30 de outubro de 2016

Livro: O Menino que Desenhava Monstros (2016)


(O texto abaixo contém alguns detalhes que podem ser vistos como spoiler. Na dúvida, não leia.)

Hoje trago pra vocês  uma breve resenha de um livro bem bacana que foi pulicado em 2014, mas só chegou aqui esse ano graças a editora Darkside. Que aliás, caprichou mais uma vez na edição!
Acredito que vá agradar boa parte do público, pois querendo ou não há referências bem legais dentro dessa história. O livro inclusive deixou o James Wan de boca aberta, o mesmo disse: "Fiquei encantado com esta história tão assustadora e delicada".

"O Menino que Desenhava Monstros" conta a história de Jack Peter que é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.

Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.

Devo dizer que a narrativa do livro é lenta, pelo menos de início. Primeiro vamos sendo apresentados aos personagens (obviamente), as características psicológicas são desenvolvidas aos poucos... na verdade essa lentidão é necessária para um aprofundamento melhor, fazendo com que o leitor se sinta parte de tudo aquilo, já que no começo se trata apenas de drama. Então se por um acaso acharem devagar demais, não desistam do livro, pois quando a coisa começa a acontecer não pára mais.

A trama acontece em uma cidadezinha litorânea dos EUA, perto das festas de final de ano. Há muita neve, mar, frio, elementos que são muito bem descritos no texto, e que acabam dando o clima e tom perfeito à leitura. De fato nós temos aquela sensação de que algo aparecerá na janela, ou em algum comodo da casa no meio da noite.

Somos apresentados a 4 pontos de vista, o do Jack, da Holly (mãe de Jack)Tim (pai de Jack) e Nick (melhor e único amigo de Jack). Nos sentimos na pele de ambos, e assim conseguimos entender as diferentes maneiras de reações que podem surgir em uma situação dessa.

Ao contar a história da família Keenan, o autor Keith Donohue, consegue extrair a essência do medo. Não é focado no susto, mas sim na atmosfera que é você enfrentar algo desconhecido. Será tudo fruto da imaginação ou de fato algo está acontecendo? Há essa dúvida durante toda a narrativa e isso é muito interessante, tendo em vista que é o que nos mantém vidrados até o seu desfecho, que aliás, nos revela algo bem surpreendente.

Pude perceber referências aos filmes "O Sexto Sentido", já que aqui temos um garotinho que é atormentado por seus medos/visões, e não há quem acredite totalmente nele; "O Sono da Morte" que chegou aos cinemas do Brasil recentemente. Mas nesse segundo caso eu não sei quem inspirou quem haha. Como se não bastasse, achei o clima de todo o desenrolar bem semelhante ao de "Insidious" (Sobrenatural). E pra finalizar, tem a alma de "The Babadook", mesclando drama e terror psicológico de uma maneira bem feitinha.

Mas Luiza, é clichê? Ah, tem seus momentos clichês, porém só de não ser mais uma história que tenta chocar apenas por chocar, tendo uma argumentação firme e que te faz refletir, já vale a pena conferir! Não vou te dizer que há uma resposta clara para tudo. Na verdade creio que a ideia é cada leitor compreender à sua maneira. Eu pelo menos ainda fiquei com algumas dúvidas no ar.

Há uma frase no final do livro que me deixou bem encucada: "Enquanto não abandonarmos nossos medos e ressentimentos não encontraremos a saída do quarto escuro". Ela catuca a sua ferida! Você fica se questionando: do que tenho medo? O que assombra a minha vida? Enfrentei os meus monstros ou os deixei me consumir?

Se você assim como eu ficou imaginando um longa com essa premissa, se prepare que os direitos da obra já foram comprados para uma adaptação cinematográfica dirigida pelo queridinho do momento, James Wan. Já consigo imaginar mais ou menos como será e espero que me incomode assim como o livro. Um incômodo bom, diga-se de passagem.

Boa leitura! :*

Por Lu Souza

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