10 de fevereiro de 2017

Crítica: Aniversário Macabro (1972)


"É apenas um filme! É apenas um filme! É apenas um filme!"

Quem aí já viu "A Última Casa" (2009) protagonizado pela Sara Paxton? Pois é, a grande maioria. O que muitos não sabem é que trata-se do remake de "Aniversário Macabro" (The Last House on the Left), o primeiro filme de horror dirigido pelo grande Wes Craven.

Craven deslanchou sua carreia com "A Hora do Pesadelo" e "Pânico", mas antes disso já havia chocado o público com muita violência e sadismo nos anos 70.

Em "Aniversário Macabro", na véspera de completar 18 anos, a jovem Mari Collingwood e uma amiga acabam nas mãos de cruéis criminosos que escaparam da prisão. Enquanto seus pais organizavam os preparativos de uma festa surpresa para ela, Mari e sua amiga são violentadas e mortas. No dia seguinte, os assassinos vão refugiar-se exatamente na casa dos pais da vítima, sem imaginar o destino infeliz que os aguardava. 

Logo antes de dar início ao filme, aparece o aviso de que o que veremos é baseado em uma história real e que os verdadeiros nomes foram substituídos para poupar as vítimas. É uma baita mentira, mas que deve ter funcionado na época, assim como em "A Bruxa de Blair" nos anos 90. 

O filme na verdade é baseado no drama "The Virgin Spring" (1960) do diretor Ingmar Bergman.


O longa começa com a Mari (Sandra Cassel), se arrumando para curtir um show com uma nova amiga, mas seus pais estão muito preocupados, sem querer deixar a filha sair por conta da violência do mundo. Mas a adolescente consegue convence-los e segue ao encontro da amiga. Mari e Phyllis (Lucy Grantham) vão em busca de uma ervinha, e acabam se deparando com uma quadrilha de bandidos. A partir daí Craven não poupa o espectador e joga a pura essência da maldade. Não há um resquício de humanidade nos vilões (apesar de que em alguns momentos eles parecem incomodados com as atrocidades cometidas). O único que tenta fazer algo para mudar a situação é o também adolescente Junior (Marc Sheffler), filho de Krug Stillo, o líder da gangue.

Não há uma preocupação muito grande em apresentar os personagens e introduzi-los na história. A apresentação dos vilões é bem sutil, por exemplo. Em algum momento da história é anunciado na rádio que 4 bandidos altamente perigosos estão foragidos. O aviso diz que Krug é assassino de padres e freiras e que Weasel é molestador de crianças e assassino. Daí você já tem noção do que esperar.

As vítimas, Marie e Phyllis sofrem inúmeras torturas, tanto psicológica quanto física. A dose de violência surte muito efeito, pois há um tom sujo e cenas cruas que dão um ar mais real ao que se está assistindo. O amadorismo é um ponto positivo nesse caso. É tudo bem absurdo e real.


A direção de Wes é um tanto fraca. A trama parece um pouco arrastada e não consegue desenvolver tão bem a ideia, pois fica numa enrolação sem fim, com um jogo de gato e rato das vítimas com o trio de maníacos, e a vingança que é bom, só acontece nos 15 minutos finais. Ainda sim não dá pra negar a genialidade desse roteiro! Imagina os assassinos de sua filha irem parar na sua casa? "Aniversário Macabro" conseguiu mostrar muito bem a bizarrice que poderia ser uma situação dessa.

O elenco é meio canastrão, e algumas atuações soam caricatas, mas nada que atrapalhe a proposta do enredo. A trilha musical que é anti-climática propositalmente serve pra mostrar a naturalidade com que os vilões agem, o deboche deles para com a vida das duas moças (pelo menos assim eu entendi), fora que Wes teve que colocar uma dose de alívio cômico por causa da censura, e a trilha ajudou nisso.


Há quem ache o filme horroroso, mas eu o vejo como um clássico absoluto. Tem seus erros, mas de maneira geral é um filme que choca, até por ser a introdução do New Horror, que trouxe uma nova pegada para o cinema de horror americano apresentando a violência crua, inspirando outros filmes como "A Vingança de Jennifer" (1978).

Craven consegue falar sobre violência, proteção dos pais e justiça com as próprias mãos de uma maneira direta e totalmente possível.

Ps: O seu remake é muito bem-vindo, pois conseguiu explorar a ideia de uma maneira melhor e ainda sim manteve a essência do original. Fora que a produção é do próprio Wes Craven e o elenco é de outro nível.

- Algumas curiosidades:

*Wes Craven depois usou o nome "Krug", em A Hora do Pesadelo para o vilão do filme, Freddy Krueger. Em ambos os filmes, o nome é usado por assassinos de adolescentes.

*Uma mistura de corante vermelho e azul misturada com xarope de caramelo foi usada para o sangue falso, o que deu um tom mais real do que os outros sangues fictícios.

*O filme foi proibido em vários países por conta de sua violência. 

*Sean S. Cunningham, produz o filme. Alguns anos depois dirigiu e produziu o primeiro Sexta-feira 13 (1980)

*Krug (o líder da quadrilha), aparece pela primeira vez estourando o balão de uma criança com seu charuto. A criança em questão é filho do diretor Craven.

*Craven e Cunningham tiveram que burlar a lei. Eles colocaram de volta boa parte das cenas cortadas e usaram uma certificação “R” dada originalmente ao filme de um amigo deles, podendo lançar o filme nos cinemas com entrada liberada para menores de 18 anos, desde que com permissão dos pais, já que mesmo tendo 20 minutos de corte o filme encontrava problemas para ser lançado nos cinemas. 

*O trailer do filme na época, e também a frase nos cartazes, dizia o seguinte: “Para evitar ficar chocado, repita o tempo inteiro: ‘É apenas um filme! É apenas um filme! É apenas um filme!’“.

Por Lu Souza

Título Original: The Last House on The Left
Ano: 1972
Duração: 84 minutos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Wes Craven
Elenco: Cynthia Carr, Richard Towers, David Hess, Jeramie Rain, Lucy Grantham, Sandra Cassell, Fred J. Lincoln, Martin Kove, Marshall Anker, Marc Sheffler e Ada Washington.





Description: Rating: 3.5 out of 5

Postar um comentário