27 de outubro de 2016

Crítica: A Garota no Trem (2016)


Chega aos cinemas brasileiros nessa semana o thriller A Garota no Trem (The Girl on the Train), baseado num livro de mesmo nome escrito por Paula Hawkins e do qual tive o prazer de "devorar" recentemente. Antes de comentar sobre o filme, quero dar pequenas ressalvas para não ficar comparando os dois materiais (caso seja necessário): o livro é um bom suspense construído aos poucos e narrado por três personagens em, alguns casos, tempos diferentes, montando o mistério por trás do desaparecimento de uma delas como um quebra-cabeça.

O filme vem sendo vendido como "o Garota Exemplar do ano". Tal longa citado é o meu filme favorito de 2014, dirigido pelo ótimo David Fincher e estrelado pela Rosamund Pike (Doom) e Ben Affleck (Batman v Superman). Acho essa comparação desnecessária, portanto vou evitar citá-lo ao longo da crítica.


Então... A história é a seguinte: Rachel (interpretada pela excelente Emily Blunt, Sicario) vive no fundo do poço. Há dois anos, uma gravidez mal-exitada e uma traição fez com que seu casamento com Tom (Justin Theroux, The Leftovers) acabasse. Desde então, ela vive com Cathy (Laura Prepon, Orange is the New Black), uma colega que tem que aguentar a bebedeira da alcoólatra.

Despedida do emprego há vários meses, Rachel finge que vai trabalhar para não preocupar Cathy. Todo dia, ela sai de casa e pega o trem das 08h04, desce em Manhattan (Londres no livro) e volta para casa no trem das 17h04. Todo dia, ela observa a sua antiga casa, hoje pertencente a Tom e sua nova esposa Anna (Rebecca Ferguson, Missão Impossível: Nação Secreta), que agora tem uma filha recém-nascida. Quatro casas depois vivem um casal que representa toda a vida que Rachel perdeu.

Ela fantasia, inventando histórias para os dois, mas não os conhece pessoalmente. O casal é Megan (Haley Bennett, Sete Homens e um Destino) e Scott (Luke Evans, Drácula: A História Nunca Contada) e parecem ter a vida perfeita. Um dia, Rachel vê Megan com outro homem na fachada da casa. No dia seguinte, Megan desaparece. Entre esses dois dias, Rachel teve um porre (para variar) e não lembra do que aconteceu na noite passada, mas ela sabe que esteve nas proximidades de onde Megan foi vista pela última vez. Ter acordada machucada e coberta de sangue também não ajuda. Megan está viva ou morta? Se morta, será que ela matou Megan? Será que ela viu quem matou Megan?


Creio que o ponto alto do filme seja o elenco. Assim como o livro (que como falei é narrado por três personagens), o filme tem a narrativa dada por Rachel, Megan e Anna. No início, até vemos os nomes de cada uma separando suas histórias. Emily Blunt está incrível como Rachel e a fez parecer menos irritante do que no livro. Conseguiu realmente transmitir toda a melancolia de uma mulher cuja vida estava em frangalhos e ela não conseguia de jeito nenhum recosturá-los. Haley Bennett está no papel de Megan, uma jovem mulher indecisa que sempre procura meios diferentes de se satisfazer. Rebecca Ferguson completa o trio com uma atuação precisa e bastante acertada. 

Mas grande parte do mérito das boas atuações estão no roteiro adaptado pela Erin Cressida Wilson. Na obra original, as três personagens são bem definidas e humanas, todas cheias de falhas, inseguranças e bem construídas. O roteiro conseguiu transmitir todas as três para a tela e as atrizes só terminaram de fazer o trabalho. Well done.


O desfecho, que é a parte mais importante e mais esperada da trama, vai aquém do que deveria. Até no livro, achei o mesmo. Talvez agrade alguns, talvez decepcione outros. No entanto, fiquei com a sensação que o roteiro deixou o fim mais previsível do que já era. No livro, é criada uma constante ilusão em volta de todos os personagens e quando o fim chega e você se toca, pensa imediatamente "eu devia ter pensado nisso". O filme retira alguns detalhes que facilitam a adivinhação da conclusão.

A Garota no Trem é um bom suspense, bem dirigido, bem escrito e com um elenco de primeira que pode agradar àqueles que forem assistí-lo para tentar desvendar a trama antes do desfecho. Comparando à Garota Exemplar, é mais fraco por ter um enredo mais contido e menos corajoso, mas uma dica: não compare.
por Neto Ribeiro

Título Original: The Girl on the Train
Ano: 2016
Duração: 112 minutos
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Erin Cressida Wilson
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Luke Evans, Justin Theroux, Rebecca Fergunson, Edgar Ramirez, Allison Janney, Lisa Kudrow


2 comentários :

  1. Também gostei muito do livro e do filme! Emily Blunt arrasou.

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  2. Concordo totalmente com a crítica, a comparação prejudica o filme

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