4 de janeiro de 2017

Crítica: Alien 3 (1992)


Depois do sucesso de bilheteria e de crítica de Aliens: O Resgate (1986), considerado por muitos como uma das melhores sequências do cinema, a Fox não poderia perder sua franquia de ouro e logo colocou o terceiro capítulo da odisseia da Tenente Ripley em produção. However, só Satã sabe os problemas que esse filme enfrentou para sair do papel.

Incontáveis roteiros foram escritos para o filme, todos com premissas diferentes e até interessantes, porém todas rejeitadas pelos pomposos produtores da Twentieth Fox. Alguns roteiros traziam Ripley numa nave feita de madeira e populada por monges (que no final fariam um exorcismo para tirar o alien de Ripley!!!), outros traziam a história situada na Terra, em Nova York pra ser mais preciso, ou então o trio de sobreviventes do segundo filme levados à um planeta shopping center em construção.


Grande parte dos roteiros foram rejeitados principalmente por que os produtores queriam que a história se passasse numa prisão, que foi a premissa escolhida para a versão final. Mesmo depois de um roteiro definitivo escolhido e a contratação de David Fincher em início de carreira, depois da desistência de outros dois diretores, a Fox ainda enchia o saco e pedia regravações, alterando vários detalhes no roteiro.

Até hoje, Fincher, com uma carreira consolidada por filmes maravilhosos como Se7en (1995), Clube da Luta (1999), O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e Garota Exemplar (2014), se recusa em reconhecer este filme. Tanto que, em 99 quando foi dirigir Clube, também da Fox, se relutou por ter tido uma péssima experiência com produtora do século 20. E não é só ele que diz isso, mas muita gente que estava envolvida na produção.

O que resultou foi uma verdadeira colcha de retalhos em forma de filme. Concebido como o capítulo final da franquia, Alien 3 é criticado por vários fãs, apesar de eu não considerá-lo um desastre. Aliás, Ressurreição (1996), a quarta parte da franquia, consegue ser bem pior do que vemos aqui.


Bom, no fim de Aliens: O Resgate (1986), Ripley (Sigourney Weaver) conseguiu escapar junto com o Cabo Hicks (Michael Biehn) e a garotinha Newt (Carrie Henn) numa nave. Após entrarem em sono criogênico, eles sofrem um ataque silencioso de ovos alienígenas que haviam na nave. Com a queda da cápsula em Fiorina Fury 161, um planeta metalúrgico que serve como prisão de segurança máxima, apenas Ripley sobrevive.

Quando retoma a consciência e percebe que houve algo de estranho no acidente da nave, Ripley desconfia que um alien possa ser o responsável por isso, apesar de que alguns detalhes apontem que não. Pois bem, os ovos que tinham se chocado na nave fazem uma vítima (na versão do cinema, um cachorro, na versão estendida, um boi), que acaba levando um alien para dentro da prisão.

Esse alien é diferente do visto nos filmes anteriores, é um pouco maior e ao invés de se movimentar com as pernas, esse é quadrúpede e corre que nem um cachorro (até subindo nas paredes, também). Ele então, começa a massacrar o pessoal pela instalação e demora um pouco até todos acreditarem que estão lidando com um ser alienígena extremamente perigoso.


Infelizmente, como uma sequência de O Resgate, é um pouco decepcionante. Matar logo no início dois personagens extremamente carismáticos e amados pelo público foi um balde de água fria nos fãs. Segundo rumores, uma das razões para terem insistido em matar a Newt é que os produtores queriam que a história se passasse numa prisão e que uma das versões do roteiro traria pedófilos tentando abusar Newt. Sem ela no filme, a cena foi "transferida" para o ataque de Ripley. O chato é que outras versões anteriores tinham o Hicks e a Newt na história vivos, com Newt sendo mandada de volta pra terra pra viver com os avós e o Hicks indo batalhar contra um planeta que usava os alienígenas como arma biológica.

Como isso não ocorreu, temos a Ripley sozinha e abalada por não ter conseguido salvá-los, num planeta isolado cheio de criminosos. Mas isso não faz com que ela se sinta intimidada, pois a sua posição forte continua lá em cima. Na verdade, Ripley talvez seja a melhor coisa do filme e isso não é novidade. Alguns personagens secundários, os prisioneiros, são até simpáticos mas a maioria é facilmente confundido e não são muito memoráveis, apenas carne pros aliens.


Falando de alien, o maior pecado, imperdoável no mínimo, é o Xenomorfo daqui. Como falei lá em cima, ele é diferente dos apresentados nos filmes anteriores, mas nem é esse o problema. O problema é que inventaram de fazer o alien inteiramente em uma nova animação, usando uma técnica parecia com o stop motion e pouquíssimas cenas tem um alien controlado de maneira natural, como nos dois primeiros. E como estamos falando dos primórdios dos efeitos especiais digitalizados, as técnicas andavam a passos pequenos então já podem imaginar que as cenas são escrotas.

Segundo Fincher, sua visão do novo alien seria que ele parecesse mais uma puma, uma besta, ao invés de um humanóide que andasse sobre duas pernas. H.R. Giger, criador do visual do alien original, desenhou vários modelos, que envolviam desde pernas mais longas até uma língua pontuda e afiada ao invés da segunda mandíbula. Em uma das trocentas versões do roteiro escritas, o alien era descrito como um pouco sensual, tendo um protótipo desenhado em que ele tinha lábios acentuados, que lembravam à uma mulher (!).

Por fim, quero fechar a crítica dizendo que não é tão ruim quanto falam. É um filme até competente, se tirar detalhes irritantes que falei acima. Gostei do clima do filme, não parece tão claustrofóbico quanto o primeiro e o segundo, mas tem um clima de guerra, uma fotografia amarelada e "suja", que substitui a fotografia fria e úmida dos anteriores. Aliás, talvez seja o filme mais violento da série, então tem umas cenas bem bacanas e cheias de gore. Só lembrem que Ressurreição (1996) sempre estará aí para ocupar o posto de píor filme da franquia.

por Neto Ribeiro

Título Original: Alien³
Ano: 1992
Duração: 114 minutos
Direção: David Fincher
Roteiro: Vincent Ward, David Giler, Walter Hill, Larry Ferguson
Elenco: Sigourney Weaver, Lance Henriksen, Charles Dance, Charles S. Dutton, Paul McGann, Brian Glover, Ralph Brown, Danny Webb


Description: Rating: 3 out of 5

2 comentários :

  1. Olá tudo bem. Acredito que há um engano no texto acima, a criatura neste terceiro filme não feita em CGI, eles usaram uma marionete operada por cabos e varetas em todas a cenas que a criatura aparece de corpo inteiro na cena e correndo. Em alguns momentos de close da criatura foram usados um boneco animatrônico e em alguns outros momentos de maior interação entre humanos e a criatura, era um ator vestido um traje da criatura, principalmente na cenas próximas ao final do filme, em que a criatura aparece da cintura para cima. Existe um making-of falando somente sobre os efeitos visuais do filme. Tem disponível no youtube, a criatura marionete usada é tipo de efeito parecido com o que antes era feito em stop-motion, sendo inserido sincronizado nas cenas do filme.

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    1. Ah sim, engano meu. Obrigado pela ressalva, Luiz!

      Abraços.

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