16 de janeiro de 2017

Crítica: Prometheus (2012)


Ultimamente, venho resenhando os filmes da franquia Alien, iniciada lá em 1979 com o primeiro O Oitavo Passageiro (1979) e que gerou três sequências oficiais: O Resgate (1986), Alien 3 (1992) e Ressurreição (1996). Sem nenhum filme desde então, Ridley Scott (diretor do primeiro filme) resolveu pôr em prática um projeto que vinha planejando há um tempão, um quinto capítulo da franquia, produzido por James Cameron (diretor do segundo) e dirigido por ele mesmo. Porém, a realização de Alien vs. Predador (2004) fez com que Scott cancelasse o projeto, pois o mesmo achava que o crossover desvalidava o seu filme.

Foi só em 2010 que Scott decidiu revisitar o projeto e reprojetá-lo para um filme mais independente. Intitulado de Prometheus, o filme seria uma mistura de spin-off da franquia com prequel, ou seja, a história se passaria no mesmo universo de Alien, num tempo anterior ao primeiro filme mas não seria completamente conectado ao mesmo. 

O roteiro de Prometheus, however, é originado de um roteiro escrito por Jon Spaiths intitulado Alien: Engineers, em que muitos detalhes vistos no filme são apresentados, como os personagens e os Engenheiros. No entanto, o filme traria sérias conexões diretas com Alien, além de trazer o Xenomorfo e Ridley Scott não queria isso. Ele então chamou Damon Lindelof para dar um trato no roteiro e transformá-lo em um filme solo, com suas próprias pernas e sem muitas conexões com o filme de 79. Foi então que nasceu o filme que vemos hoje.


A história de Prometheus começa com a exploradora Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e seu companheiro Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), que acham em uma caverna da Escócia gravuras cravadas que indicam a existência dos Engenheiros, uma espécie extraterrestre que ela acredita ser a criadora da vida na Terra. Quatro anos depois, os dois entram em uma expedição no espaço bancada por uma grande empresa.

A tripulação da nave Prometheus é formada pela capitã da nave, Meredith (Charlize Theron), o androide David (Michael Fassbender), o piloto Janek (Idris Elbra) e outros assistentes, médicos, etc. A investigação os levam até uma lua isolada e distante, onde acham uma estrutura gigantesca que se revela ser semelhante à encontrada pela equipe da Nostromo em Alien, apesar de não ser o mesmo planeta.

Lá eles encontram uma imensa estátua de cabeça humanóide dentro da estrutura, juntamente de um cadáveres de criaturas gigantes (os Engenheiros), semelhante à humanos e também casulos, parecidos com os que vemos no primeiro Alien, mas que não contêm os Facehuggers mas sim uma espécie diferente - denominada Trilobites - mas que fazem o mesmo processo dos FH. Os casulos também guardam um líquido negro e substancial que eles levam para estudar. O enredo se desenvolve quando traições começam a ocorrer dentro da nave, resultando em situações catastróficas.


Ainda que eu goste bastante do filme, aqui vai o que mais me incomoda. É um filme com crise de identidade. Por mais que Scott tente construir uma história independente e que possa andar sem se apoiar em seu progenitor, ele ainda recorre à muitos elementos do arco Nostromo para que o longa pareça autossustentável. Isso faz com que a história dê um passo para frente, outro pra trás, outro pra frente e assim sucessivamente, sempre num impasse.

Também é bastante confuso a utilização de itens novos - como as criaturas que não chegávamos a imaginar que sequer existiam - na história sem uma base de explicação. Principalmente quando chega o final e nos dá uma ponte que o liga diretamente ao filme de 79! Tipo, se decida, ou trepa ou sai de cima!

Acho que é importante esclarecer alguns pontos da história que são fáceis de serem confundidos. Obviamente, esses parágrafos terão spoilers. Mas vamos lá!

LV426 e LV233
O planeta: Muitos podem achar que o planeta (na verdade uma lua) é o mesmo em que a nave Nostromo pousa no Alien original, porém não é. O planeta do filme é LV233 enquanto o de Alien é LV426. No entanto, Scott já explicou que ambos se localizam no mesmo sistema. Isso leva à...

Estrutura encontrada: Em ambos os filmes, as tripulações das nave Nostromos e Prometheus encontram uma estrutura em ambos os planetas, onde há um Engenheiro morto dentro dela. Isso é facilmente explicado já que o LV233 era um planeta de testes dos Engenheiros, assim como o LV426 era. Portanto, não era a mesma estrutura, mas era do mesmo tipo.

O alien na cena final: No fim do filme, o Engenheiro despertado por David na estrutura segue a Dra. Shaw até a nave, onde acaba sendo morto por uma criatura (chamada Trilobite). Após o fim, vemos seu cadáver se contorcer, de onde sai um alien. Se prestar bem atenção, o alien desse filme não é o mesmo dos filmes originais, mesmo se pensar que é uma versão "recém-nascida". Este daqui tem uma cabeça mais pontuda do que os Xenomorfos e isso foi confirmado quando o alien deste filme foi chamado Deacon. Ele é simplesmente uma versão "ancestral" dos Xenomorfos.


O primeiro ponto alto de Prometheus é justamente o suspense, bem semelhante ao visto em Alien mas sem o mesmo clima de claustrofobia. A história não é tão contida, no entanto, então em algumas partes pode parecer gratuita. Mas ela consegue gerar tensão o suficiente para te deixar grudado, com cenas que vão desde a uma cesariana bizarra até um desfecho megalomaníaco mas interessante.

O segundo é o elenco, encabeçado por ótimos atores, competentes o suficiente para deixar seus personagens serem o principal foco da trama. Noomi Rapace faz uma incrível protagonista, carismática e que remete às vezes à Ripley, embora a personagem de Charlize Theron seja bem mais relativa. Ainda há Michael Fassbender, Idris Elbra e o subestimado Logan Marshall-Green - que veio a estrelar The Invitation, um dos melhores filmes de 2016 e também entregou uma atuação magnífica.

Para completar aqui a crítica da franquia, quero só relembrar que a sequência oficial de Prometheus será lançada em Maio, também dirigida por Ridley Scott. Intitulada Alien: Covenant, a continuação será mais pipoca, com um clima de terror e apresentará um novo tipo de alien, o Neomorfo, descrito como um primo distante do Xenomorfo. Você pode ler a nossa crítica dele aqui. Bom, é isso pessoal. Se quiser dar uma olhada nas críticas dos quatro filmes da franquia original, clique aqui. Até Maio, folks!

por Neto Ribeiro

Título Original: Prometheus
Ano: 2012
Duração: 124 minutos
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Jon Spaiths, Damon Lindelof
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elbra, Logan Marshall-Green, Guy Pearce


Description: Rating: 4 out of 5

Um comentário :

  1. Ainda acho que o Ridley Scott foi bastante conservador em Prometheus e que ainda vai explicar o que não foi possível nesse próximo filme, quem sabe...

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