21 de outubro de 2016

Crítica: Ouija - O Jogo dos Espíritos (2014)


A tábua Ouija é um produto meio conhecido entre os fãs do terror. Na cultura, ela é usada para conversar com espíritos e está em vários filmes com temáticas sobrenaturais, sendo um mero objeto em como O Exorcista (1973) e Atividade Paranormal (2007), ou sendo um artefato principal na história, como O Jogo dos Espíritos (2002), que curiosamente recebeu o mesmo subtítulo do filme em questão, lançado 12 anos depois.

Ouija (2014) foi uma das produções caça-níqueis da marqueteira Blumhouse Pictures, empresa responsável por várias franquias de sucesso atuais como Sobrenatural, Uma Noite de Crime, A Entidade, etc... Se você conhece os filmes da produtora (veja uma lista aqui), sabe que uma coisa que grande parte deles tem em comum é que são filmes sobrenaturais entupidos de sustos falsos e 0 história. Claro, há exceções, mas num geral, não há muito proveito dos filmes deles.

Ele não é muito diferente do resto. Embora tente trazer algo que alguns filmes recentes conseguiram manejar - que é uma história batida mas bem contada -, o resultado final é um desastre. Um filme sem sal, sem história e sem alma. 


Tudo começa com o suicídio misterioso de Debbie (Shelley Hennig, Amizade Desfeita, também da Blumhouse). Laine (Olivia Cooke, Bates Motel) e seus amigos desconfiam que a morte pode estar relacionada à uma tábua Ouija, que ela vinha mencionando antes de morrer. Inteligentemente, eles resolvem fazer uma sessão espírita na casa da falecida para tentar contatá-la.

A princípio, parece que os amigos conseguiram falar com a amiga, mas coisas estranhas acontecem durante a sessão e Laine vê imagens bizarras através da lente usada para jogar. Nos dias que se seguem, os cinco começam a encontrar pistas de que eles não falaram com o espírito de Debbie, mas sim com outro espírito que se chama "DZ".

É então que, um a um, eles começam a morrer de formas bizarras. Laine e sua irmã mais nova Sarah (Ana Coto) procuram então investigar o mistério por trás de "DZ" antes que sejam as próximas vítimas.


Todo mundo sabe que não há filme mais irritante do que aqueles que são ruins e tentam ser bons. Ouija é um desses. O roteiro dele não traz nada novo e nos força a engolir as mesmas situações de sempre. Além da constante tentativa de tentar fazer a história engrenar com as mortes e o mistério por trás do espírito DZ, a direção fraquíssima de Stiles White não faz muito pra ajudar, optando pelo convencional dos convencionais.

Aliás, a história do espírito DZ, que deixa a impressão de algo bastante superficial, não tem muito impacto. No entanto, ela vai ser a história principal de Ouija: Origem do Mal, que lança essa semana nos cinemas brasileiros e foi recebido com boas críticas. Mesmo que saibamos que fim tudo levou, parece que a pré-sequência vai saber contar bem toda a história.

O que parece é que o enredo é uma colcha de retalhos de vários outros filmes e nenhum dos pedaços funcionam muito bem com o outro. Talvez isso seja relacionado às várias refilmagens que o filme sofreu quando foi mal-recebido nas exibições teste. Olivia Cooke falou que 50% do filme foi refilmado à mando da Universal. Alguns detalhes foram mudados da versão filmada anteriormente, como algumas cenas de morte ou até personagens que não existiam, como a irmã de Doris Então...

Ainda que tente bastante reverter o resultado, Ouija é fraquíssimo e uma verdadeira afronta à paciência de quem assiste. Não há suspense, não há um clima assustador, só coisas jogadas na tela sem um pingo de emoção. Ainda vou conferir sua pré-sequência, que parece ser bem melhor do que ele. 
por Neto Ribeiro

Título Original: Ouija
Ano: 2014
Duração: 89 minutos
Direção: Stiles White
Roteiro: Juliet Snowden, Stiles White
Elenco: Olivia Cooke, Ana Coto, Daren Kagasoff, Bianca Santos, Douglas Smith, Shelley Hennig



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