17 de novembro de 2016

Crítica: American Horror Story - Roanoke | 6ª Temporada (2016)


Após 5 anos, a série American Horror Story veio caindo de qualidade a cada temporada e claramente precisava de uma forcinha para voltar ao bom e velho horror das duas primeiras - Murder House (2011) e Asylum (2012), que são de longe as melhores do show. Para o seu sexto ano, Ryan Murphy e sua equipe elaboraram um verdadeiro evento televisivo cheio de mistério. O tema da nova temporada não foi revelado, teasers e materiais de divulgações cheios de pistas falsas para enganar o público, deixando para descobrir sobre o que seria a história apenas no dia da estréia.

Veja as críticas das outras temporadas:
Crítica: 1ª Temporada (2011)
Crítica: Asylum (2012)
Crítica: Coven (2013)
Crítica: Freak Show (2014)
Crítica: Hotel (2015)

No fim das contas, acabou sendo uma surpresa - para alguns agradável, mas outras decepcionante. O último foi o meu caso. Os episódios seriam feitos em forma de documentário sobre uma casa no interior da Carolina do Norte, EUA, onde um casal - Shelby e Maaattt (Lily Rabe e André Holland) - vivem um verdadeiro pesadelo por conta do passado macabro dela. Enquanto eles dão entrevistas contando o que se passou na casa, Sarah Paulson e Cuba Gooding Jr os interpretam em uma encenação dos eventos.

No entanto, na metade da temporada, a história sofre uma reviravolta, dividindo-se em duas partes: My Roanoke Nightmare (episódios 1-5) e Return to Roanoke: Three Days in Hell (episódios 6-10).


My Roanoke Nightmare

Como falei, a história principal é contada através de um documentário. Os personagens "reais" principais são Shelby (Lily Rabe), seu marido Maaaatttt (André Holland) e a irmã dele Lee (Adina Porter). O trio são interpretados na encenação por Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr e Angela Bassett, respectivamente.

O enredo se inicia quando o casal resolve sair da cidade grande após um incidente violento e compram uma antiga casa isolada no interior da Carolina do Norte. Claro que havia algo de errado na casa e logo na primeira noite eles percebem isso. Nos dias que se seguem, a situação só piora, deixando Shelby assustada e perturbada.

Maaaaaatt chama sua irmã, Lee, para morar com eles. Ela própria já tinha seus problemas com o alcoolismo, seu divórcio e a batalha com seu ex-marido por conta da filha Flora. A cada episódio, mais coisas bizarras vão rolando na casa, envolvendo uma colônia perdida de Roanoke e sua líder maníaca, a Açougueira (Kathy Bates). Para acabar tudo, está chegando a semana da Lua de Sangue, um fenômeno onde a lua adquire um tom vermelho e que, de certa forma, permite aos fantasmas se personificarem e dando a chance deles fazerem qualquer mal aos vivos, incluindo matar.

Não vou mentir, não gostei nenhum pouco desse formato de documentário na série. Achei extremamente decepcionante, esperar tanto tempo para vir algo genérico como isso. Tudo bem que a série precisava se reinventar e para dar um ar de novidade até funcionou, mas quem acompanha com frequência o cinema de horror, nada disso é novo.

Como falei no post de Primeiras Impressões da temporada, a dinâmica desses episódios foram irritantes por terem sido inspiradas no pior do que há no gênero atualmente: jumpscares!!! Claro que nenhum funcionava e a única coisa que realmente me interessou foi ver a resolução do mistério.

Achei ótimo que no episódio 5 essa fase tenha acabado. Fiquei bastante curioso para ver o que Roanoke preparava para os próximos 5 episódios. Foi então que Ryan Murphy me veio com found fucking footage! À primeira vista, torci o nariz, mas realmente me surpreendi com essa fase da temporada.



Return to Roanoke: Three Days in Hell

A segunda fase de AHS: Roanoke se passa na "vida real", sem encenações. Aqui é onde os personagens são divididos entre os reais e os atores. Antes dessa fase começar, somos informados que as imagens que veríamos a seguir seriam exclusivas e não foram "editadas", ou seja, eram reais. Para completar, é relatado que houve apenas um sobrevivente.

O produtor de My Roanoke Nightmare, Sidney (Cheyenne Jackson), apresenta uma nova ideia para a emissora, que ainda colhia do sucesso do programa. Na nova empreitada, Sidney reuniria na infame casa, durante a Lua de Sangue, os sobreviventes do pesadelo - Shelby (Lily Rabe), Maaaatt (André Holland) e Lee (Adina Porter) - e os atores da encenação, Audrey (Sarah Paulson), Dominic (Cuba Gooding, Jr), Monet (Angela Bassett) e Rory (Evan Peters).

Claro que a ideia dá errado e os personagens começam a morrer das piores formas a cada episódio que se passa. O "tempero especial" foi tentar adivinhar quem iria ser o sobrevivente. Esse tipo de reviravolta metalinguística foi uma ideia interessante - e já esperada - para a temporada. Ainda que eu ODEIE o uso mal-coordenado de found footage, os episódios dessa fase da série foram bem mais interessantes que a da fase My Roanoke Nightmare

Para mim, o mais interessante foi tentar descobrir como seria a verdadeira forma dos fantasmas relatados pelos sobreviventes. Alguns são bem parecidos aos da encenações (como a família asiática) e outros são mais caprichados (como a Açougueira e o fantasma de Edward Mott).

O ritmo frenético desses episódios funcionaram bem por que a cada episódio, ele aumentava. O 6 se passa num dia, o 7-9 se passam em dois e a season finale serve de aftermath da temporada inteira. O final foi corajoso e não muito esperado, devido aos desfechos das últimas temporadas serem genéricos as fuck.


Como Ryan falou várias vezes, essa temporada serviu para estabelecer conexões importantes com as outras temporadas. Agora que ele irá investir em crossovers entre as histórias (como a já confirmada temporada que irá entrelaçar Murder House e Coven), podemos ver referências à berça nos episódios. Exemplos: Edward Mott (interpretado na simulação por Evan Peters) era tatataravô de Dandy Mott (Finn Wittrock em Freak Show); o Piggy Face de Murder House foi inspirado pela criatura de Roanoke, segundo um dos personagens; a personagem de Lady Gaga foi a primeira suprema (termo ideológico das bruxas de Coven); a aparição de Lana Winters (Sarah Paulson em Asylum) e outras coisas...

Um problema que me incomodou desde os primeiros episódios foi o seguinte: Tudo em My Roanoke Nightmare soa plastificado, superficial e não deveria ter durado 5 longos episódios. Eles poderiam sim ter usado no primeiro episódio, por exemplo, mostrando como foi a série. No fim do episódio 1, revelaria os personagens reais e os seus atores, indo em direção à casa e a temporada inteira seria com os personagens reais. Teria sido bem melhor. Todos os personagens poderiam ter sido bem desenvolvidos, talvez eu até simpatizaria com alguns dos atores (que na segunda fase tiveram pouquíssimo desenvolvimento, morreram e eu tava cagando e andando pra eles).

A forma ideal de assistir Roanoke é vê-la em maratona. A dinâmica dos episódios irão funcionar melhor, pois eles se passam em um curto período de tempo. Esperar semana por semana pra ver o que aconteceria em, sei lá, uma hora dentro da história, foi bastante incômodo. As coisas pareciam rápidas demais e o ritmo não funcionava direito.

Rip-off de A Bruxa de Blair?

A temporada em si foi uma batida liquidificada de vários filmes/séries conhecidos pelos fãs de horror. Tantas referências fez com que a história perdesse um pouco a originalidade, a sua identidade, embora algumas delas tenham funcionado, enquanto outras apenas pareceram gratuitas demais. Fiz uma listinha de referências que eu reconheci na temporada:

- Terror em Amityville (1979): A trama do casal se mudando para uma casa assombrada e a própria estética da casa remete ao filme. Também é parecido a forma que Flora, filha de Lee, fica amiga com o espírito de uma garota chamada Priscilla. No filme, a filha da família fica amiga da garota fantasma da casa.

- Paranormal Witness (série): O formato documentário da primeira fase é semelhante à série do canal Syfy.

- A Bruxa de Blair (1999): Na 6A, vemos os bonecos de gravetos encontrados na casa incrivelmente similares aos bonecos do filme. Na 6B, o formato found-footage, tendo até uma cena em que Audrey (Sarah Paulson) faz um desabafo em frente às câmeras, assim como Heather fez no filme.

- Jogos Mortais (2004): O visual do Pigman lembra bastante a fantasia usada no filme.

- Ju-On, O Grito (2002): Na casa, viveu uma família asiática que acabou sendo morta pelos espíritos. Atualmente, os fantasmas da família são parecidos com a Kayako.

- O Massacre da Serra Elétrica (1974): Perto da casa vive uma família caipira canibal que acaba tirando a vida de vários personagens e protagonizam a maioria das cenas violentas da série.

- Louca Obsessão (1990): A mesma família é liderada por uma senhora que acaba reproduzindo uma cena famosa do filme em Shelby, quebrando seu pé. Curiosamente, o filme é protagonizado pela Kathy Bates, que fez a Agnes/Açougueira aqui na temporada.

- Holocausto Canibal (1980): No episódio 9, dois personagens são empalados violentamente do mesmo jeito que a emblemática cena do filme mostra.


O elenco, como sempre, não decepciona. A princípio, a temporada foi encabeçada pela queridinha do Ryan Murphy, Sarah Paulson (que neste ano ganhou o Emmy por sua performance em American Crime Story, outra série dele). No entanto, à medida que os episódios se passavam, foi se perdendo essa definição de protagonista, já que vários personagens começavam a dividir este papel, o que foi bastante interessante.

Os destaques dessa temporada, além da Paulson que interpretou nada menos que TRÊS personagens (Fake Shelby, Audrey e Lana Winters), foram a Kathy Bates, magnífica como sempre e Adina Porter (que participou de um episódio da primeira temporada), que ganhou um papel de destaque no nível de seu talento. Foi bem legal vê-la sendo bem-aproveitada como foi em Roanoke.

Ainda que, a princípio, parecesse perdida, Roanoke tomou sua forma a partir da segunda fase e conseguiu ser uma temporada na média - embora a coroa de melhor temporada ainda esteja com Asylum. O problema dela foi demorar pra achar sua identidade, misturaram muitos detalhes diferentes num plot só, acabou dando o ar de "bagunçada". Apesar de ser inovador dentro da série, a temporada não foi nada original como prometiam dentro dos parâmetros do gênero. Se você tiver paciência, talvez irá gostar dela também.
por Neto Ribeiro

Criada por: Ryan Murphy
Canal: FX
Episódios: 10
Elenco: Sarah Paulson, Lily Rabe, Adina Porter, Cuba Gooding Jr, André Holland, Angela Bassett, Kathy Bates, Evan Peters, Wes Bentley, Cheyenne Jackson, Lady Gaga, Denis O'Hare, Leslie Jordan, Taissa Farmiga, Matt Bomer


Description: Rating: 3 out of 5

5 comentários :

  1. Anônimo11/20/2016

    Asylum melhor temporada? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK sério? Não to desmerecendo a temporada é até boa mais a melhor? Temporada totalmente bagunçada com tantos plots que nem conseguiu dar um fim digno pra eles (com exceção do plot da Lana que foi o melhor e o único que teve um fim digno). Mas não estamos aqui pra falar de Asylum né? Concordo com tudo que vc disse sobre essa temporada até fiquei feliz de encontrar alguém com o pensamento igual ao meu kkkk

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  2. Pra mim Asylum não é a melhor. Tem muita coisa nada a ver como aquele médico metido a nazista que era mais fofinho que um panda, e aquele personagem do Evan Peters que era mais sem sal que a minha comida.

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  3. o episodio acaba no 10? serio? totalmente fora de contexto e eu amo a serie...

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  4. Pra mim empatou com a das bruxas como pior temporada, eu gostei mais do começo do q do meio pra frente, as mortes dos atores são muito sem graça, e o final lacrou mesmo uma série q tinha uma temática interessante mas pouca aproveitada

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  5. pra mim essa foi a pior temporada seguido da temporada do hotel e das bruxas

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