10 de novembro de 2016

Crítica: À Sombra do Medo (2016)


Ficando reconhecido pela crítica por ser o primeiro filme de terror iraniano (produção conjunta com o Reino Unido), À Sombra do Medo (Under the Shadow) conquistou seu espaço nos festivais (inclusive, foi exibido no Festival do Rio, em Outubro) e foi aclamado pelos jornalistas. Com elogios vindo de toda a parte e a curiosidade de ver como o filme se sairia, é impossível não criar expectativa. Pena que o filme não as cumpram.

A história é bastante simples e nada original. Reproduzida trocentas vezes no mercado cinematográfico americano, a trama acompanha Shideh (Narges Rashidi), mãe de Dorsa (Avin Manshadi). Durante a guerra entre Irã e Iraque em 1988, na cidade de Teerã, Shideh tenta recuperar sua chance de cursar medicina, já que, antes de Dorsa nascer, ela foi expulsa da faculdade por envolvimentos políticos.

Seu marido é médico já formado e é convocado para trabalhar na linha de frente da guerra, fora da cidade. Junto com sua filha e relutante à deixar seu apartamento, Shideh começa a perceber que há uma presença estranha em sua casa e que parece estar atrás de Dorsa. 


A tal presença é um Djinn, criaturas mágicas que conhecemos por sua representação em Aladdin (1992) como os gênios da lâmpada. As versões originais das lendas os retratam como seres que podem ser bastante diabólicos. No cinema, eles já apareceram nos filmes O Mestre dos Desejos (1997), Djinn (2013), O Jogo dos Espíritos (2002) e Força Maligna (2009). Apesar de não ser um personagem lá muito retratado em filmes do gênero, eles renderiam bons filmes se os mesmos tivessem bons roteiros (coisa que os que foram citados acima não tem)

O principal forte dessa produção não é nem o próprio gênero em que é vendida. Ela funciona mais como um drama com requintes de horror que apresenta uma história nova por abordar situações que não são tão usualmente abordadas nos filmes de terror. Por se passar em uma época em que o contexto social era tão forte, o filme consegue trazer certos detalhes que fazem a diferença na história e nos faz aproximar mais das personagens principais. Cenas ótimas e diferentes são introduzidas com base disso, como a que Shideh sai correndo da casa assustada com a filha sem as vestimentas de rua (lembrando que lá, mulheres tem que sair completamente corbetas com burcas) e acaba sendo presa.


Esse drama inclui a metáfora da opressão da cultura na vida dela, dando uma mensagem meio feminista à produção, o que é bom. O principal problema do filme é justamente o final. Imaginem um suflê. Você prepara ele com todo o cuidado e o coloca pra assar. Daí você acha que ele tá pronto e ele murcha. É semelhante à estrutura do filme.

Durante cerca de 1 hora, o roteiro prepara todo o terreno: desenvolve os personagens muito bem, encaixa a história em meio ao contexto histórico, introduz boas cenas de suspense que nos deixa curioso... Mas quando chega o fim, é contido, sem muita paixão, parece que foi feito de qualquer jeito, o que pra mim, estragou bastante a experiência do filme em si.

Ainda que haja motivos para conferir À Sombra do Medo, o horror não é um deles. Se for procurando isso, não irá encontrar muito, o que foi o meu caso. Se estiver de mente aberta, é uma produção interessante de assistir pelo drama e o desenvolvimento da protagonista.

por Neto Ribeiro

Título Original: Under the Shadow
Ano: 2016
Duração: 84 minutos
Direção: Babak Anvari
Roteiro: Babak Anvari
Elenco: Narges Rashidi, Avin Manshadi, Bobby Naderi, Ray Haratian, Arash Marandi

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