4 de novembro de 2016

Crítica: Raw (2016)


Grave (também conhecido como Raw), produção conjunta entre França e Bélgica, e dirigido pela estreante Julia Ducournau ficou conhecido por provocar desmaios e enjoos em parte do público no Festival de Toronto desse ano, ganhando um hype na internet muito antes de ganhar espaço no circuito comercial.

Grave/Raw (2016), Bite (2015), A Bruxa (2015), me fizeram me dar conta que NUNCA é bom se levar por marketing, noticias sensacionalistas de "Filme mais assustador", "Filme mais violento", que causam reações adversas acabam gerando uma expectativa grande que em 90% dos casos não é correspondida. Grave é o maior exemplo disso. Pude conferir no Festival do Rio desse ano e vi de mente aberta, sem esperar por nada e sem ter criado expectativas, o que foi muito bom, já que o filme NÃO É nada disso que foi prometido.

O filme acompanha Justine, que acaba de entrar pra faculdade de veterinária. Na primeira semana de trote, é forçada a comer o fígado de um coelho. Justine, porém, é vegetariana, e possui um distúrbio alimentar que se desenvolve a partir do ocorrido, despertando uma fome incontrolável por carne humana.

Justine, A Estranha
Não é um filme com violência explicita, nem com gore exagerado. O filme foca muito mais no clima incômodo causado pela lentidão e rumos em que a história toma. As tais cenas que incomodam, incomodam não pela violência, mas pelo forma em que a violência - no caso canibalismo - é mostrada. Incomoda, mas nunca chega a chocar ou causar uma reação perto da descrita nessas noticiais sensacionalistas que saíram em sites. É claro desde a primeira cena que a diretora não quis chocar e sim causar desconforto no expectador, e manter tal desconforto durante todo o desenvolvimento e pode-se dizer que ela conseguiu.

É um filme bem dirigido, com boas atuações e uma trilha sonora lindona que chega a lembrar as famosas trilhas do Goblin em filmes do Argento, (inclusive tem uma cena em que a trilha toca em um momento em que a paleta de cores é rosa com alguns toques de azul, uma clara homenagem ao Suspiria) misturado com aquela música tema do Extermínio (2002), muito bem usada nos momentos de "terror".


Há momentos com mudanças drásticas de ritmo e tom e alguns momentos são mal aproveitados, como o tal distúrbio alimentar de Justine, que não é explorado e desenvolvido direito na primeira metade e a relação dela com a irmã mais velha, que é uma personagem chave do filme e totalmente mal aproveitada. (Inclusive um dos momentos mais mal desenvolvidos do filme envolve ela).

O melhor jeito de descrever a proposta de Grave seria como uma mistura de Somos o Que Somos (2013), com Em Minha Pele (2001) e Ginger Snaps (2001).

Vejam de mente aberta, sem criar expectativa. É um filme que agradar o público mais maduro que gosta de filme com desenvolvimento lento e envolvente e vai desagradar quem busca um terror no padrão Jogos Mortais e O Albergue. É praticamente um drama com elementos de terror.

Por Marcelo Alves

Titulo Original: Grave
Direção: Julia Ducournau
Ano de produção: 2016
Duração: 95 Minutos
Elenco: Garance Marillier, Boli Lanners
Ella Rumpf, Rabah Nait Oufella
Joana Preiss, Marion Vernouz



Description: O foco não é o gore e sim o clima incômodo e os rumos que a história toma. Rating: 3.5 out of 5

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