24 de abril de 2017

Crítica: Sobrenatural (2011)


Quem diria que um filme que qualquer um julgaria inofensivo iria dar início a uma nova leva que mudaria o horror em Hollywood pela próxima década? Além disso, iria levar às alturas o nome de James Wan, que dirigiria anos depois Invocação do Mal (2013), além de consolidar também a Blumhouse Pictures. Um filme que tinha um orçamento de míseros $1,5 milhão de dólares faturou nada menos que $97 milhões mundialmente, trazendo à Blumhouse a marca de uma produtora que fazia filmes de terror com pouco dinheiro e faturava uma porrada a mais. Portanto, não é difícil de se imaginar que em seguida vários filmes teriam o carimbo "Dos produtores de Jogos Mortais e Sobrenatural".

A manobra esperta de Wan foi na verdade trazer um filme extremamente assustador e atmosférico numa premissa não tão original. O que foi um pouco parecido ao que ele fez em Invocação do Mal e isso não é uma crítica. Pois ele conseguiu tirar conteúdo e eficiência de algo que parecia estar morto e enterrado. 


A história de Sobrenatural segue a família Lambert, composta pelo professor Josh (Patrick Wilson), a música Renai (Rose Byrne) e seus três filhos, Dalton (Ty Simpkins), Foster (Andrew Astor) e a recém-nascida Kali. O ponta-pé se dá quando eles se mudam para uma nova casa e Dalton leva uma queda aparentemente abnóxia, mas no dia seguinte se descobre que o garoto entrou em estado de coma. Nenhuma explicação é dada pelos médicos, para o desespero do casal. Após 3 meses de tratamento ineficaz no hospital, os pais são autorizados a levar o filho para continuar o tratamento em casa através de aparelhos. É quando começa os eventos sobrenaturais.

Assustados com o que vem acontecendo, Lorraine (Barbara Hershey), mãe de Josh, liga para uma amiga sua, Elise (Lin Shaye), uma medium paranormal que junto com sua equipe, vem ao auxílio da família. Mesmo após se mudarem de casa, os Lambert chegam à conclusão de que não é a casa que estava assombrada, mas sim o seu filho.

Como falei, a história em si não é lá muito original mas o filme acerta em cheio em conduzi-la. Várias escolhas da ótima direção de Wan fizeram com que o filme não passasse em branco. Uma das principais é a sua conhecida trilha sonora, que parece algo vindo direto do inferno! Assinada pelo Joseph Bishara, a soundtrack é composta por violinos altos e desafinados que sem dúvidas irão te fazer pular em algum ponto do filme.


Bishara, além de compositor, também atua no longa como o Lipstick-Face Demon, aquele demônio bizarraço com a cara vermelha. A direção das cenas em que o monstrengo aparece é eficiente e inquietante, claramente outro ponto alto do filme. Destaco a cena em que Lorraine o vê atrás de Josh, um dos "cartão-postais" da produção.

O roteiro bebe da fonte de alguns clássicos de terror como Terror em Amityville (1979), Poltergeist - O Fenômeno (1982) e A Casa do Espanto (1986) e até de outros mais recentes como Espíritos (2004), mas sabe como introduzir sua própria mitologia, que no caso é: O Distante. Basicamente, é um lugar onde as almas ficam, um grande vazio escuro e assustador. Aliás, o lugar daria o nome ao filme, que se chamava The Further antes de ficar com "Insidious".

Esse lugar é um artefato interessante na história principalmente quando se coloca em jogo a sequência, Sobrenatural - Capítulo 2 (2013), que funciona literalmente como uma segunda parte da história, tal como Halloween II - O Pesadelo Continua (1981) funciona para Halloween (1978). E pra quem já viu ambos os filmes, sabe que é uma jogada interessante por que ambos os filmes se completam e dá a entender que as ideias do segundo filme já estavam em mente desde à produção do primeiro.

Vendo Sobrenatural, não é difícil entender o por quê dele ter se destacado perante outros filmes do gênero. É um filme caprichado, feito por gente que entende o que faz. Pra quem curtiu a história, a franquia tem mais dois filmes lançados e um quarto previsto para 2018. O segundo é fundamental por ter uma história que completa o anterior, enquanto o terceiro, Sobrenatural - A Origem (2015) é desnecessário, embora não seja ruim.


por Neto Ribeiro

Título Original: Insidious
Ano: 2011
Duração: 102 minutos
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Patrick Wilson, Rose Byrne, Lin Shaye, Barbara Hershey, Leigh Whannell, Angus Sampson, Ty Simpkins, Joseph Bishara


Description: Rating: 4 out of 5

Um comentário :

  1. Eu amo essa franquia
    Sobrenatural e invocação do mal são as melhores franquias atuais.

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