7 de novembro de 2016

Crítica: Ouija - Origem do Mal (2016)


Depois do horrível-indigerível-afronta-à-humanidade que foi o primeiro Ouija - O Jogo dos Espíritos (2014), foi difícil acreditar que estariam fazendo uma sequência. Claro que, apesar de "inassistível", o filme foi um sucesso de bilheteria, arrecadando $103.6 milhões de um orçamento de apenas $5 milhões. Talvez, a ruindade do primeiro fez muita gente correr quando Origem do Mal, uma pré-sequência por sinal, estreou nos cinemas no fim do mês passado. O que acabou sendo uma pena, já que ele está a anos-luz de distância do primeiro - e isso é um elogio.

Recapitulando o primeiro filme: Jovens jogam a tábua Ouija após o suicídio de uma amiga próxima, tentando se comunicar com a garota. Só que daí eles percebem que não estavam conversando com ela mas sim com um espírito que se chamava DZ - sigla para Doris Zandler. Perto do fim, a protagonista encontra a irmã mais velha de Doris em um sanatório. Ela a conta que a mãe das duas era uma medium que usava Doris como "vaso" para entrar em contato com os espíritos e que a matou após enlouquecer. Depooois, a protagonista descobre que na verdade Doris era a maligna e matou a mãe, etc, etc.


A história de Origem do Mal é justamente essa. Ambientada nos anos 60, conhecemos Doris (Lulu Wilson), sua irmã mais velha Paulina (Annalise Basso) e a mãe viúva Alice (Elizabeth Reaser), que trabalha como vidente. Devo dizer de antemão que ambas estavam muito competentes nos papéis! Voltando... Ao invés do que esperado, Alice faz essas sessões (armadas, com ajuda das garotas) para dar um tipo de conclusão à pessoas que perderam seus entes queridos, como uma espécie de garantia que eles estão em um lugar melhor.

Paulina dá a ideia da mãe usar uma tábua Ouija nas sessões, o que acaba afetando a pequena Doris, que tem o dom de se comunicar com os mortos (dom esse que parece ter herdado da vó). Primeiro ela começa a falar com o falecido pai através do jogo, o que parece ser verídico já que o espírito sabe detalhes que apenas Alice e ele sabiam. No entanto, aos poucos a atitude da garota começa a mudar, levando Paulina a perceber que há algo de errado naquilo tudo.


Antes de tudo, quero dizer que Origem do Mal é um filme bom. Não regular, não excelente, mas bom. Só por ele ter transformado uma história entediante em algo que consegue fluir por 98 minutos sem parecer chata nem exagerada já ganha pontos. Grande parte desse mérito é devido à ótima direção de Mike Flanagan, nome em ascensão do gênero que vocês podem conhecer por ter dirigido bons filmes como O Espelho (2013), Hush - A Morte Ouve (2016) e O Sono da Morte (2016).

Coisas bacanas que eu notei - e que também notei em outros filmes dele - é que o cara tenta deixar as cenas o menos convencionais possíveis, o que foi um grande passo pro filme. Ele troca jumpscares por cenas sugestivas, dando um resultado interessante à história e ao clima. Uma cena que ilustra muito bem esse ponto é a que Doris olha através do vidro do Ouija. No primeiro filme, numa cena semelhante, a protagonista vê uma fantasma na hora, com direito a som ligeiramente aumentado e gritos. Aqui, vemos apenas a reação de Doris, assustada ao perceber a presença de alguém na sala.

Talvez o que mais me incomodou tenha sido o uso do CGI, em algumas cenas ficou um pouco tosco, com a cabeça da garota se retorcendo. Em outras, até ficou bacana, com os olhos brancos e a boca aberta ao extremo. Um detalhe legal dessas cenas que acabam ficando tão emblemáticas no filme é que elas são expostas com cortes brutos, exemplo, numa cena vemos Paulina em seu quarto e na cena seguinte já vemos a garota com essa pose estranha, conversando com os espíritos. Bacana...


Notei que algumas cenas parecem ter sido cortadas da versão final do filme, como uma que foi exibida em um comercial de TV e parecia mostrar um flashback do Dr. Morte mencionado no filme. Há também outras cenas deletadas mas que saíram no trailer como: Doris falando algo à personagem de Kate Siegel (Hush) e ela aparentemente, cenas depois, estar estrangulando seu pai. Talvez essa cena fosse um tipo de referência à que Doris detalha "como é ser estrangulado até a morte".

Ainda que não seja nada extraordinário, Ouija: Origem do Mal consegue ser um filme que anda bem através dos clichês e entrega uma história sólida - ainda que menos efetiva, por ser uma prequela cujo final foi evidenciado no anterior - de assombração. Se irá ter uma terceira parte? Não sabemos já que a arrecadação desse filme foi menor que o primeiro... 

por Neto Ribeiro

Título Original: Ouija - Origin of Evil
Ano: 2016
Duração: 98 minutos
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
Elenco: Elizabeth Reaser, Annalise Basso, Lulu Wilson, Henry Thomas, Parker Mack, Doug Jones




Description: Rating: 3 out of 5

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