26 de março de 2017

Crítica: A Passagem (1988)


Recentemente, tive a oportunidade de assistir Waxwork, um filme de terror lançado no fim dos anos 80, que saiu por aqui sob o nome de A Passagem. Para mim, ele é um daqueles filmes que você sempre ouve falar (não frequentemente, mas de vez em quando vê algo sobre ele) mas nunca bate a curiosidade. Isso por quê eu não conhecia a história e depois de uma rápida lida na sinopse resolvi conferir. O que me deparei foi um filme extremamente divertido e que, vejam só, foi "copiado" para uma versão comédia em 2006 com Uma Noite no Museu, estrelado por Ben Stiller. Claro que há várias diferenças mas impossível não perceber as similaridades.

O filme se passa no fim dos anos 80 e acompanha um grupo de amigos que resolvem visitar um inusitado museu de cera recém-chegado na cidade. Duas das garotas se deparam com o local e são convidadas por um estranho homem, sendo avisadas que seria um evento fechado e ela não poderia levar mais de 4 amigos consigo. Coincidentemente, o grupinho é formado por seis amigos: o protagonista Mark (Zach Galligan, Gremlins), a certinha Sarah (Deborah Foreman, A Noite das Brincadeiras Mortais), a pegadora China (Michelle Johnson, A Morte lhe Cai Bem), Tony (Dana Ashbrook, Twin Peaks) e o casal Gemma e Eric (Clare Carey e Eric Brown). Na noite marcada, os dois últimos acabam desistindo de última hora.


Ao chegarem na mansão que serve como o museu, eles são recebidos por uma dupla bizarra - um anão e um cara altão - além do proprietário do lugar, que é o mesmo que convidou as moças. Sozinhos no museu, os quatro observam os stands criativos e realistas mas o primeiro a perceber que há algo de errado é Tony, que resolve passar da linha e entrar em um deles. Ele é "transportado" para uma dimensão onde o cenário do stand é real.

É quando vemos que cada stand tem sua própria realidade e uma vez que você entra nela e é morto, vira parte da coleção de cera. Tony acaba enfrentando um lobisomem e China o Conde Drácula, em duas cenas muito bem feitas e divertidas. Os outros dois, Mark e Sarah, deixam o museu quando são informados que os primeiros haviam saído também. Claro que a história está mal contada quando eles não dão sinal no dia seguinte, levando Mark a contatar a polícia. Daí, as histórias vão se cruzando e nos entregando diferentes "segmentos" bem criativos.


Isso é o mais bacana do filme, ele traz uma grande variedade de temas na história, que vão desde lobisomens à múmias, homenageando os grandes clássicos do horror. O que acontece é que cada "stand" do museu de cera armazena um grande mal (ou seja, as criaturas). No total são 18, mas nem todas recebem um verdadeiro foco. Os que recebem são: Conde Drácula, lobisomem, Marquês de Sade, zumbis, múmia e o Fantasma da Ópera. Os que não recebem mas podem ser vistos no fim são uma bruxa, um padre voodoo, o Homem Invisível, o monstro do Frankenstein, um casulo de Invasores de Corpos (1978), o bebê demoníaco de Nasce um Monstro (1974), um alien, um homem cobra, um Golem, Jack o Estripador, Mr. Hyde e uma lenda urbana (um assassino do machado). Muitos não sabem mas o Jason de Sexta-Feira 13 era para ter uma participação, cancelada, claro, devido aos direitos autorais.

Algumas coisas podem incomodar e fazer até o filme parecer saturado, como se tivesse envelhecido mal e não são os efeitos - que são práticos e bem feitos, com muito sangue (mais do que eu realmente esperava) e gore. Na verdade são algumas cenas que envolvem luta, principalmente no terceiro ato. Elas soam completamente superficiais, toscas e tiram bastante o clima do desfecho.

Falando em desfecho, Waxwork deixa um ganho à-lá Evil Dead 2 (1986) para uma sequência, que foi lançada quatro anos depois, em 1992, com o título Waxwork II - Perdidos no Tempo. O Zach Galligan retorna no papel de Mark mas a Deborah Foreman foi substituída pois a mesma teve um relacionamento com o diretor que acabou após o lançamento do primeiro filme. Na continuação, que é direta, o casal volta no tempo (não sei como). Ainda não conferi mas pretendo!

Pra fechar a crítica, vou sintetizar o texto: É um filme que só poderia ter sido feito nos anos 80, uma ótima diversão com uma história criativa e que irá agradar bastante quem curte horror pelo fan service incluído.
por Neto Ribeiro

Título Original: Waxwork
Ano: 1988
Duração: 97 minutos
Direção: Anthony Hickox
Roteiro: Anthony Hickox
Elenco: Zach Galligan, Deborah Foreman, Michelle Johnson, David Warner, Dana Ashbrook, Miles O'Keeffe, Patrick Macnee, John Rhys-Davies


Description: É um filme que só poderia ter sido feito nos anos 80. Rating: 3 out of 5

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