11 de maio de 2017

Crítica: Alien - Covenant (2017)


Chegamos em maio, e um dos lançamentos mais esperados para os fãs de terror fora lançado para alguns países no dia 11... Sorte as deles já que em alguns países como os EUA, ele será lançado no dia 18, uma semana depois. 'Alien Covenant' trás Ridley Scott de volta na direção da franquia Alien depois de um longo tempo em repouso. Além de Scott, o filme é roteirizado por John Logan, que teve dedo seu envolvido em grandes obras como 'Gladiador' de 2000, 'O Aviador' de 2004 e a série 'Penny Dreadful'. 

No elenco desta sequência estão nomes renomados como: Michael Fassbender (De 'Prometheus' e 'X-men'); Katherine Waterston (De 'Animais Fantásticos e Onde Habitam') Danny McBride (De '30 Minutos ou Menos' e 'Esse é o Fim'); Carmen Ejogo (Também de 'Animais Fantásticos e Onde Habitam'); James Franco ('Homem Aranha' de Sam Riami e 'Planeta dos Macacos: A Origem' ) em uma participação minima... Entre outros. 

A história desse novo capítulo é bem simples, uma nave viaja pela galáxia em busca de um planeta chamado Origae-6, planeta esse da qual demoraria sete anos e quatro meses para chegar lá. Durante o percurso, um acidente acontece e acaba acordando a tripulação antes do tempo... Enquanto cuidavam dos reparos da nave, o grupo composto por quinze pessoas recebe uma mensagem de voz que veio de um planeta que não havia sido visto por eles antes. Percebendo que o planeta pode ser um lugar habitável para humanos, eles decidem investigar. Só que esse lugar é traiçoeiro e tem uma forma de vida que pode colocar todos no mais absoluto perigo, os aliens estão lá.

O começo do filme é bem interessante, ele mostra o criador do humanoide David (Fassbender) e o robô, o mesmo de Prometheus, conversando sobre a existência da criação. Esse inicio é um ponto interessante para a premissa, não só de Prometheus, mas de Alien Covenant também. 

O primeiro ato do longa lembra bastante o primeiro Alien de 1979, ele se passa dez anos após os eventos de Prometheus e mostra a tecnologia do ano 2104, e as relações entre os personagens frente a perdas de vidas ocasionadas pelo acidente que os fez acordarem. E não só essa parte, mas também a maneira de como o grupo descobre esse novo planeta e decidem ir investigar. É tudo bonito, bem construído e empolgante... Os cenários são limpos e claros e contrastam muito bem com a sujeira e sangue que está por vir, tudo isso acompanhado com uma trilha sonora nostálgica por lembrar a do primeiro filme. Ponto para Covenant.  

Tripulação da Covenant

Sobre a tripulação, podemos notar que não existe uma hierarquia de poder evidente aqui. Nos temos o capitão da nave e o vice, mas os poderes deles são praticamente nulos frente ao grupo como um todo, além disso, a constante mudança de líder dentro da Covenant contribui para essa democracia entre os personagens... O que movimenta a nave são as relações entre os personagens, aliás, esse é o filme da franquia que mais tem casal... Por exemplo: A mulher do piloto está no planeta, então o piloto quer se aproximar ao máximo possível do planeta para facilitar o resgate, essas coisas. Isso não é necessariamente algo ruim, está ali de propósito e o roteiro brinca com isso no decorrer da projeção.  

Os bons momentos de tensão está em torno do surgimento dos primeiros Aliens, é sangrento, nojento e bem interessante, no entanto, o apelo para o CGI deixa a situação estranha, em vários momentos em que a criatura aparece, podemos sentir um ar de 'artificial', isso pode prejudicar a cena como um todo. E falando nos Aliens, aparece no longa um novo tipo de Xenomorfo muito legal e sinistro, queria poder ter visto mais dele no decorrer da película e ver do que ele é capaz, provavelmente foi a maior novidade desse capítulo. Bem, ainda nesse primeiro ato nós ficamos sabendo que David, o robô do primeiro filme, está vivendo naquele planeta desde o acidente com a nave Prometheus... Não vou falar muito sobre ele e Elizabeth para evitar spoilers. 

No segundo ato e meio do filme, a história se arrasta num ritmo de dar sono, literalmente bati na minha cara para não adormecer, principalmente numa parte em que os robôs Walter e David (ambos interpretados por Fassbender) tocam flauta, ali já tem a musica, só faltava o travesseiro para a soneca. Com questões interessantes sobre a criação, a revolta contra seus criadores, e até que ponto a obediência é algo benéfico para os seus próprios interesses, a relação entre os dois é a mais explorada no longa, temos até um pseudo beijos incestuoso/homossexual entre os robôs, mas claro, tudo feito de tal forma que condiz com a história, não está ali só por está, existe uma metáfora interessante envolvendo isso tudo, só é chato. 


A forma de como os Aliens tradicionais surgiram, foi legal, embora tenha faltado algumas explicações de como David havia chegado àquela formação de parasita... Tudo bem que ele diz que fez uma espécia de laboratório para fazer algumas experiências envolvendo hibridações, mas nada foi explicado concretamente. Um ponto muito estranho e negativo do nosso querido Xenomorfo, foi quando ele saiu do peito da sua vítima, foi estranho e confuso, a criatura parecia endeusar o robô David enquanto na verdade, em pelo menos oito filmes de aliens, as criaturas eram totalmente animalescas e hostis obedecendo e defendendo apenas a sua própria espécie. 

No terceiro ato do filme, a coisa fica frenética com boas cenas de ação entre Daniels (Katherine Waterston) e os Xenomorfos numa nave decolando, ele trás um final decente às criaturas, mas ao mesmo tempo, o clima se perde por mostrar demais, não existe aquela ambientação claustrofóbica, nem uma tensão ou expectativa ao ver a criatura em ação que mais parece um bicho qualquer do que algo a temer, se colocassem um velociraptor no lugar do Xenomorfo, ia dar no mesmo, apesar disso, o filme garante uma ou duas cenas de sustos. Só um comentário particular, o aliens, principalmente os do final, lembram bastante as criaturas do terceiro filme que era uma mistura de Alien com cachorro ou de uma vaca dependendo da versão. 

Os atores estão muito bem, fazem bem os seus respectivos papeis, principalmente Fassbender que faz dois personagens distintos, Billy Crudup também fez um personagem bem legal como o vice capitão da Covenant, e logo tem presença e firmeza, ela nos dá uma personagem com personalidade, é legal ver ela em ação. Em contrapartida, se colocassem o tio que vende lanche na esquina no lugar de James Franco, não ia fazer diferença alguma, e Katherine Waterston, mesmo fazendo um trabalho legal, o seu personagem parece mais uma versão mais nova e atualizada da Ripley, então senti uma falta de personalidade.

O filme pode ter cenas de CGI estranhos, e confrontos não tão empolgantes, mas nada supera a burrice dos personagens que não percebem o óbvio. Na minha sessão todos sabiam o que estava acontecendo, e quando uma reviravolta é esperada, não é surpresa, logo não tem o impacto que essa 'jogada' deveria ter e se torna frustrante. Em todo momento eles precisam se separar, não percebem o que está na cara deles e quando vão se tocar, é tarde demais... Mas, é claro que esse 'tarde demais' vai ser visto num possível próximo 'Alien'... Afinal de contas, Hollywood é isso, na maioria das vezes está pensando num futuro rentável e dando ganchos para continuações... Não obstante, ainda não foi dessa vez que vimos o xenomorfo que aparece no final de Prometheus entrando em ação, isso é uma pena.

É um filme ruim? Não... Ele tem seu propósito, amplia a mitologia dos Aliens, nos dá muitas cenas sangrentas e tem uma história e cronologia válidas, ele não é o pior da franquia como um todo: 'Alien X Predador 2', 'Alien 3' e 'Alien Ressurreição' são inferiores, mas a película peca por tentar ser novo sem sair da zona de conforto nos dando um produto nada original e não tão convincente que acaba se tornando apenas uma diversão passageira. Nota: 5,5.    


Aqui vai algumas curiosidades sobre o filme:

Ridley Scott demorou para assistir Alien 3 (1992). Quando viu, não gostou nada da produção e, posteriormente, decidiu fazer uma "sequela-substituição" do longa.

O longa conta com cenas filmadas em Sydney, na Austrália, nos estúdios Fox. Ridley Scott também deu a Michael Fassbender um tempo de folga para que ele pudesse participar de X-Men: Apocalipse (2016).

O nome Alien: Paradise Lost foi usado para evitar confusão acerca da dissociação de Prometheus da franquia Alien. "Covenant" é um pacto, acordo ou promessa, muito utilizado em termos bíblicos.

Katherine Waterston e Carmen Ejogo trabalharam juntas em Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016). Katherine também já dividiu o set com Michael Fassbender em Steve Jobs (2015).

Ficha Técnica

Direção: Ridley Scott.
Produção: Ridley Scott, Mark Huffam, Michael Schaefer, David Giler, Walter Hill.
Roteiro: John Logan.
História: Jack Paglen, Michael Green.
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Nathaniel Dean.

Sinopse: Viajando pela galáxia, os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local: uma terra sombria que guarda terríveis segredos e tem o sobrevivente David como habitante solitário.





Por: Michael Kaleel.



Description: Rating: 3 out of 5

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