17 de dezembro de 2016

Crítica: The Exorcist | 1ª Temporada (2016)


Concebida em um poço de polêmica, a série The Exorcist não foi nem um pouco bem recebida quando anunciada. Originada de um dos maiores filmes de terror da história, senão o maior, é compreensível que muita gente tenha tido receio em relação à ela, apesar de ter sido deixado claro que a história seria original e não uma adaptação da história do filme de 1973.

O responsável pelo projeto também não tinha um currículo muito apresentável. Em 2015, Jeremy Slater escreveu duas bombas: Renascida do Inferno, um terror sobrenatural em que uma moça era trazida de volta à vida numa experiência; e o reboot da franquia de heróis Quarteto Fantástico, que foi massacrado pela crítica e pelo público. Parecia que a série estava condenada antes de estrear, ninguém tinha expectativas altas e creio que foi isso que acabou fazendo com que a temporada fosse boa.

Cuidado: O post contém alguns spoilers!

The Exorcist teve ao total 10 episódios na primeira temporada e funciona melhor como uma minissérie, um "series event", como foi anunciado mesmo, do que a primeira de muitas temporadas. A história, a princípio, não podia ser mais genérica. Angela (Geena Davis, A Mosca) desconfia que sua filha Kat (Brianne Howey, Scream Queens) está possuída pelo Diabo, depois de um acidente quase ter tirado a vida dela. Desde o ocorrido, Kat ficou antissocial e não sai do quarto.

Ela contata o Padre Tomas (Alfonso Herrera, Sense8), o responsável pela paróquia que frequenta, para que juntos possam fazer algo, mas não há provas necessárias para que um exorcismo seja realizado na garota. Logo no fim do primeiro episódio, uma reviravolta revela que há uma possuída na história, mas não é Kat e sim Casey (Hannah Kasulka), a irmã mais nova. Essa reviravolta foi bem vinda no piloto por trazer algo diferente à história e percebemos logo que a série não será tão leite com pêra como imaginávamos.


Nos episódios que se seguem somos apresentados ao Padre Marcus (Ben Daniels, House of Cards), a figura mais próxima que temos de um exorcista na série. Ele tem um passado manchado na igreja por conta de um morte de um garoto durante um exorcismo realizado por ele mesmo, mas sua presença ajuda Padre Tomas e a família da jovem, que piora a cada episódio.

É só no quinto episódio da temporada que a série finalmente abre as cortinas e revela para o que veio: toda a trama é na verdade uma sequência d'O Exorcista original, com Angela sendo uma versão mais velha de Regan McNeil (interpretada em 73 por Linda Blair), que resolveu mudar de nome após os eventos do primeiro filme.

O demônio é ninguém mais ninguém menos que Pazuzu, ainda que o mesmo não seja retratado da forma horripilante do filme e sim na forma de um "vendedor" (Robert Emmet Lunney) para Casey. A forma mencionada por Regan no filme, o Capitão Howdy, também aparece por aqui. Com essa revelação bombástica, a produção ainda traz a icônica personagem de Chris McNeil, mãe de Regan, aqui interpretada por Sharon Gless ao invés da Ellen Burstyn.

Tudo então começa a ser orquestrado para se chocar com os subplots da trama, que envolvem um grupo satanista que planeja matar o papa em sua visita à cidade. 


O ponto alto da série foi não correr logo de cara para caminhos previsíveis, mesmo que no final das contas tudo acabe em uma zona de conforto para filmes do gênero. A história desenvolvia bem o drama, apesar de um elenco em que apenas dois atores - os dois Padres -, pareciam realmente confortáveis com os papéis. Geena Davis pode ter atuado bem um dia mas na série está lamentável, algumas cenas dela doíam de tão plastificado. Uma pena.

Algo que me incomodou, e acho que não foi o único foi justamente a possuída, Casey. Embora a história seja construída envolta a sua possessão, ela nunca parecia ser o foco, sempre tinha algo mais importante rolando. E em algumas situações até entendo, faz parte do que falei anteriormente, da série não pegar caminhos previsíveis. Mas realmente acho que podiam ter dado mais ênfase em sua personagem, quando já estava possuída.

Outra coisa foi a maquiagem. Podem me chamar de chato e tal, mas se a série se passa no mesmo universo do original e a garota está sendo possuída pelo mesmo demônio que possuiu Regan no original, vocês não acham que elas deveriam pelo menos parecerem na fase demônio? Não sei não viu...


Infelizmente, outro ponto negativo foi a season finale, fraca e anti-climática. Tanto suspense para um desfecho tão pragmático, sem inspiração e sem ousadia. Com isso, quero dizer, muita gente viva, rs. Realmente me decepcionou e acho que podemos interpretar o final como aberto a continuações, caso a série seja renovada. Sinceramente, espero que não, mas vamos ver o que a Fox vai fazer.

Para fechar a crítica e resumir tudo: o show não foi tão ruim quanto esperávamos e trouxe ideias interessantes e criativas, apesar de execuções não tão boas assim. Tropeçou em besteiras que poderiam ter sido facilmente evitadas e acertou em outras. Portanto, a nota que dou é 6/10, ou 3/5. É algo bem na média.
por Neto Ribeiro

Criada por: Jeremy Slater
Canal: Fox
Episódios: 10
Elenco: Alfonso Herrera, Ben Daniels, Geena Davis, Alan Ruck, Hannah Kasulka, Brianne Howey, Robert Emmet Lunney, Sharon Gless



Description: Rating: 3 out of 5

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