24 de maio de 2017

Critica: Código Vermelho (2010)


Filmes de zumbis e seus derivados, existem aos montes e para todos os gostos... Você encontra de clássicos como 'A Noite dos Mortos Vivos' de George A. Romero, até porcaria como 'O Dia dos Mortos 2 O Contágio' que da TV vai direto para a lixeira. A grande maioria desses filmes foca em esteriótipos bem conhecidos pelo público que ama o gênero: sempre tem aquele cara idiota que vai fazer a maioria do elenco morrer, quase sempre tem aquele personagem que está numa nice e de repente vê a vida mudada pelos acontecimentos envolvendo os zumbis, e curiosamente esse mesmo personagem vive até o final, quase sempre não existe uma explicação para a origem do vírus, esses filmes geralmente são recheados de sangue, tripas e carnificina... E por aí vai.

Mas, também existem alguns poucos filmes que focam em outro aspecto, o 'lado humano' e cooperativo. Aqui, o foco não é em mostrar unicamente matança, carnificina ou zumbis e mais zumbis, mas sim na história dos personagens e nos dramas que são impostos sobre eles e como eles lidam com isso, deixando essas criaturas para segundo plano, eles estão ali no longa, mas não são o principal. Na verdade, essa nova forma de narrar um filme de mortos vivos é antiga, vemos isso em 'O Despertar dos Mortos' de 1978, mas começou a se popularizar no inicio dos anos 2000, com o filme 'Madrugada dos Mortos' que mesmo tendo muitos dos esteriótipos citados acima, ainda sim, o filme foca, de uma forma bem mais clara, na ajuda e na cooperação entre os personagens para sobreviver. Com o passar do tempo mais filmes do tipo começaram a ser produzidos, assim, dando espaço para mais oportunidades de explorar os personagens num mundo em que o caos se instalou, caos em forma de zumbis. Alguns exemplos de filmes que focam esse aspecto são: 'Guerra Mundial Z', 'Zumbilândia', 'Maggie', 'Extermínio', e claro 'Código Vermelho'.

Dirigido por Barro de Turner, 'Código Vermelho', também chamado de 'State of Emergency', narra a história de uma epidemia que toma conta de uma pequena cidade quando uma instalação de produtos químicos explode, liberando uma toxina 'mortal'. Momento depois do vazamento, os moradores da cidade começam a mostrar sinais de uma estranha mutação, fazendo com que os militares coloquem a área em quarentena. A partir daí, a história gira em torno de Jim, um jovem que luta para fugir dos zumbis devoradores de carne humana enquanto busca a sua liberdade.

O começo dele é bem interessante, Jim (Jay Hayden) está num lugar escuro cuja lamparina é a única coisa que ilumina o local, no seu lado estão duas mulheres, uma está inconsciente e a outra está em estado de choque, na sua frente, descendo algumas escada, está um homem segurando uma porta. Jim se senta no degrau da escada, pega o rifle que estava apoiado em seu ombro, faz sinal para o amigo que sobe as escadas passando por ele, e mira para a porta. Depois nós vamos para quatro dias antes onde vemos o que aconteceu para que o caos se instalasse na pequeníssima cidade.

O protagonista, Jim, era um rapaz normal, tinha uma mulher que ele amava chamada Emilie, mas a sua vida muda completamente no momento da explosão da instalação, nós não vemos a explosão, apenas uma fumaça no fundo, e as notícias que são dadas nos rádios e TV, isso é interessante porque deixa tudo misterioso, nós ficamos sabendo a mesma coisa que o Jim sabe. Nesse primeiro momento, nós acompanhamos o homem tentando sobreviver sozinho num estábulo, nessa parte ele tem a sua primeira experiência com os infectados. Aqui ficamos sabendo que os monstros são bem irracionais, eles correm, gritam e são bem sujos, mas eles se parecem muito mais com infectados de 'Extermínio' do que zumbis, inclusive, mais para frente, ficamos sabendo que os infectados podem falar.  

Mais tarde, Jim recebe um recado através do rádio de que existe um pequeno grupo está se abrigando num galpão ali perto... Para não fica mais só, o rapaz se arrisca chegar no local. Lá ele é recebido pelo simpático Scott (Scott Lilly), sua mulher receptiva, Julie (Kathryn Todd Norman) e a rebelde estilosa, Ix (Tori White). 

A partir daí o quarteto vai formando uma amizade bem sutil ao mesmo tempo em que lutam para manter as criaturas fora do galpão e tentar descobrir o que está acontecendo através de um rádio transmissor. O desenvolvimento dos personagens também é suave, é bom, não deixa nada forçado, destaque para as conversas entre Scott e Jim sobre como Scott percebeu que as coisas estavam mudando após a explosão, e o desabafo entre Jim e Ix, onde aqui a moça conta para o companheiro sobre a sua fuga de casa e o rapaz conta sobre a vida perfeita que ele tinha planejado ao lado de sua mulher. É lógico que além da parceria, existem pequenas brigas, mas nada que faça um tentar matar o outro ou coisa do tipo.  

Para completar o pacote, Ix fica doente e a única salvação que o grupo encontra, é alguém ir até os pacotes de medicamentos que o exército havia jogado pelas redondezas por helicópteros um pouco antes de Jim ir para lá. Temendo pelo vida da amiga Jim se volutaria para fazer essa busca, Scott e Julie o ajudam com o que podem.  Ao voltar, o grupo percebe que não estavam tão seguros como eles pensavam e tudo acaba levando ao momento que o filme começa, com Jim sentado numa escada com o rifle em mãos e Scott segurando a porta enquanto Ix continua inconsciente e Julie respira ofegante... Acontece mais coisa, mas para não estragar o final, paro por aqui.    


Para muitos, esse pode ser um filme chato e parado, quase não tem zumbis (apenas 9), se é que podemos realmente chamá-los de zumbis, tem muito diálogo e muita expectativa de ver uma ação que não ocorre. Mas, como eu disse no começo e volto a repetir, essa é uma película que foca na amizade, num lado mais humano dos personagens frente a um desastre de proporções 'zumbilescas' e segue o mesmo ritmo até o final, isso torna toda a experiência mais realista e, dependendo do ponto de vista, bem interessante. 

No geral é um bom filme, o elenco não é ruim, mesmo com alguns pequenos deslizes, ele convence. A edição de imagem é bem sombria, mantendo um tom de sépia nos flashbacks e um tom bem escuro nas cenas do estábulo e do galpão, fazendo com que esses lugares, ao mesmo tempo em que 'são seguros', não transmitam essa segurança. No entanto, ele poderia sim ser um pouco mais dinâmico, poderiam ter colocado mais infectados na história, isso iria deixar tudo melhor. Também poderiam colocar algumas cenas sangrentas nem que fosse envolvendo flashbacks, mas com certeza agregaria mais qualidade ao longa. Então fica a dica, se você quer um filme de correria, ação, carnificina e muitos zumbis... passe longe desse aqui!... 'Código Vermelho' não vai se tornar um clássico, mas como um bom entretenimento ele se comporta muito bem, ele vale ser visto.  Nota: 6,0.
   

Ficha Técnica:

Titulo Brasileiro: Código Vermelho.
Titulo Americano: State of Emergency.
Diretor: Barro de Turner.
Elenco: Jay Hayden; Tori Branco; Scott Lilly; Kathryn Todd Norman; McKenna Jones.
Tempo: 89 Minutos.

Sinopse: O caos consome uma pequena cidade, após a explosão de uma indústria química, que acaba por liberar uma toxina. Após o contato com essa, os moradores da cidade começam a apresentar sinais de mutação. Isso faz com que a área seja isolada pelo exército, impossibilitando a saída dos sobreviventes. Jim está preso nessa zona, e deve enfrentar mortos-vivos e procurar comida para poder sobreviver e reconquistar sua liberdade.


Por; Michael Kaleel.

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