3 de fevereiro de 2017

Crítica: A Autópsia (2016)


Uma das maiores surpresas que 2016 trouxe consigo, A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe) foi lançado no finalzinho do ano, sem uma divulgação ampla, mas pelo visto conseguiu ganhar a boca dos fãs de terror, já que virou um dos filmes mais comentados da temporada de Dezembro para cá. A direção desta pérola é do norueguês André Øvredal, que comandou em 2010 o found-footage O Caçador de Troll e não podemos negar que sem seu talento, o filme não teria sido mesmo.

O enredo acompanha dois legistas, pai e filho, que comandam o necrotério local da cidade. Numa noite, perto de acabar o horário, o xerife chega com um cadáver não identificado, uma moça desconhecida, que foi encontrada enterrada numa casa onde um massacre inexplicado ocorreu. Acho que é necessário explicar que Jane Doe é um termo americano usado para mulheres desconhecidas (assim como John Doe é usado para homens desconhecidos). Por isso, a moça é chamada de Jane Doe. Voltando... como o caso é urgente, o xerife entrega o corpo junto com o pedido da causa da morte ainda para a mesma noite.


Ambos então começam a autópsia da moça, encontrando de cara várias contradições quanto a sua identidade e sua morte: o corpo aparenta estar intacto, embora ela obviamente não ter tido uma morte recente. Não há marcas expostas de nenhum ferimento, mas seus pulsos e tornozelos estão quebrados. A língua da moça está cortada, sua vagina mutilada e quando iniciam a autópsia interna, seus órgãos sangram, o que não é normal em cadáveres recentes.

Não há explicação para os ferimentos da moça ou para os detalhes apavorantes que eles encontram dentro do cadáver. Quanto mais a dupla se aprofunda na autópsia e a noite passa, mais provas assustadoras que algo sobrenatural está acontecendo aparecem. 


A atenciosa direção de Øvredal é o ponto alto de A Autópsia. Ele não utiliza fatores exagerados, jumpscares nem imagens assustadoras para induzir o medo. Tudo é bem simples, a própria história cuida disso e ele apenas a conduz. O mistério por trás do corpo e as revelações a cada ato do filme é o suficiente para te deixar preso na história e também tenso.

Também é bem importante falar que a ambientação é bem trabalhada e contribui para o resultado final. O necrotério deserto e seus longos corredores mal iluminados traçam cenas de puro suspense e inquietude, como a bizarra cena que precede o diálogo no elevador, onde o simples barulho de sino e a ajuda de uma trilha sonora bem orquestrada te deixa roendo as unhas.

Creio que o filme perca um pouco a mão quando vai chegando próximo ao final, pois o mistério já foi revelado e então o longa caminha para uma mesmice dos filmes atuais. O desfecho não é tão ruim, mas creio que foi mal elaborado. Mas tenho que dizer que a resolução do mistério do cadáver foi inesperada e bem escrita.


Outra coisa que ajudou bastante no filme foi a dupla de atores principais, Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem) e Brian Cox (Contos do Dia das Bruxas), que interpretam pai e filho. O companheirismo entre os dois não soa forçado, parece bastante genuíno e ambas as performances são bem interpretadas. O próprio diretor falou que sua cena favorita é a qual os dois estão presos no elevador e conversam sobre a morte da mãe, pois não precisou dar muitas ordens, os dois apenas sentaram lá e levaram a cena nas costas.

Um dos melhores filmes de 2016, A Autópsia é um suspense simples que não precisa de sustos baratos para se sustentar, tendo a própria história bem escrita para fazer o mesmo. Provavelmente seja um dos poucos filmes dos últimos tempos a se preocupar em causar medo ao invés de proporcionar apenas sustos.

Ps: O filme será lançado em Maio nos cinemas brasileiros!
por Neto Ribeiro

Título Original: The Autopsy of Jane Doe
Ano: 2016
Duração: 86 minutos
Direção: André Øvredal
Roteiro: Ian Goldberg, Richard Naing
Elenco: Emile Hirsch, Brian Cox, Ophelia Lovibond, Olwen Kelly


Description: Rating: 4 out of 5

11 comentários :

  1. Anônimo2/16/2017

    Uma pérola num mar de algas, o suspense cresce passo a passo, é criado aos poucos, e o final não decepciona, um legítimo filme de terror.

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  2. Anônimo5/03/2017

    Filme que em alguns anos vão considerar cult. Tem sua própria identidade. Como disse o comentário acima é uma pérola em um mar de algas mesmo.

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  3. Alguém por favor me explica esse filme pq eu nao entedi

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    1. Ela era uma bruxa, que estava se vingado de todos que tinha contato com seu corpo, por ter sido torturada antes de morrer.

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  4. que isso velho,acabei d ver o filme as 1 da manha e nao tenho nenhuma duvida sobre a mesma,mistura religiao com terror,o cadaver na verdade e um espirito do seculo xvll que foi queimado por bruxaria e procura vinganca em quem passar pelo seu camicnho.

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    1. Anônimo5/09/2017

      Pra quê spoiler filho da puta. Vou comer seu cu seu pedaço de escroto podre do caralho

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    2. Anônimo7/02/2017

      Que isso, quem não quer spoiler nem entra em paginas assim, cara você é bem idiota....

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  5. Um dos melhores filmes de 2016! Muito tenso e uma boa história.

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  6. era isso mesmo eu queria saber a história do filme sem assistir porque era minha curiosidade obrigado unknown

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