e Sarah por Ruby. Essa cena serve de aviso para o desfecho da personagem, já que Jesse é perguntada se ela é "comida ou sexo", numa conversa sobre batons que levam comidas ou coisas relacionadas à sexo no nome. Ela recusou o sexo, então...

O ato do canibalismo no assassinato de Jesse também é algo que ficou meio avulso, já que as personagens não davam indício de algo tão bizarro. E pelo jeito delas, as três já vinham planejando isso há algum tempo, então faltou um pouco de explicação nisso. O desfecho no geral foi bem interessante de assistir, apesar do filme em si não ter preparado o terreno para isso. Não houve muito suspense, as coisas só "explodem" no fim.
Fim dos spoilers


O elenco não decepciona. Elle Fanning estava incrível como Jesse, sabia como parecer ingenua e como parecer perigosa, apesar de que não foi dada muitas oportunidades para a segunda opção. Sem dúvidas foi a escolha certa para o papel. Jena Malone consegue roubar a cena e mostrar o quão versátil ela consegue ser. Abbey Lee e Bella Heathcote foram... estranhas, assim como suas personagens. Não há muito o que falar do elenco masculino, já que os personagens homens foram propositalmente reduzidos no filme. A intenção do diretor era fazer um filme focado nas mulheres.

Algo que me fez dar uma pesquisada marota na internet foi o simbolismo do filme e acabei encontrando nada mais nada menos que as explicações do próprio diretor, Nicolas Weinding Refn, sobre o filme. O site SlashFilm reuniu todas entrevistas dele explicando o filme num artigo (leia-o aqui). No fim das contas, há muitas coisas sutis (o leão da montanha ser uma metáfora pelo descuido de Jesse) e coisas literais mesmo (o fim).

No final das contas, The Neon Demon não é um filme para todos. Não é um filme ruim também, mas poderia ter sido muito melhor se tivesse tido um cuidado maior em seu desenvolvimento, já que isso atrapalha um pouco o final. Apesar disso, se você está curioso para vê-lo, entenda que é um filme "estranho" como eu falei. Poderá muito decepcioná-lo ou surpreendê-lo. Pretendo revê-lo algumas vezes por isso eu fico no meio termo, rs. Até a próxima.

por Neto Ribeiro
Título Original: The Neon Demon
Ano: 2016
Duração: 117 minutos
Direção: Nicolas Winding Refn
Roteiro: Mary Laws, Nicolas Winding Refn, Polly Stenham
Elenco: Elle Fanning, Jena Malone, Abbey Lee, Bella Heathcote, Karl Glusman, Keanu Reeves, Desmond Harrington, Christina Hendricks,

8 comentários :

  1. Anônimo9/18/2016

    Gostei do filme. Mas na maioria das vezes fiquei tipo: "????" E aqui estou para ver se não foi apenas eu que achei estranho...

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  2. A razão das outras duas modelos se unirem a ruby no ataque é a questão de que durante o filme, jesse pegou o lugar de uma no casting, e fez com que a outra fosse comparada a ela em questão de beleza e fosse menosprezada, não foi só a inveja delas,mas a inveja unida de pessoas que usaram jesse pra "diminui-las".

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  3. Acho que o que menos gostei no filme foi que é extremamente cansativo... Tive que pular vários pedaços porque simplesmente não aguentava mais ver! A ideia é super interessante, apesar de o filme ter realmente ficado raso.

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  4. Anônimo3/21/2017

    Eu amei esse filme! Tem muita simbologia nele e a fotografia linda nem se fala. SPOILER >> aquela parte depois que as três matam a Jesse e a Ruby toma banho com o sangue virgem dela e faz o ritual do banho da lua, é demais.

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  5. O filme fala sobre narcisimo, e ate onde iriamos em buscas de tal. Todas desejavam a beleza de Jesse. Uma, por sua insegurança com a beleza, outra por seu desejo carnal, e outra apenas por querer"tanto que foi a uncia que salvou" acho que nessa ultima, seu desejo era puro, pois RM momento algum ela deixou explicito pq ela temia a Jesse, sim, ela perdeu o Casting, mas pelo que vi da cena do banheiro, ela não tomou tal coisa coma culpa de Jesse. O filme fala sobre ingenuidade e pecado. Ate onde podemos ir sem perder o que somos? E ate quanto não seria melhor se tivéssemos perdido?

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  6. gostei bastante!
    visual espetacular, enredo raso mas na minha visão deu conta do recado.
    Ellen maravilindaaa como sempre <3

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  7. Gostei relativamente do filme, embora uma dúvida me corroa: Ao final, Ruby morre defecando sangue em sua sala? Seria suicídio ou foi por conta do canibalismo, se é que ela participou do festim?

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    1. Anônimo8/23/2017

      Worm King, pela expressão do rosto dela, pela posição da mesma, acredito que seria algo como "plena satisfação sexual". Enquanto uma conseguiu ser o que queria (bela, linda e famosa, cobiçada) a que tinha desejos sexuais, atingiu sua satisfação sexual em ter a personagem dentro de si (literalmente). É uma das várias cenas simbólicas do filme

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